Sofia sabeSofia sabe que o fado não é apenas música, mas a voz dos antigos pescadores que ainda sussurram nas ondas da costa de Lisboa.

Querido diário,

Marizete! Onde estás?! Apareça logo! Não precisas voltar para casa! Ouviste-me? Não te deixarei fugir!
A pequena menina de cinco anos, encolhida entre os bordos de cardos junto à cerca da casa de campo da avó, sentavase no solo aquecido pelo sol, tapando os ouvidos com as mãos e murmurando algo baixinho para si.

Chamamme!
Ninguém me escuta!

Queria fechar os olhos e não ver a mulher alta e bela que se postava no alpendre da casa da avó. Mas não posso! Se o fizer, ela achará Marizete. Já aconteceu. Quando a tia Natália apareceu, eu escondime atrás da casinha do cão Bolinha e fiquei tão quieta que até adormeci. Acordei só quando recebi um forte tapas e, depois, puxaramme pela orelha; fiquei com medo de sequer tocar naquele homem. Que dor!

A mulher bonita não é a minha mãe. É a tia Natália, irmã da mãe. Ela não me quer porque sou sem pai. Ainda não sei bem o que isso significa, mas tenho as minhas suspeitas. Perguntei ao Tiago, o vizinho, que já tem onze anos e sabe muito mais que eu. Ele disse que significa que não sou desejada por ninguém: não tenho pai, nem mãe, só a tia e a avó. Quando a avó partir, a tia levarmeá, mas ela não quer. Tem os filhos dela para cuidar.

Por que me castigas assim?! Mãe! Por que te calas? És tu que a mim mimaste! A Natália trouxenos o filho que nunca trouxe pão, e agora? A nossa casa não é um carrinho de brinquedo! Estamos apertados como sardinhas em lata! Eu, o marido, dois filhos e a sogra, tudo num apartamento de duas divisões! Onde cabe? E porquê?

Não podes fazer isso, Natália! Ela é tua família!

Ela não é nada para mim! Não pedi que nascesse! E a Natália dizia que nada daria certo com o amado dela! Eu tive direitos? Claro! A Natália já não está, e aquele sumiu como sombra ao amanhecer!

Que culpa tem a criança?

Nenhuma! É só um peso Estou sem forças, mãe, percebes? Não consigo. Os que sobram Não dá para lidar com eles! Luto, luto, tentando ganhar um centavo a mais, mas é tudo em vão! Quebroume um vidro na escola, outra irmã quer calças novas Onde é que vou arrancar o dinheiro? Encontraram a milionária! O pai nem sopra! Recebe salário e anda por aí a fazer charlatanismo! Eu, toda a família, até ao último cêntimo! E o que ele tem? Uma miserável moeda que nem se vê e nada lhe importa! Trabalho em dois lugares, ele só num, já está cansado! E o trabalho não é brincar! Sentamse a brincar e a cuspir contra o teto até o patrão dar um puxão de orelha! Depois vêm, cutucam um pouco e ficam satisfeitos! Como viver, mãe?!

Desculpa, filha, não posso ajudar Só entregarte a um orfanato, mesmo entre parentes vivos, seria pecado!

Esse pecado não é meu, mãe!

Quem discorda?

Não consigo amarte, percebes ou não?

Ah, deixa! O importante é que continues a viver na casa! Que vergonha Ah, Natália Não disseste que seria mais fácil viver se fosses amada? Ela também precisa ser amada Alma viva

Alma Não alimentas a alma com fábulas de amor se está viva! Ela ainda vai pedir. De onde tiras? Não sabes? Também não fales demasiado de amor! O tempo em que eu precisava de ti já passou! Basta! A menina cresceu Tornouse esperta

O que ouvi da conversa, escondida debaixo da cama da avó, não compreendi nem metade, mas gravei quase tudo. Na creche os professores sempre me elogiavam. Diziam que a memória era boa. Por isso, esforçome a ouvir atentamente e depois a repetir tudohoje, palavra por palavra!

Marizete! Até quando vais demorar a aparecer?! Se não apareceres agora, vais dormir faminta! a tia Natália voltou ao alpendre, mas só por um instante.

A avó já se sentia mal de novo e os seus gemidos chegaram até mim, mesmo escondida atrás da cerca e dos cardos, longe da casa.

Deixame ficar faminta, mas não espancada! Eu sei por que a tia me quer. Logo de manhã ordenoume lavar a metade da varanda e os degraus do alpendre. Eu esquecime. Brinquei. O Tiago deume o seu carrinho velho, vermelho e com uma roda faltando. Ainda assim, fiquei feliz! Tenho poucos brinquedos: a boneca velha da Maria, a qual a avó costurou um vestidinho com o lenço de nariz, ainda não chorava; um coelhinho cinzento com um olho só. Amoo mais que tudo. E ainda as miçangas da mãe. Azuis, lindas! O pai da mãe deuas, dizia a avó. Também dizia que valiam quase nada no mercado. Mas a mim importa pouco o preço. Dispunho as miçangas nos degraus como se fosse mar, montanhas e dragões, como no livro que não devo tocar na prateleira. A avó proíbe! Dizia que eu poderia rasgálo.

Era doloroso! Eu nunca rasgava livros! Gosto deles, mesmo sem ilustrações. Ainda não sei todas as letras, mas já aprendi três. Quando as vejo nas linhas dos livros, fico radiante. Se reconheço essas, aprendo as demais. Só preciso de um pouquinho de esforço.

A noite cobre o quintal com um manto quente de escuridão. Mosquitos zunem ao redor da orelha e eu suspiro. Está na hora de ir. Talvez não me deem de comer, mas a tia Natália já correu de um lado para o outro da casa a cuidar das coisas, então está cansada. Não lhe restará força para mim. Um pequeno grito e acabou.

Saio do meu esconderijo e caminho até ao alpendre. Lá, já estava a tia Natália, sentada nos degraus, carrancuda.

Apareceste? Que tristeza Onde estavas? Toda suja Vai para dentro!

Eu respiro fundo. Não a irei mais repreender hoje. Até os adultos cansam de gritar. Posso ir à avó, encostar a minha bochecha na mão quente e seca dela e esperar um pouco. A dor diminuirá, a avó se compadecerá e tudo ficará melhor. Um toque suave, um sussurro, palavras

Amote, minha pequena! Amote

Nunca antes alguém me dissera isso. A mãe não chegou, e a tia Natália parece que nunca soube dizer. Ouvia censurar a avó por falar pouco com a filha de verdade. Não acredito nela. Os adultos são estranhos. Guardam o ruim, esquecem o bom. Perguntei à tia Natália por que fazia isso. É como arrancar a crosta de uma ferida. Se arrancas outra vez, dói outra vez. E assim, até cicatrizar Mas se continua a puxar, fica a cicatriz. Por que? Porque as mãos coçam! A avó dizia quando me repreendia. Perguntome: quando não se ama, o que dói? A alma? A avó afirmava ser isso. Por que então o coração coça e os adultos se machucam de novo? É estranho

Se me perguntassem, diria aos adultos o que fazer para que todos se sintam bem. Dizer à avó: Amote, tia Natália!, e ter pena dela, pois a avó também sente pena de mim à noite. É tão simples! Só precisar de amar. E à tia Natália Deixar a avó fazer isso Tia Natália é forte! E muito esperta! Ainda assim, sinto pena dela Porque, ao que parece, ninguém a ama. Nunca a amaram. Claro que não é verdade absoluta, mas ela não chora nas almofadas se a amarem! Eu sei, porque eu mesma choro Sei que, quando a avó partir, também ninguém me amará

A avó acariciame a cabeça, repete as palavras e libertame.

Vai, menina! Já é hora de dormir!

Acostumome a obedecera. Virome e saio, sem notar que a avó me faz o sinal da cruz nas costas, sussurrando algo.

Sinto uma sede enorme e deslizo até à cozinha, procurando se a tia Natália está por ali. Ela está

O que fazes?

Água

Muito água para ti resmungou a tia, servindome um copo de leite e colocando à minha frente um prato de batatas e um grande pedaço de pão. Come! Aquecei a água. Irei lavar a mãe e depois a ti, suja como uma bruxinha!

Ao passar ao lado de mim, a tia Natália esfregame a cabeça inconscientemente e, de repente, faço o que sempre desejei: deslizo da cadeira e abraço os seus tornozelos, incapaz de alcançar mais alto.

O que fazes? exclamou a tia, surpresa, afastandome.

Vou amarte. Se ninguém quiser Posso?

A pergunta ficou sem resposta. A tia Natália, sem saber por que, chorou e saiu da sala, empurrandome para trás. Eu sabia que não era nada Não seria perigoso Agora podia comer e beber o meu leite tranquilamente. Ela choraria e acalmarseia, mas a dor não desapareceria totalmente. Eu também sentia isso. Mas se ao menos aliviasse um pouquinho, já seria bom! Basta aquele minuto ao lado da avó à noite para pensar no que é bom, não no mau. Talvez a tia Natália também consiga. Quem pensa no bem sentese melhor, mesmo que alguém nos faça mal.

A tia Natália voltou à cozinha, encheu um balde com água morna e lavoume. Silenciosa, esfregavame com a esponja de modo estranho, leve, diferente do habitual.

Vai! Deitate. Já é hora!

Uma ordem curta, e eu suspiro aliviada. Posso ir ao pequeno quarto, onde está a minha cama, deitarme debaixo do lençol leve, cobrirme a cabeça e conversar baixinho com a mãe. Cada noite falo com ela, aos pouquinhos, sobre tudo. A avó dizia que era bom. E a mãe me ouve. Hoje, por exemplo, contarei à mãe sobre a tia Natália. E também que amanhã cedo levantarei mais cedo para lavar os degraus, como a tia pediu. Gosto de pôr ordem, embora às vezes esqueça.

Mas pela manhã nada consigo fazer, porque a tia Natália despertame cedo, dáme um beijo estranho e expulsame da casa, onde já me espera a vizinha da avó.

Deixaa aqui por enquanto. Não há lugar para ela

Posso despedirme?

Por que não? Ainda não a conheceu, mas a lembrará viva. Ainda é pequenininha

É verdade. Tudo bem. Vou darlhe de comer e depois ajudarei.

Obrigada

Alguns dias depois, fui de autocarro com a tia Natália para a cidade. Não voltarei mais à casa da avó; venderãoa dentro de um ano, e a tia dirá que agora sou sua filha, oficialmente. A palavra ainda me parece estranha, mas gosto do som.

Gostame também que a tia Natália me deixou levar o coelhinho velho que a avó me dera há muito tempo. Não me lembro de têlo, mas parece sempre ter sido daquele olho único, esfarrapado e com a orelha partida. Na verdade, a orelha já foi costurada. A tia tentou pôr o outro olho, mas não achou o botão certo. Prometeu fazer mais tarde. Não tenho pressa.

O essencial não é isso. O essencial é que todas as noites agora vou à tia Natália, que repete o que a avó fazia: acariciame a bochecha e dizme palavras que quero ouvir o dia inteiro.

Amote

Quando a tia Natália disseme isso pela primeira vez, no dia seguinte ao falecimento da avó, eu não acreditei. Demorei a acreditar, mas sempre respondi:

Eu também te amo!

Agora acredito.

Ela repete essas palavras não só a mim, mas aos filhos e ao marido. Ele, embora não a diga todos os dias, também as ouve. No começo ele não acreditava, como eu. Agora acredita e responde, mas não em palavras, sim em gestos. Achou outro trabalho, não me expulsou e disse que onde há dois, há três, então deixaramme ficar. Por isso também me diz essas frases às vezes.

Claro que o irmão e a irmã às vezes me irritam, mas isso não assusta. O que dói é estar sozinho. Não sei bem o que é, mas intuo. Já aprendi a ler, e nos livros descubro muitas coisas. Neles confio. Não perco tempo em bobagens.

Às vezes lembro da casa da avó, dos cardos junto à cerca, tão altos como verdadeiros guardasoles. Sob eles havia calor, verde e conforto Agora não posso voltar lá Nem preciso! A avó já não está E a vida com a tia Natália não é tão ruim.

Só não entendo por que a tia Natália mentiu dizendo que não precisava que a amassem. Todos precisam de amor! Eu sei disso.

Até amanhã, querido diário.

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Sofia sabeSofia sabe que o fado não é apenas música, mas a voz dos antigos pescadores que ainda sussurram nas ondas da costa de Lisboa.
С тебе редом ме е срам да застана – Мамо, ужасно е! – изстреля дъщеря ѝ, дори без поздрав. – Лаптопът ми се скапа напълно! Точно на средата на проекта. Направо полудях! Ирина притисна телефона с рамо до ухото си. – Напълно ли? – Напълно-пълно. Майсторът каза, че по-евтино ще излезе нов да си купя. А до три дни трябва да предам отчета, разбираш ли? Без техника – не става. Намерих един хубав модел, седемдесет хиляди лева струва. Седемдесет хиляди. Ирина пресметна набързо в ума си какво има по картата – имаше малко над сто хиляди. – Ще ти преведа веднага, – каза тя спокойно. – Мамо, ти си най-добрата! Целувки! Сигнал за край на разговора. Ирина държа още миг телефона до ухото, после отвори банковото приложение. Пръстите автоматично въведоха познатия IBAN на дъщеря ѝ. Седемдесет хиляди. Изпрати. Екранът примигна за потвърждение, а Ирина се отпусна на табуретката до кухненската маса. Отвън залезът се стичаше в оранжеви ивици върху старата мушама на цветя… Точно тридесет години по-рано същият такъв залез влизаше през същия прозорец, когато Иван ѝ каза, че ще слезе до магазина. Катя тъкмо беше навършила една година. Пухкави бузки, два смешни предни зъба, онази нейна навик да дърпа всички за носа. Иван така и не се върна. Нито тогава, нито после. Без издръжка, без поздрав за рожден ден, без картичка за Коледа. Просто изчезна, сякаш го е нямало… Ирина се справи. Къде да отиде? Сутринта във фабриката, вечерта – чистене в офис-сграда. Катя оставаше при съседката, леля Донка, бог да я прости. Понякога Ирина се прибираше по тъмно, падаше до леглото на дъщеря си, без сили да стигне до дивана. Ставаше в пет и пак започваше. С години наред. За себе си никога не оставаха пари. Ново палто? Ще почака – старото може да се закърпи. Море? Какво море, когато Катя има нужда от уроци, после частни учители, а после добър университет. Ирина пестеше от всичко – купуваше намалени храни, кърпеше чорапи, боядисваше си косата с най-евтината боя от пазара. Но купи апартамент на Катя. Едностаен, но неин си. Катя се нанесе веднага след университета, а Ирина плака от щастие, докато подписваше нотариалния акт. Всичко за нея. Винаги за дъщеря си. Катя стана красива жена, завърши икономика, започна работа в голяма фирма. Ирина се гордееше толкова, че ѝ се свиваше сърцето. Нейното момиче – в делови костюм, с маникюр, говори умни думи за финансови отчети. Ала тази стабилност не пречеше на Катя редовно да звъни за пари. „Мамо, за курс по английски ми трябват, без него няма да ме повишат.“ „Мамо, всички отиват на фирмен бал, а ми е неудобно с миналогодишната рокля.“ „Мамо, попаднах на гореща оферта за почивка, такива цени – веднъж в годината.“ Ирина превеждаше. Винаги. Понякога заемаше от колежката Мария като обещаваше да върне с аванса, понякога поемаше допълнителна смяна. Считаше го за майчин дълг. Нали децата не престават да са дечица, когато пораснат? Катя никога не питаше откъде са парите. Ирина никога не обясняваше. И така животът си вървеше. След превода за злополучния лаптоп Ирина дълго седя на кухнята, въртейки празна чаша. Нов, странен товар я натежа вътрешно – не обида, а умора. Глуха, дълбока, вградена в костите. „Стига, – скастри се тя. – Това е Катя. Собствена кръв. За кого друг да живея, ако не за нея?“ Тежестта не си отиде, но Ирина я изблъска надалеч… Месец по-късно телефонът пак звънна. Гласът на дъщеря ѝ този път беше съвсем друг – въодушевен, щастлив до забрава. – Мамо! Той ми предложи! Представяш ли си? На покрива на ресторанта, с музика на живо! – Катя… – Ирина седна, притискайки гърди. – Кой ти предложи? – Максим! Разказвала съм ти – виждаме се от половин година! Почти не помнеше – някакъв Максим от добро семейство, но подробности никога. – След два месеца ще е сватбата! Неговите родители вече са намерили ресторант! – Катя, толкова се радвам за теб, – усмихна се Ирина, а сълзите капеха сами. – Как да помогна? Каквото кажеш! – Ох, има толкова неща… Рокля, банкет, украшения… Майката на Максим каза, че те ще си платят за „тяхната част“ от гостите, а нашата половина – нали знаеш… Ирина знаеше… Прекара две седмици в банката, за да вземе кредит за сватбата. Сумата беше страшна – не искаше да мисли колко години ще плаща. Важното бе сватбата да е идеална. Роклята избираха по видео връзка. Катя се въртеше пред огледалото, Ирина гледаше и се разплакваше от умиление. Спряха се на дантелена за сто и двадесет хиляди. „Мамо, в нея се чувствам като принцеса!“ – каза Катя. Ирина щеше да даде и двойно, само дъщеря ѝ да е усмихната. Банкет. Ресторант. Цветя. Фотограф. Видео. Кортеж. Списъкът растеше, но Ирина все не можеше да се срещне с младоженеца. – Катя, кога ще видя Максим? И родителите му? Сватбата чука на вратата… – Мамо, после, те са толкова заети! Баща му има свой бизнес, майка му все по събития… – Поне по видео? Все пак не знам на кого дъщеря ми се омъжва. – Ще се чуем, обещавам! Следващата седмица! Следващата седмица мина. После още една. Запознанството все се отлагаше. Две седмици преди сватбата Ирина звънна сутринта. – Катя, каненето ми да не се е изгубило? На съседката искам да го покажа… От другия край – пауза. Дълга, лепкава, тягостна. – Катя? – Мамо… Знаеш ли… Има едно нещо… Нещо студено се сви в гърдите ѝ. Стисна телефона по-силно. – Какво има? – Ами… Родителите на Максим са… богати. Имат си техните си стандарти. – И? Катя издиша – бързо, рязко, сякаш ще скочи в ледена вода. – Няма да бъдеш поканена. На сватбата. Мамо, не се сърди, разбери ме… Ирина замръзна. Думите идваха някак отдалеч – все едно отдолу под вода. – Не съм поканена? – Ами да. Там всички ще са… Ти би се притеснила… Мамо, ще ти обясня по-късно, добре? – Катя, – с усилие продума тя. – Аз платих тази сватба. Целия си живот дадох за теб. Защо? Мълчание, после същия трескав, почти писклив глас: – Защото с тебе е срам да застана, мамо! Гледала ли си се в огледалото? Господи, не мога да продължа този разговор! Чао! Къси сигнали за край. Ирина остана седнала с телефона в ръка. Минута. Две. Пет. Времето спря или препускаше – не знаеше. Краката сами я отведоха в банята, към огледалото над мивката. От замъгленото стъкло я гледаше непозната жена. Бели коси, вързани на малък хвост. Лице, набраздено от бръчки – около очите, устните, по челото. Износената жилетка – отпреди десет години от разпродажба. Тридесет години живот до изнемога. За Катя. За бъдещето ѝ. Ето го бъдещето… Приключихме… …Две седмици Ирина прекара като насън. Ходеше на работа, готвеше без апетит, лежеше и гледаше в тавана до разсъмване. Вътре – празнота. На деня на сватбата все пак отвори социалните мрежи. Не знаеше защо. Снимките се изсипаха една след друга. Катя в дантелената рокля – сияеща, щастлива. До нея висок момък – сигурно Максим. Елегантни гости с чаши. Лукс зала, бели рози, кристал. Ирина превърташе снимките, не можеше да спре. Ето Катя с някаква дама – сигурно свекърва. Ето младоженеца с едър мъж – бащата. Ето шаферките, една от друга по-хубави. А Ирина ― недостойна за празника. Плака до зори. Не от обида, а от някаква страшна, окончателна яснота. Тридесет години не са значели нищо. Била е просто портфейл. Прислужница. Неподходящ роднина за “доброто общество”… Три дни по-късно телефонът пак оживя… – Мамо, да поговорим, – Катиният глас беше виновен, но повърхностен, без истинска вина. – Може би прекалих преди… – Катерина, – учуди се сама колко спокойно прозвуча Ирина. – Ти вече си омъжена жена. Имаш мъж и богато семейство. За пари повече няма да ме молиш. – Мамо, моля те? Само исках да се извиня! – Аз останах сама с малко дете, без мъж, без пари, без помощ. И те отгледах. Ти ще се справиш – имаш много повече, отколкото имах тогава аз. – Мамо, не се сърдиш, нали? Ирина замълча. Оттатък телефонът шумеше неспокойно. – Не се сърдя, Катя. Просто разбрах нещо важно за себе си. Натисна „отказ“, изключи телефона. Залезът отвън пак гореше – гъст, ръждив, като преди тридесет години. Ирина го гледаше и за пръв път отдавна не мислеше за дъщеря си. Мислеше за нови зимни ботуши, които вече наистина трябва да си купи. И дали вече не е време да отиде най-после на фризьор. Да живее не за друг. А само за себе си…