– Então, a sua Nastácia virou uma esnobe! Dizem que é verdade, o dinheiro corrompe as pessoas! – Eu não entendia do que se tratava nem como ofendi a todosEntão, ao perceber o vazio que o luxo deixara em seu coração, decidi devolver tudo o que havia ganho e buscar a humildade perdida.

Tenho um casamento feliz, marido e dois filhos. Mas, num instante, tudo desaba. O meu querido sai do trabalho e se envolve num acidente. Penso que não vou superar a dor, mas a minha mãe insiste que devo segurar as pontas pelos meus filhos. Então agarro-me à vida, ponhome a trabalhar muito e, quando as crianças crescem, parto para o estrangeiro à procura de um sustento. Preciso de os pôr de pé, pois não tenho nenhum apoio.

Assim, primeiro chego à Polónia e depois à Inglaterra. Troco de emprego inúmeras vezes até começar a ganhar o suficiente. Envio dinheiro aos filhos todos os meses; mais tarde comprolhes um apartamento e faço uma boa renovação na minha casa. Sintome orgulhosa. Pensava já regredir a Portugal para ficar para sempre, mas, há um ano, a minha vida muda de novo: conheço um homem. Ele é português, mas há vinte anos vive na Inglaterra. Começamos a conversar e sinto que pode haver algo entre nós.

No entanto, as dúvidas não me deixam em paz. O Artur não consegue regressar a Portugal, e eu quero voltar ao país. Nos últimos dias, chego a Lisboa. Primeiro encontrome com os filhos, depois com os pais. Só não consigo visitar os sogros; faltame tempo, as tarefas acumularamse. Então a minha amiga Cláudia, que trabalha como vendedora, aparece à minha porta e diz:

A tua sogra está zangada contigo!

De onde tiraste isso? pergunto.

Ouvite a falar com outra amiga. Ela dizia que és esnobe e que o dinheiro te corrompeu. Também afirmava que nunca lhes ajudaste financeiramente.

Fiquei chocada. Eu mesmo criei dois filhos e faço tudo por eles. Ainda não podia enviar dinheiro aos sogros; precisava de guardar alguma coisa para mim, percebem?

Depois dessa conversa, já não queria mais ir à casa dos sogros. Mas reuni coragem, comprei mantimentos e fui. No início tudo corre bem, mas a lembrança da conversa não me sai da cabeça. No fim, disse:

Percebemos que não tem sido fácil para mim todos estes anos. Fiz tudo pelos meus filhos, porque não tinha de onde pedir ajuda.

Também ficámos sem apoio. Todos têm filhos que ajudam, mas nós ficamos a ver navios. Também somos órfãos! Deverias regressar e ajudarnos.

A sogra pareceume envergonhada. Nem tive coragem de lhe dizer que tenho um marido na Inglaterra. Saí dali magoada. Agora não sei o que fazer. Será que realmente devo ajudar os pais do marido falecido? Já não aguento!

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– Então, a sua Nastácia virou uma esnobe! Dizem que é verdade, o dinheiro corrompe as pessoas! – Eu não entendia do que se tratava nem como ofendi a todosEntão, ao perceber o vazio que o luxo deixara em seu coração, decidi devolver tudo o que havia ganho e buscar a humildade perdida.
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