– O teu Marco ainda é muito jovem. E porquê haveria ele de querer ficar responsável por esta órfã? Agora já podes esconder todos os teus objetos de valor, porque nunca se sabe o que lhe passa pela cabeça.

Beatriz stătea în pragul ușii, strângând cu putere mâna lui Tomás. Ochii ei erau mari și neliniștiți, iar genunchii îi tremurau ca niște frunze scuturate de vântul serii în Alfama.

Mamã, esta é a minha amiga… Beatriz, – a spus Tomás, întorcându-se de la o altă călătorie de afaceri, ca și cum ar fi venit din Porto plutind pe vapoare din ceață.

Fusese plecat două săptămâni și s-a întors cu pași măsurați. Tomás locuia cu părinții într-un apartament modest cu două camere, cu pereții tapetați cu azulejos. Noaptea, Beatriz dormea în camera lui Tomás, iar el se culca la bucătărie, lângă aragazul vechi care încă mai păstra miros de bacalhau.

Onde a encontraste? întrebă mama lui, aruncând o privire și trăgând după ea un șal tricotat. Os jovens de hoje têm todos roupas berrantes, brincos na sobrancelha, parecem estrelas do fado novo.

Mamã, tive sorte. Conheci-a na residência universitária onde fui colocado. Ela cresceu num orfanato lá para os lados de Braga, susținu Tomás, simțind în voce mirosul de castane coapte.

Dimineața următoare, sora lui Tomás, Filipa, a apărut precum un pescar jegos adus de valuri direct în sufragerie.

Então, onde estão os jovens?

Foram ao registo civil para entregar uns papéis…

O teu Tomás ainda é tão novo. E para que precisa ele de uma rapariga sem família? Olha, Antónia, agora é melhor esconderes os teus brincos e aquilo que restou din aurul vechi, cu cine ştie ce se poate aștepta.

Do que falas tu, rapariga? s-a răstit Antónia, mama lui Tomás, lovind cu lingura în masa de lemn.

Também eu cresci num orfanato! Presupui că asta m-a făcut diferită de alții? Tatăl lui Tomás, Senhor Artur, i-a sărit imediat în ajutor fetei.

Espera, vais ver… os genes dela vão saltar à vista, stărui Filipa, ca și cum recita un proverb prăfuit.

Nem te atrevas a falar assim da Beatriz! strigă Artur cu voce rotundă.

Antónia și Artur considerau că Tomás are dreptul la propriile decizii, așa cum un mísio alege să plece spre sud. Nu s-au amestecat. Copiii au decis să stea mai întâi cu părinții, urmând să se mute la casa lor, o mansardă cu vedere spre Tejo.

Beatriz era o gazdă stângace, rătăcită printre oale, cu pași ușori și mâini nesigure. Soacra aproape că ceda zilnic, dar socrul o susținea pe fată cu un zâmbet discret și blând.

Za Tomás a povestit mai târziu că Beatriz voia să intre la universitate, la filologie portugheză. Aveau doar banii lui, cam 950 de euro pe lună. Antónia își făcea cruce pe sub șorț, dar nu se putea opune, cu dorința aceea veche de diplomă pe perete.

Cei tineri s-au mutat apoi într-un apartament cu mobilă din Anos ’70 și un balcon minuscul. Beatriz a început să predea ore particulare de portugheză copiilor din cartierul Graça.

Simțind grija băiatului ei, Antónia a venit într-o zi cu două tigăi învelite în hârtie: Olha, comprei duas frigideiras novas! Se quiseres, dou uma aos meninos. Toda a gente tem dificuldades agora…

Os meus meninos dão-se bem. A Beatriz aprende depressa, arruma a casa, até cozinha arroz à valenciana, răspunse Antónia cu un zâmbet cald.

Soacra a înmânat tigaia, instruind-o cu solemnitate: Só mexer com colher de pau, nunca de metal.

Trecuse o săptămână. Antónia a poposit din nou la ușa apartamentului proaspăt vopsit verde. În bucătărie, Beatriz plângea încet.

Queimaram-se os bifes, soluționa ea, Lavei a frigideira com palha de aço. Era oferta tua…

Pare, pare, filha! murmură Antónia și o îmbrățișă, ștergând lacrimile cu șorțul cu lalele.

Tomás a găsit pe amândouă pe gresia rece. Ridicând din umeri, s-a întors la visul său, lăsând cele două suflete într-o blândețe roiescândă.

A trecut puțin peste 18 ani. Beatriz a devenit subdirectoare la o școală din Bairro Alto. În tot acest timp, soacra a ajuns să o iubească ca pe propria fiică, dar Filipa a rămas prizonieră în invidii vechi ca tramvaiele din Baixa.

Contează oare locul în care cresc oamenii, dacă poartă bunătate și sinceritate în suflet, sau doar dansul viselor din cartierele Lisabonei?

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– O teu Marco ainda é muito jovem. E porquê haveria ele de querer ficar responsável por esta órfã? Agora já podes esconder todos os teus objetos de valor, porque nunca se sabe o que lhe passa pela cabeça.
– Nadinha, cheguei a casa, vem receber-me! – L-Leonel?! Mas o que fazes aqui tão cedo? Não era só daqui a três dias que regressavas… Uma mulher de trinta anos apareceu apressada no corredor, enrolando-se num robe de seda, confusa ao ver o marido à porta. – Quis fazer-te uma surpresa, Nádia. Parece que consegui! Ou não ficaste contente? – O homem alto e de ombros largos sorria de orelha a orelha, satisfeito com o efeito causado. – Muito, muito contente! Vai já para a cozinha, que eu trato de aquecer o jantar. Felicíssimo consigo, Leonel acenou à esposa e seguiu para a cozinha. E lá o esperava uma mesa farta: morangos, chocolate, jantar acabadinho de sair do forno… Como se fosse tudo só para ele. – Ó Nádia, que banquete preparaste! Como soubeste que eu vinha? És uma bruxinha! Servindo-se com generosidade, Leonel começou a atacar o jantar. A mulher não apareceu mais, mas ele preferiu não a chamar, certamente estaria a vestir um lindo vestido para receber o marido… A esforçar-se… – Leonel, eu… Nós… – Ó Nádia, que delícia o teu assado! A salada, as panquecas… São de lamber os dedos… André?! Ao virar-se, Leonel viu a esposa a segurar pelo braço o seu irmão, André. A mulher fitava o chão, envergonhada, e André, de calções e t-shirt, esfregava o nariz, como quem foi acordado agora. – Sim, Leonel, sou eu. Olá, mano… – Boa tarde. Agora expliquem-me o que se passa aqui, se faz favor. Ou talvez nem valha a pena… – Leonel, eu… Eu queria contar-te há algum tempo. Eu amo o teu irmão, o André, e quero ficar só com ele. Desculpa. – disparou Nádia, olhando para o já ex-marido. Leonel deixou cair o prato. A loiça rolou pelo chão com a comida. – Então… vocês… Agora mesmo… – Sim. Acabámos de estar juntos. – Fantástico, Nádia! E tu, André, também! Meus queridos, agora percebi por que fizeste um jantar tão especial… E, principalmente, para quem! Nádia não conseguia olhar para o marido. Sentia que, se o fizesse, perderia a coragem toda. – E a Inês? O que vamos fazer com a nossa filha? Ela já sabe? – Não, ela… não sabe. – E está onde agora? – Na vizinha, a ver desenhos animados. – E costumas deixá-la muito tempo aí? – Já há meio ano que sim… Leonel ficou sem palavras. Nem forças para zangas. Sempre foi calmo, não sabia começar grandes discussões. Mas se alguém o levava ao limite, era melhor nem ver. Contudo, essa situação surpreendeu-o tanto que ficou sem reação só um instante. – Têm dez minutos para sair daqui. O tempo está a contar. – Disse Leonel, enquanto bebia o chá. Nem olhou para o irmão. – O que é que a Nadinha viu nele? Têm o mesmo aspeto, até as pintas iguais… Mas trabalho não faz, inteligência pouca… Só vai perder com ele. Mas a escolha é dela! – pensou Leonel. – Não saio daqui sem ouvir a tua resposta, – disse André de repente. – E que resposta queres? – Ao divórcio… Deixa a Nádia. Ela não te ama! – Já vi em quem ela pensa… – disse Leonel, sorrindo. – Querem divórcio? Terão, mas só pelo tribunal! Quero ver quanto gastarão com advogados. – Leonel… – a mulher colocou a mão no pulso dele. – Vamos separar-nos em paz. Tu não és assim, tu és bom, sabes… Ele abanou a cabeça. – Está bem, concordo. Mas não és mais meu irmão, André! – Ainda queríamos pedir-te outra coisa. – O quê? – Deixa-me ficar com o apartamento depois do divórcio, Leonel! – Nádia sorriu, acariciando o marido. – A Inês gosta desta casa, tem amigos na escola… Se tivermos de dividir o apartamento, não temos dinheiro para um novo, temos de regressar à aldeia… Leonel encostou o queixo às mãos pensativo. Vendo a hesitação dele, Nádia tentou convencer melhor: – Leonel, querido… Fá-lo pela Inês. Tu sabes que irás ganhar muito mais dinheiro, serás capaz! Por favor, ela é tua filha! Estou a pensar nela… – Calma, Nádia, – interrompeu. – Tenho outra ideia. – Qual? – A Inês ficará a viver comigo. – O quê?! Estás maluco? Não sabes cuidar de crianças! Passas a vida em trabalho… Ela nem se lembra do teu nome! – Vamos confirmar já – disse ele, dirigindo-se à porta. Pouco depois voltou, de mão dada com a filha, uma menina de dez anos, que ia entrar no 4º ano. Ela apertava a mão do pai, feliz da vida. – Para que a trouxeste? Querias envolver a menina na discussão?! – exclamou Nádia indignada. Mas o homem nada respondeu. Sentou-se, pôs a filha ao colo e começou a conversar: – Inês, querida, posso fazer-te umas perguntas? – Claro! – sorriu a menina, orgulhosa. – Prometes responder sinceramente? Porque vou falar contigo como com uma pessoa crescida. – Mesmo como tu conversas com os outros senhores no escritório? – Mesmo assim. A menina acenou, contente pela conversa séria. – Diz-me, a mãe alguma vez te tem maltratado? Bateu em ti esta semana? A menina baixou o olhar e mexeu nervosamente no vestido. – Mas que disparate é esse? – gritou Nádia. – Deixa a miúda em paz! – Cala-te, Nádia. Estou a falar com a nossa filha, – interrompeu Leonel, e fez-lhe uma festa na cabeça. – Não tenhas medo, Inês. Prometeste ser sincera, lembras-te? A menina acenou. Com lágrimas, abraçou o pai e sussurrou-lhe ao ouvido: – Sim, bateu três vezes! Uma por causa de uma nota má, outra por entornar leite e a última porque gritei com o tio André. Eles deram beijos enquanto estavas fora. – Não chores, pequena, não chores! – acariciou ele a filha. – Eu estou contigo. Agora a mãe não te faz mal. – Ela está a mentir! – gritou Nádia. – Nunca lhe toquei… – Então queres a casa e o carro para o bem da filha? – perguntou Leonel, sorrindo. – Inês, respondes a mais uma coisa? – Sim… – Se te dessem escolha: viver comigo ou com a mãe, com quem ficavas? A menina hesitou, olhando alternadamente para os dois. Nádia esforçava-se por convencer a filha, até estendendo os braços. – Prometes que não vais embora por muito tempo? – Prometo! – respondeu o pai, seguro. – Então quero viver contigo, pai. – Maldita sejas! – gritou Nádia, ameaçando a filha, mas Leonel abraçou-a, protegendo-a. André, que estivera sempre ali, não se intrometeu. – Pronto, falámos. E não a verás mais, Nádia, – disse ele calmamente, saindo da cozinha com a filha. Em poucos minutos ajudou a filha a fazer a mala. Por sorte, já tinha a sua, de viagem, pronta. Leonel e a menina seguiram para um hotel. Meses depois, deu-se o tribunal. Sem rendimentos, casa ou meios para cuidar da filha, o juiz atribuiu a guarda de Inês ao pai – ainda mais por vontade da própria. Leonel dividiu o apartamento como planeado, vendeu a sua parte e mudaram-se para uma nova casa. À mãe era permitido ver a filha ao fim-de-semana, mas a menina vivia agora com o pai. Leonel reorganizou totalmente a vida para estar sempre presente. Não havia mais viagens longas. E Inês começou a sorrir muito mais, algo muito mais precioso que qualquer fortuna… Escrevam nos comentários o que pensam sobre isto! Deixem o vosso gosto.