O meu único filho deixou-nos boquiabertos quando nos anunciou que queria casar-se ainda só tem 22 anos. Mas eu e a minha esposa decidimos não contrariá-lo, afinal nós próprios casámos muito jovens. O meu pai tinha acabado de fazer 22 e a minha mãe só tinha 19 quando se casaram. Ou seja, talvez estivesse no destino do nosso Rui também. E gostávamos mesmo da noiva: a Marta estudava com o Rui na mesma turma da faculdade. Quando percebemos que era mesmo sério, começámos os preparativos para a cerimónia. Como o Rui é filho único, achámos que merecia um casamento em grande.
Como manda a tradição, eu e a minha esposa fomos a casa dos pais da Marta, a nossa futura nora, fazer a visita formal de apresentação. Não sabíamos quase nada sobre a rapariga, só a tínhamos visto algumas vezes com o nosso filho. Ela contou-nos que vivia com a mãe, numa aldeia perto da nossa cidade. E lá fomos nós fazer o pedido oficial. Claro que avisámos a futura consogra, a Dona Teresa, da nossa visita.
Comprei flores, a minha esposa fez um bolo e fomos conhecer a possível nova família. O que nos impressionou logo à chegada foi o pátio extremamente limpo e organizado.
A casa, apesar de antiga, era muito bem cuidada e asseada. Fomos recebidos à porta pela Dona Teresa. Logo gostámos dela: uma senhora simpática, cheia de charme. Convidou-nos para a mesa, onde tudo estava delicioso percebeu-se que se tinha empenhado no preparo. Tivemos uma tarde muito agradável e a Dona Teresa revelou-se uma excelente pessoa, mas sobre o casamento não chegámos a acordo algum. O motivo é simples: a consogra disse logo, com muita franqueza, que não tinha dinheiro para ajudar na boda. Percebeu-se que a Marta ficou envergonhada. O nosso filho também ficou desanimado com aquilo. Ele nem queria a cerimónia para si fazia-o porque sabia que era o sonho da Marta. Eu e a minha esposa decidimos não desistir e garantimos ao Rui que faríamos o casamento às nossas custas. O futuro logo diria o resto.
Dissemos à consogra, a Dona Teresa, que convidasse as pessoas mais próximas do lado dela. Os convidados nunca vêm de mãos a abanar: o que trouxessem em envelopes ajudaria a pagar os seus lugares no restaurante. Apesar de hesitar, a Dona Teresa acabou por aceitar apoiar os filhos, depois de muita insistência.
Numa quarta-feira, pouco antes do casamento, tocaram à nossa campainha. Era a Dona Teresa à porta, o que nos espantou. Convidámo-la para tomar um chá. Estava visivelmente atrapalhada, até que tirou um envelope branco da carteira, cheio de dinheiro. Afinal, ela tinha ficado tão envergonhada com a nossa oferta que foi ao banco e pediu um crédito só para ajudar com o casamento. Pedimos-lhe para devolver esse dinheiro ao banco não queríamos que ela se metesse em dívidas, ainda por cima quando víramos como ela e a Marta levavam uma vida modesta e simples. Mas a Dona Teresa nem quis ouvir falar nisso disse que já estava decidido.
A cerimónia correu às mil maravilhas. Os miúdos estavam radiantes. Durante o casamento, a Dona Teresa surpreendeu-nos novamente: eu e a minha esposa vimos que ela, além de inteligente, era uma mulher muito bonita. Só tinha 45 anos, era divorciada há bastante tempo e criara a filha sozinha. Na festa parecia outra o penteado, a maquilhagem e o vestido transformaram-na. E não fomos só nós a reparar nisso: o meu irmão mais novo, o António, também reparou.
O António tem 46 anos, também é divorciado e vive e trabalha em França há já uma década. Veio de propósito a Portugal só pelo casamento do sobrinho. Passou a noite toda a olhar para a Dona Teresa e, depois da festa, avisou-nos logo que ficaria mais uns dias em Portugal. Bem percebi porquê. No domingo seguinte, lá fomos nós outra vez à aldeia, agora já com outro propósito pedir a mão da Dona Teresa, mas desta vez para o António.
O António e a Dona Teresa deram-se muito bem, casaram-se e, poucos meses depois, o meu irmão levou a esposa para França. Assim, a minha consogra tornou-se também minha cunhada. É uma mulher extraordinária e merece toda a felicidade do mundo.






