Oi, amiga, deixa eu te contar a minha saga de nora simples, trabalhadora, sem coroa na cabeça. Eu e o Tiago moramos num apartamento nosso aqui em Lisboa, e a gente ainda paga a prestação do crédito, as contas de luz e água, e ainda trabalhamos do amanhecer ao anoitecer.
A mãe do Tiago a Dona Ana vive numa aldeia do interior, lá perto da casa da sogra, que também é a casa da vizinha da família. Tudo seria tranquilo se eles não tivessem decidido que o nosso cantinho era o resort de fim de semana. No começo até parecia fofinho:
Vamos dar um pulo aí no sábado.
Só por um tempinho.
Somos família, afinal.
Ah, por um tempinho pra eles significa pernoitar; dar um pulo vem com sacolas, panelas vazias e olhares que esperam um banquete.
Todo fim de semana é a mesma história: eu chego do trabalho, corro ao supermercado, cozinho, lavo, ponho a mesa, sorrio, e ainda fico até de madrugada lavando a loiça e arrumando tudo. A Dona Ana senta e comenta:
Por que a salada está sem milho?
Eu prefiro o caldo do cozido mais encorpado.
Na nossa aldeia não se faz assim.
E a vizinha completa:
Ai, eu estou tão cansada da viagem.
E a sobremesa, cadê?
Nunca, nunca, ouve um obrigada, nem um precisa de ajuda?.
Um dia eu já não aguentei e falei pro Tiago:
Eu não sou empregada doméstica e não quero passar todos os fins de semana servindo a tua família.
Então, talvez devêssemos fazer alguma coisa a respeito.
Foi aí que me surgiu uma ideia.
Na semana seguinte a Dona Ana liga:
Vamos aí no sábado.
Ah, já temos planos para o fim de semana respondo, bem tranquila.
Que planos?
Só os nossos.
E adivinha? Nós realmente fomos, mas não para os planos, e sim até a casa da Dona Ana. No sábado de manhã, eu e o Tiago estávamos na porta dela. Ela abre a porta e fica boquiaberta.
Mas o que é isso?!
Ah, viemos só dar um pulo. Por pouco tempo.
Você tem que avisar! Eu não preparei nada! Sabe quanto custa receber visitas?!
Eu olho pra ela e digo, bem calma:
Vê só, eu já vivo assim todo fim de semana.
Então decidiu me dar uma lição? Que ousadia!
O grito foi tão alto que todo o bairro ouviu, e a gente acabou voltando correndo pra casa.
E sabe o melhor de tudo? Desde então não recebemos mais visitas sem convite. Nada de vamos dar um pulo e fins de semana presos à cozinha. Às vezes, pra ser ouvida, basta mostrar às pessoas como é estar no teu lugar.
O que acha, fiz a coisa certa? O que tu faria se estivesse nessa situação?
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