Lisboa, quarta-feira
Hoje, ao chegar ao trabalho, fui apanhado de surpresa. Os colegas estavam em clima de festa, e durante um instante fiquei a matutar: Será algum feriado que esqueci? Logo percebi que era algo diferente. O António sorriu-me e explicou: Estamos a celebrar porque a minha mulher, finalmente, está grávida!
Toda a gente à minha volta ficou realmente contente pelo António. Notei a animação no ar, mas, de repente, o Carlos aproximou-se de mim e comentou: És o primeiro homem que conheço a festejar a gravidez da esposa. Normalmente, comemora-se apenas depois do bebé nascer. És mesmo um tipo porreiro! Olha, prepara-te porque toda a gente vai começar a dar-te mil conselhos e a contar-te histórias aterradoras sobre a paternidade. Eu fiquei ali, um pouco admirado, sem saber o que responder.
Carlos confirmou: Nos próximos nove meses, vais ter de satisfazer todos os desejos e manias da tua esposa. A minha não me deixou descansar quando nasceu o nosso primeiro filho! Ela vai pedir-te tudo e mais alguma coisa, e depois já não vais achar isto tão divertido. O João quis saber: Quantos filhos tens e que idade têm? O Carlos respondeu: Dois, mas já nem sei que idade têm ao certo. Acho que a minha filha faz sete… ou será seis? Subitamente, fiquei calado a pensar.
Quando cheguei a casa, abracei com carinho a minha querida mulher, Leonor. Ainda bem que ninguém no escritório sabe que vais dar à luz daqui a uns dias. Eles ainda acham que faltam nove meses! Vais acabar por contar, não consegues resistir. Leonor riu-se e disse: Vou tentar não contar, mas não prometo nada. Dias depois, Leonor deu à luz um menino saudável, a quem demos o nome de Tomás.
Tirei uns dias de folga do trabalho para ajudar Leonor e o bebé. Tenho-me apressado a regressar a casa todos os dias, e os colegas não entendem o motivo. Sinto sempre que a família está acima de tudo, e isso nunca vai mudar para mim.







