Um dia antes das tão esperadas férias, o meu marido teve uma ideia brilhante: Vamos passar o verão na casa de campo dos meus pais! Afinal, na nossa tribo tínhamos dois rebentos uma estudante de 9 anos que mal espera pelas férias e um bebé de 7 meses, que provavelmente respiraria melhor do que nós no ar puro do campo do que no calor pegajoso de Lisboa. O meu marido jurou a pés juntos que os pais dele ficariam radiantes com a nossa presença, afinal, avós portugueses adoram estar com os netos e, além disso, conhecem de cor e salteado o caos que é conviver com crianças pequenas logo, não iam exigir muito do nosso lado.
Achei a proposta deliciosa. O que podia correr mal, não é? Mas, como a vida ensina, fui ingénua e paguei para ver.
Bastou o cheiro a eucalipto do campo para o meu marido e o sogro lembrarem-se subitamente que o trabalho em Lisboa é sagrado. Ou seja, fugiram para casa na primeira oportunidade e só apareciam na casa de campo aos fins de semana, esperando mesa posta, casa impecável e ambiente relaxante como se nós fossemos uma equipa profissional de mordomos. Durante a semana, eu e os miúdos ficávamos a maioritar com a sogra: ela, especialista em horticultura; eu, chef por obrigação.
Em cinco minutos, a minha filha de 9 anos transformava a casa de campo num festival de confusão digna do Carnaval de Torres Vedras, por isso o olho tinha de estar sempre em cima dela. O meu menino pequenote era tão bebé que ainda precisava de peito, mimo e sono rigoroso e eu também, senão até o leite ia embora de tanto cansaço! Que saudades do ar condicionado do apartamento
A sogra rapidamente fez a divisão de tarefas à portuguesa: ela dominava as estufas, eu ficava encarregue dos tachos e da limpeza. Decidimos, democraticamente, revezar-nos para olhar pelos miúdos. Como alimentava o bebé noite fora, deitava-me cedo lá pelas nove. Nessa altura, a sogra ainda estava despedida de força a arrancar batatas do quintal. E, por mais que eu perguntasse se precisava de uma mãozinha, ela respondia sempre com aquele Não te preocupes, querida! tipicamente português.
Enfiei então todos os desafios domésticos do campo goela abaixo, convencida de que tinha uma boa relação com a sogra Doce ilusão!
O choque veio numa conversa de bastidores ao estilo telenovela, quando, no sábado, o meu marido me chama para um cantinho, citando palavras da mãe: A mãe está chateada contigo. Fiquei a saber que a pobre senhora andava estafada de tanto debulhar feijões e que não tinha qualquer ajuda da minha parte, que (palavras dela) só dormia e não punha as mãos na terra! Dizia também e cito! uma nora decente deve levantar-se duas horas antes da sogra e deitar-se duas depois. Como se houvesse troféu para quem dorme menos
Ainda ganhei pontos negativos porque, segundo ela, uma mãe a sério faz as camas dos miúdos depois da sesta. Caso contrário, é uma vergonha para a higiene nacional.
Não digo que seja a Rainha do Lar, mas por mais que tente, não entendo essa competição de exaustão na horta só para agradar à sogra. Afinal, não vi no livro de regras portuguesas de família nenhuma medalha para a nora que mais se descabelou no tomateiro!







