Como é que está fraco? Em que estado está? exclama a sogra. Está a dormir. Não há nada de grave, a temperatura está baixa, tudo bem, o inverno acabou de chegar.
Não é só inverno! És tu que trazes do trabalho todas essas coisas para casa! Quantas vezes te digo muda de emprego!
Maristela dorme quando, de repente, ouve um barulho forte alguém abre a porta da entrada. Ela esfrega os olhos e olha para o relógio: são oito da manhã.
Manuel, querido, és tu? pergunta surpresa, escutando os ruídos no apartamento.
Não há resposta. Ela ouve apenas a porta do quarto abrir e o som fechar
Maristela agarra o roupão de casa e corre descalça para o banheiro.
Abre a porta e fica pasmada ao ver quem está lá.
O marido, Manuel, está junto ao espelho, esticando a língua e sorrindo.
Maristela, é verdade que quando a pessoa está fraca a língua fica branca? ele pergunta.
E tu estás fraco? responde ela, meio sonolenta.
Parece que sim, diz Manuel, tocando a testa preocupado. Preciso de um termómetro. Onde está? Deixa-me deitar. Até o trabalho me dispensaram. Acho que precisamos chamar o médico.
Maristela procura o termómetro. Marca 37,2°C. O inverno já chegou, Manuel deita-se. A médica vem dentro de uma hora e entrega baixa doença.
Maristela liga para a mãe:
Mãe, podias levar o Sérgio ao jardimdeinfância? Não pode ficar em casa o Manuel está fraco.
A mãe aceita com prazer; adora o neto, vive sozinha e o Sérgio é a sua alegria.
E o Manuel? Algo sério?
Não, nada de especial. A médica chegou, deu baixa, prescreveu procedimentos. Vamos descansar.
Como estás? preocupase a mãe.
Tudo bem! Tenho que trabalhar no turno da tarde, vou pedir à sogra para passar à noite e ver o Manuel. É só mais uma semana de turno da tarde. Obrigada, mãe, combinamos.
O que fazer? Preciso de uma sopa leve de caldo de galinha, então tenho que ir ao supermercado, além da farmácia. Vou tirar as coxas de galinha do congelador, comprar cenoura e batata.
Na farmácia, pega tudo o que precisa. Ao almoço desperta o marido.
Manuel, levanta, come a sopa sacode Maristela o ombro dele.
Manuel, ainda pálido, senta na cama.
Ah, sinto náuseas! Posso comer a sopa na cama? Não consigo chegar à cozinha.
Está tão mal? Tudo bem, trago. Depois volta a medir a temperatura
Come a sopa, mede novamente 37,2°C. Maristela dá-lhe comprimidos. Manuel vira o rosto para a parede e dorme outra vez. Graças a Deus. Se ele ficar fraco, a empresa paga a baixa inteira; Eu, por outro lado, não consigo cobrir as despesas da loja. Na família temos créditos, não posso ficar doente.
Liga para a sogra:
Inês Serafina, o Manuel está fraco. Se precisar, vigiao à noite. À noite costumamos ter muitos clientes, não consigo falar com ele.
Como assim fraco? Em que estado está? exclama a sogra.
A dormir. Não é nada, a temperatura está baixa, tudo bem, o inverno acabou.
Não é só inverno! É trabalho assim, trazes das tuas caixas tudo para casa! Quantas vezes te digo muda de trabalho!
Inês Serafina, eu não sou fraca! Você mesmo dizia que o Manuel, quando pequeno, adormecia num instante. O frio chegou, então não tenho nada a ver
Maristela corta a conversa rapidamente. Inês Serafina gosta de exagerar; dentro de uma hora já estará aqui. Tudo bem, deixa que dê uma olhada, já é hora de eu ir ao trabalho.
A sogra chega carregada de caixas de ervas para o filho, dizendo que não fará mal. Ela mexe a roupa do filho, trocando a camisola molhada por outra seca, gritando:
Olha como ele fica deitado de molho, vai piorar. Como não viste isso?
Inês Serafina, ele já estava a dormir, que mais eu podia fazer?
Maristela vai trabalhar. Algumas horas depois sente fraqueza. Também estou fraca! Mas não posso demonstrar, tenho de cobrir o turno. À noite mede a temperatura está mais alta que a do marido. Queria queixarse ao Manuel, mas ele está ocupado consigo mesmo.
Sinto arrepios e calafrios. A mãe deume chá de zimbro com mel, pareceu melhorar, mas à noite volta a sentirse mal. O que devo tomar?
Sabes, eu também não me sinto bem
Então toma alguma coisa diz Manuel, olhando novamente a língua no espelho. Ainda está branca.
Ela não pode ficar fraca! E queixarse a ninguém, porque se disser à mãe, ela liga a cada cinco minutos com conselhos; à sogra, vai criticar; o marido continua no seu ritmo.
Decidem não queixarse, tomar os comprimidos em silêncio e ir ao trabalho. Os créditos não desaparecem
Durante a semana, Manuel se queixa da própria fraqueza, parecendo a pessoa mais infeliz do mundo mesmo que o termómetro marque exatamente 37°C, ele insiste que está muito mal.
A sogra aparece frequentemente com os seus chás e infusões. Maristela menos quer encontrála em casa; o aspeto dela não agrada.
O marido nada percebe dorme à frente da televisão ou no telemóvel. Quando chega a casa, Maristela mede a temperatura; só no quarto dia tudo volta ao normal.
A fraqueza ainda existe, mas conseguimos lidar. Manuel ficou deitado muito tempo, exigindo sopa na cama, medição de temperatura, levarlhe água.
A sogra comenta que ele era fraco quando criança, mas agora, após cinco anos de casamento, está resfriado pela primeira vez, o que ela acha insuportável!
Ele supera a leve fraqueza, reclamando constantemente do malestar.
Na semana seguinte dão alta ao Manuel. O Sérgio volta para casa. Amanhã Manuel volta ao trabalho.
Sentado na cozinha, à hora do chá da noite, ele conta:
Quando eu era pequeno tudo passava fácil, agora não aguento! Nem imaginas!
E o que há de especial? Por que não aguentaste?
Ah, se estivesses no meu lugar! É fácil falar quando se está saudável.
Eu também já passei por isso! Também se sentia assim, mas tu nem viste.
Manuel olha desconfiado para a esposa, depois sorri astuto, como se a tivesse apanhado:
Brincas, não? Então vamos para a cama!
Maristela suspira, triste ele realmente nada percebe
E tudo bem
Como naquela piada: a mulher que deu à luz só pode imaginar o que o marido sente com 37°C de febre.







