Um ano inteiro a sustentar o filho para pagar o empréstimo da casa! Não darei mais nem um cêntimo extra!

Um ano inteiro a dar dinheiro aos filhos para pagarem um empréstimo! Não dou mais nem um cêntimo!

Eu e o meu marido temos apenas um filho, já crescido e casado. Já somos até avós, imagine-se!

Cresci nos tempos do Salazar, quando casar tarde era quase uma heresia. Dei o nó aos 30 anos, o que, na minha aldeia, já me deixava com fama de ficada para tia. Nessa altura, quem não tivesse filhos logo era olhado de lado, como se tivesse alguma maleita contagiosa.

Pois lá decidimos que bastava um filho. Já tínhamos estudado bem a vida: ter um filho sai caro, caramba! E, quanto mais filhos, mais tostões a sair do bolso. Fomos sempre muito sensatos poupámos, investimos, demos boa educação ao nosso João, e ainda conseguimos ajeitar a nossa própria vida, com umas férias ao Algarve de vez em quando, porque também merecemos.

Mas o João, qual espírito rebelde, decidiu fazer diferente. Casou-se cedo, e, mal pisca o olho, a nora já vinha com um neto a caminho. O problema e aqui é que o caldo entornou é que os pombinhos não tinham onde cair mortos, vá, a exagerar um bocadinho. Foram fazer um empréstimo para um apartamento e lá íamos nós a ajudar todos os meses. Depois, mais uma noticinha: a nora está grávida outra vez! Fiquei logo de sobrolho levantado e perguntei como é que iam dar de comer a dois miúdos e ainda pagar o raio da casa.

Ficaram ofendidos, disseram que se iam safar, e eu achei ótimo se conseguem, perfeito.

Durante uns tempos lá se foram desenrascando. Mas depois a nora deixou de trabalhar e o João foi despedido. É preciso ter azar! Então lembraram-se de vir morar no nosso apartamento em Lisboa, que costumávamos alugar para ganhar uns trocos. O meu marido, com coração mole, disse logo que devíamos ajudar a pagar-lhes a prestação.

E o que é que aconteceu? Passámos um ano inteiro a salvar-lhes as contas, a pagar a hipoteca deles, todos os santos meses. Achávamos que estávamos a fazer um brilharete. E não estávamos!

Descobrimos agora que o empréstimo estava com seis meses de atraso. Mas onde foi parar o dinheiro, perguntam vocês? O meu marido está a ferver, já não tem paciência para isto. Eu ainda nem sei o que sinto nem palavras tenho. Achávamos que estávamos a dar uma mão, mas afinal, foi só para eles se deitarem à sombra da bananeira. E agora, o que se faz?

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