NOIVA DE ALUGUER – O Casamento Está Cancelado! – anunciou Polina surpresa aos pais durante o jantar. A mãe quase se engasgou com a notícia inesperada da filha. — Polinha! Estás louca? O vestido já está comprado, as alianças também, o restaurante está reservado… O teu Dinis está a contar os dias para o casamento, como quem espera por chuva no verão… Diz que é brincadeira, filha — suplicava a mãe, ansiosa. — Não, mamã, não estou a brincar. Eu e o Floyd vamos para Londres em breve. É sério — esclareceu Polina, decidida. — Mas que Londres, filha? Lá tudo é estranho, diferente. Novas pessoas, outro país. Vais perder-te e ninguém te vai ajudar! Não sejas tola! Esse Floyd deve ter-te virado a cabeça! Aposto que já é casado! E filhos? E ele já vai para velho! O Dinis ama-te tanto! Para nós, ele é como da família! Não rejeites o amor. Por tudo se paga na vida… — chorava a mãe, aflita. — Não faz mal, mãe. Pago o que tiver de pagar. Não tenho medo. — Polina manteve-se firme. …Algumas semanas depois, Polina e Floyd mudaram-se para Inglaterra. Desde pequena, Polina sonhava em conhecer o mundo além-fronteiras. Sabia francês, era fluente em inglês e já estudava espanhol… Nunca se sabe o que o destino traz. Depois de se licenciar, começou a trabalhar como tradutora numa agência de viagens. Foi lá que conheceu Floyd, um cliente estrangeiro que logo se apaixonou pela jovem portuguesa. Polina, simpática, sorridente, inteligente e cheia de vida, tinha apenas vinte e três anos, enquanto Floyd já contava quarenta e seis. Ao início, Polina achou a corte do estrangeiro curiosa e até inofensiva. Nem imaginava que, após uma semana de encontros profissionais e casuais, Floyd lhe pediria em casamento. Polina não contou ao novo pretendente que já tinha casamento marcado com Dinis… A dúvida invadiu-a: aceitar ou não o convite para uma nova vida fora de portas? Poucas são as que têm a oportunidade de se casar com um estrangeiro! Pode não haver amor, mas haverá aventura, novidade e gratidão suficiente para compensar… Dinis acabaria por superar. Ainda era jovem — encontraria outro amor. Assim pensava Polina, preparando-se para aquele salto para o desconhecido. Por telefone, avisou o ex-noivo. Dinis, confuso e despedaçado, desejou-lhe felicidades e afogou a mágoa em álcool durante meses. …Em Londres, Floyd levou Polina a uma mansão. Lá vivia ainda toda a família: dois filhos adultos, Henrique e Afonso (com quem, mais tarde, Polina encontraria a verdadeira felicidade), e Lenora, a ex-mulher de Floyd. Lenora não escondeu a indignação: — Perdeste o juízo, Floyd? Quem é esta rapariga? Onde a foste buscar? Achas que vai viver connosco? — gritava. — Sim, vai morar aqui. Quero lembrar-te, Lenora, que esta casa é minha. A Polina vai ser minha esposa. Não a trates mal — pediu Floyd, tentando apaziguar os ânimos. O ambiente era estranho, quase surreal para Polina: uma família divorciada, mas ainda a viver sob o mesmo teto, controlada por Lenora. Aos poucos, foi-se aproximando de Afonso, o filho mais novo de Floyd, bonito e inteligente. Entre eles, nasceu um sentimento avassalador e proibido… O casamento de Polina e Floyd foi adiado sem explicação, e Polina aceitou pacificamente. …Passaram-se três meses. Afonso revelou-lhe então o verdadeiro motivo de Polina ter sido levada para ali: Floyd ainda amava Lenora e quis provocá-la, fingindo que se casaria com outra. Polina fora uma noiva de aluguer, peça de um plano para reacender um velho amor. Riram-se da ironia do destino. Polina, por fim, declarou-se a Afonso e juntos decidiram ficar. Floyd e Lenora reconciliaram-se, e Polina encontrou no coração de Afonso o verdadeiro lar. Logo se casaram. Vieram filhos: um menino e, dois anos depois, uma menina. A família cresceu, feliz, rodeada de amor e compreensão. Até Floyd e Lenora se tornaram avós carinhosos. Um dia, Polina recebeu uma carta aflita da mãe: Dinis tinha morrido num acidente e deixara uma filha órfã, também chamada Polina. A dor tocou-lhe fundo, mas a resposta foi imediata: — Eu e o Afonso vamos adotar a Polininha. É assim que pagamos as dívidas do passado, mãe… E, de coração cheio, Polina voltou a casa. Agora, já grávida novamente, pronta para cuidar de todos os seus, num mundo onde a felicidade estava, afinal, ao alcance de todos.

NOIVA DE ALUGUER

O casamento está cancelado! largou a bomba a Matilde ao jantar, deixando os pais em choque.

A mãe quase engasgou de surpresa com a notícia inesperada da filha.
Matildinha! Estás boa da cabeça? Já comprámos o vestido de noiva, as alianças, o restaurante está reservado… O teu Tiaguinho espera este casamento como um pão para a boca Matilde, diz-me que estás a brincar… suplicou a mãe, visivelmente aflita.

Não, mãe, não estou a brincar. Eu e o Gerard vamos para Londres daqui a uns dias. É muito sério, Matilde não cedeu um milímetro.

Como assim, Londres!? Aquilo é tudo estranho, tudo diferente. Gente que nem conheces, outro país, vais acabar perdida e sem um tostão! Anda com juízo, filha! Esse Gerard deve ter-te dado a volta à cabeça, pá! Aposto que é casado, só pode! E deve ter filhos atrás de filhos! Ele é quase um cota! O teu Tiaguinho adora-te! Para nós, ele é quase da família, nem penses em magoar esse amor! Mais tarde ou mais cedo, tudo se paga, a mãe tentava convencer a filha, quase a implorar.

Vai correr tudo bem, mãe. Não tenhas medo, eu desenrasco-me, respondeu Matilde, irredutível.

Passadas umas semanas, Matilde e Gerard deram o salto para Inglaterra.

Desde pequena, Matilde sonhava em ver o mundo, conhecer outras culturas, respirar outros ares. Já sabia francês de trás para a frente, o inglês era canja, e ainda começou a estudar espanhol. Nunca se sabe onde a vida nos vai levar… Depois de acabar o curso, arranjou trabalho numa agência de viagens como tradutora. E foi lá que conheceu o Gerard. Calhou ter de o acompanhar a vários eventos, e ele desde cedo ficou de olho nela.

Matilde era simpática, comunicativa, um sorriso bonito e ainda mais: a juventude que lhe brilhava nos olhos! Ela tinha 23 anos, Gerard quase 46. Ao início, Matilde achava piada às investidas do estrangeiro, mas nem pensou que ele lhe fosse pedir em casamento e logo na primeira semana! Para cúmulo, Matilde nunca disse a Gerard que estava quase, quase a casar-se com o namorado de longa data.

A verdade é que ficou sem saber o que fazer. Quantas raparigas têm a oportunidade de se casar com um estrangeiro? Daquelas oportunidades únicas na vida! Se não havia paixão com Gerard, podia ser outra vida cheia de aventuras, luzes novas, emoções diferentes! Matilde imaginava-se imensamente grata ao marido, e achava que isso já valia por tudo. O Tiago, coitado, ia sofrer… mas o tempo cura tudo. Ele ainda é novo, há-de encontrar outra pessoa.

Assim pensava Matilde, enquanto se preparava para ir para o desconhecido.

Pelo telefone, contou tudo ao Tiago. Atordoado com as mudanças, ele ainda desejou felicidade à antiga noiva, e foi-se afogar em copos, cheio de mágoa.

Chegada a Londres, Matilde sentia-se a levitar. Quase não acreditava estaria mesmo a viver aquele sonho? Só lhe apetecia abraçar o mundo inteiro, guardar aquela felicidade nas mãos.

Gerard levou-a para uma casa enorme, onde conheceria toda a família. Dois filhos já adultos: Rui e Daniel. (Mais tarde, Matilde acabaria casada com o Daniel e nunca foi tão feliz!) Depois, apareceu também a ex-mulher do Gerard, Helena. Uma mulher charmosa, bem cuidada.

Helena ficou furiosa.
Gérard, estás tolo ou quê? Quem é esta miúda, de onde é que a foste buscar? Ela vai viver aqui em casa?! estava mais perto de gritar do que de falar.

Sim, Helena, a Matilde vai viver connosco. Não te esqueças que esta casa ainda é minha. E ela vai ser minha mulher, disse Gerard, mais remediado do que convicto.

Matilde sentiu-se logo desconfortável. Afinal, aquela família, mesmo depois do divórcio, continuava ali no mesmo lar como se nada fosse. E via-se bem que era Helena quem segurava as rédeas da casa toda. Mas no coração da Matilde já tinha nascido, às escondidas… o Daniel. Não era como o Tiago, cheio de desculpas e promessas molhadas por lágrimas. Aquilo era diferente. Era amor grande. Limpo. Sem fim.

O Daniel tinha vinte e quatro anos e era a cara chapada da mãe. Um belo rapaz. E assim que viu Matilde, ficou também com ela debaixo de olho. Havia entre os dois uma ligação invisível e inquietante. Sentiam-se completamente atraídos, como se o destino os empurrasse um para o outro.

Gerard veio então dizer a Matilde que iam ter de adiar o casamento, sem explicar porquê.

Ela aceitou sem protestar. Nem pensar em voltar para Portugal.

Ficou num quarto acolhedor (o espaço não faltava naquela mansão). Matilde e Gerard mantinham uma relação cordial e afável, sem grandes intimidades. Helena ignorava completamente Matilde fazia de conta que ela nem estava ali.

Três meses passaram num instante. E nesse tempo, Matilde ficou muito próxima do Daniel ele foi quem lhe abriu os olhos para a verdadeira razão da presença dela ali.

Afinal, Gerard ainda amava a ex-mulher Helena, e o sentimento era recíproco. Mais cedo, uma grande discussão deitou o casamento por terra. Os anos iam passando, mas ninguém cedia. Um dia, Gerard resolve provocá-la fazer ciúmes, para ver se Helena cedia. Por isso, arranjou a Matilde, para fingir um noivado. Se tudo corresse bem, quando Helena e Gerard fizessem as pazes, Matilde seria gentilmente despachada de volta a Portugal, com uma mala cheia de lembranças.

Ao ouvir aquilo da boca do Daniel, Matilde desatou a rir, entre o desespero e o humor da coisa.
Ora toma! Fui mesmo uma noiva de aluguer! E olha que eu também já fugi de um noivado Daniel, agora o que é que eu faço?

Matilde, eu não vivo sem ti! Daniel foi direto ao assunto.

Eu também não. Já pensava que nunca te ias declarar! disse Matilde, com alívio.

Como é que havia de te dizer alguma coisa, se eras supostamente a noiva do meu pai? Nem sabia das manobras dos meus pais Foi o Rui que me contou tudo. Ficou-me tudo mais claro, e fiquei tão feliz! Porque a rapariga de quem eu gostava afinal estava livre!

E tu, Matilde, terias mesmo casado com o meu pai? quis saber o Daniel.

Oh, Dani, como te comecei a ver, a minha vida mudou toda. Nem pensar em casar com ele! Matilde sorriu, feliz da vida.

Aos poucos, os dois abraçaram-se só como os verdadeiros cúmplices se abraçam.

Matilde perdoou o Gerard e a Helena as suas jogadas… Por amor, faz-se tudo. Às vezes caímos, outras levantamo-nos. E mesmo nas histórias mais embaraçosas, há sempre um lado bom. Matilde tinha encontrado o Daniel! Quem diria, Deus arranjou-lhe uma alma gémea do outro lado do mundo!

O que é nosso acaba sempre por nos encontrar. E Matilde e Daniel não tardaram em casar.

Daniel tinha sempre medo de que ela ainda fugisse de volta para Portugal, por isso não perdeu tempo com a família. Matilde teve um filho, passado dois anos veio a menina.

Daniel sempre dedicado, enchia a Matilde de mimos e cuidado. O lar deles era um verdadeiro ninho de felicidade e amor.

Ah, e o Gerard e a Helena já há muito, com juízo, arranjaram as coisas deles. Afinal, até as mágoas têm prazo de validade. Agora, tratam-se com muito mais respeito e vigilância para não caírem nas mesmas armadilhas. Os avós babavam-se a tomar conta dos netos.

… Um dia, Matilde recebeu uma carta preocupada da mãe. A pedir-lhe que viesse visitá-la. Matilde preparou-se para uma viagem longa e optou por deixar os filhos em Inglaterra, entregues à avó Helena por uns dias.

Viajava em pulgas, com o coração apertado, sentindo que algo não estava bem.

A mãe recebeu-a em lágrimas e, à porta, desabafou logo:
Ai Matilde, o Tiago morreu! E levou a mulher com ele! Acidente de mota, uma tragédia. Deixaram uma miúda orfã, só tem três anos Uma infelicidade!

O teu Tiago nunca se esqueceu de ti. Mal partiste, ele logo arranjou outra, mas só para tapar o buraco. Trouxe cá uma rapariga que ninguém sabia de onde apareceu, pobrezinha até metia dó Mas parece que o amava e dava-lhe ouvidos. Logo lhe deu uma filha. Menina linda! Chamaram-lhe Matilde também! Inteligente até sem se perceber em quem saiu. Agora vai para uma instituição… Que tristeza! E olha, Matilde, antes de morrer, o Tiago veio cá a casa dizer que queria deixar um presente para a filha para ela nunca se esquecer dele! Parecia que já sentia o fim perto. Ele sempre ajudou cá em casa, apesar de andar muitas vezes bêbado… Mas pronto, tu estavas em Inglaterra, a tua vida é outra…

Nem teve tempo de dar o presente à criança… e a mãe limpava as lágrimas ao avental.

Matilde ouviu tudo com serenidade. E depois, firme como nunca, disse:
Teve sim, mãe. Eu e o Daniel vamos adotar a filha do Tiago. Vai ser o presente dele para ela O Daniel vai entender, tenho a certeza. Afinal, tudo se paga na vida, mãe. Sabes isso tão bem…

E agora, vá, põe-me um pratinho. Estou morta de fome e cansada da viagem Só me apetecia uma maçã verde ou um pepino em conserva! As próximas mamãs têm de comer por dois, não é verdade? piscou o olho, sorridente, à mãeA mãe ficou de olhos arregalados, a processar o que acabara de ouvir: vinha aí mais um neto, e ainda uma neta nova a caminho de Inglaterra. Matilde sorriu-lhe, cansada mas serena, dona do seu destino, mais forte do que nunca.

Na manhã seguinte, ao acordar com o cantar do galo e o cheiro a café fresco, sentiu-se invadida por um sentimento estranho de paz. Caminhou pelo quarto onde crescera, passando a mão nas fotos antigas, nos livros de escola, nos bilhetes dobrados de amigas, tudo testemunhas de outras vidas. Sorriu. O tempo, afinal, era um círculo e ali estava ela, grávida, pronta para recomeçar, a criar família e a acolher quem precisava dela, como um dia foi acolhida naquele casarão inglês que tanto medo lhe dera.

Na viagem de regresso, Matilde olhava pela janela do comboio. Fazia planos, fazia promessas. O Daniel, ela sabia, ia sorrir, abraçá-la e proteger aquela menina órfã como filha sua ao primeiro olhar. Helena e Gerard iriam festejar, os pequenos iriam saltar à volta da nova irmã como dois girassóis à volta do sol. E Matilde, finalmente, percebeu: era preciso coragem para largar, mas era precisão de amor para receber.

Passaram-se anos. Em Londres, a família Fernandes-Silva tornou-se aquela casa onde nunca faltava gargalhada, arroz doce ou colo. A pequena Matilde, de olhos risonhos e cabelo desalinhado, cresceu entre línguas, afetos e histórias improváveis e nenhuma tão surpreendente como a da própria mãe que, para salvar um coração, atravessou o mundo. E se perguntassem aos vizinhos qual era o segredo daquela casa sempre cheia de vida, diriam: ninguém ali foi escolhido ao acaso. Foram todos adotados pelo destino.

No final, Matilde percebeu que a felicidade não lhe chegou pelas portas certas, nem pelos caminhos previstos. Mas, nos tropeços, nas curvas e nas quedas, descobriu ao adotar outros, adotou-se a si própria. E, entre risos, mãos dadas e pão quente na mesa, brindavam à vida, sempre prontos a abrir a porta para a próxima surpresa do coração.

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NOIVA DE ALUGUER – O Casamento Está Cancelado! – anunciou Polina surpresa aos pais durante o jantar. A mãe quase se engasgou com a notícia inesperada da filha. — Polinha! Estás louca? O vestido já está comprado, as alianças também, o restaurante está reservado… O teu Dinis está a contar os dias para o casamento, como quem espera por chuva no verão… Diz que é brincadeira, filha — suplicava a mãe, ansiosa. — Não, mamã, não estou a brincar. Eu e o Floyd vamos para Londres em breve. É sério — esclareceu Polina, decidida. — Mas que Londres, filha? Lá tudo é estranho, diferente. Novas pessoas, outro país. Vais perder-te e ninguém te vai ajudar! Não sejas tola! Esse Floyd deve ter-te virado a cabeça! Aposto que já é casado! E filhos? E ele já vai para velho! O Dinis ama-te tanto! Para nós, ele é como da família! Não rejeites o amor. Por tudo se paga na vida… — chorava a mãe, aflita. — Não faz mal, mãe. Pago o que tiver de pagar. Não tenho medo. — Polina manteve-se firme. …Algumas semanas depois, Polina e Floyd mudaram-se para Inglaterra. Desde pequena, Polina sonhava em conhecer o mundo além-fronteiras. Sabia francês, era fluente em inglês e já estudava espanhol… Nunca se sabe o que o destino traz. Depois de se licenciar, começou a trabalhar como tradutora numa agência de viagens. Foi lá que conheceu Floyd, um cliente estrangeiro que logo se apaixonou pela jovem portuguesa. Polina, simpática, sorridente, inteligente e cheia de vida, tinha apenas vinte e três anos, enquanto Floyd já contava quarenta e seis. Ao início, Polina achou a corte do estrangeiro curiosa e até inofensiva. Nem imaginava que, após uma semana de encontros profissionais e casuais, Floyd lhe pediria em casamento. Polina não contou ao novo pretendente que já tinha casamento marcado com Dinis… A dúvida invadiu-a: aceitar ou não o convite para uma nova vida fora de portas? Poucas são as que têm a oportunidade de se casar com um estrangeiro! Pode não haver amor, mas haverá aventura, novidade e gratidão suficiente para compensar… Dinis acabaria por superar. Ainda era jovem — encontraria outro amor. Assim pensava Polina, preparando-se para aquele salto para o desconhecido. Por telefone, avisou o ex-noivo. Dinis, confuso e despedaçado, desejou-lhe felicidades e afogou a mágoa em álcool durante meses. …Em Londres, Floyd levou Polina a uma mansão. Lá vivia ainda toda a família: dois filhos adultos, Henrique e Afonso (com quem, mais tarde, Polina encontraria a verdadeira felicidade), e Lenora, a ex-mulher de Floyd. Lenora não escondeu a indignação: — Perdeste o juízo, Floyd? Quem é esta rapariga? Onde a foste buscar? Achas que vai viver connosco? — gritava. — Sim, vai morar aqui. Quero lembrar-te, Lenora, que esta casa é minha. A Polina vai ser minha esposa. Não a trates mal — pediu Floyd, tentando apaziguar os ânimos. O ambiente era estranho, quase surreal para Polina: uma família divorciada, mas ainda a viver sob o mesmo teto, controlada por Lenora. Aos poucos, foi-se aproximando de Afonso, o filho mais novo de Floyd, bonito e inteligente. Entre eles, nasceu um sentimento avassalador e proibido… O casamento de Polina e Floyd foi adiado sem explicação, e Polina aceitou pacificamente. …Passaram-se três meses. Afonso revelou-lhe então o verdadeiro motivo de Polina ter sido levada para ali: Floyd ainda amava Lenora e quis provocá-la, fingindo que se casaria com outra. Polina fora uma noiva de aluguer, peça de um plano para reacender um velho amor. Riram-se da ironia do destino. Polina, por fim, declarou-se a Afonso e juntos decidiram ficar. Floyd e Lenora reconciliaram-se, e Polina encontrou no coração de Afonso o verdadeiro lar. Logo se casaram. Vieram filhos: um menino e, dois anos depois, uma menina. A família cresceu, feliz, rodeada de amor e compreensão. Até Floyd e Lenora se tornaram avós carinhosos. Um dia, Polina recebeu uma carta aflita da mãe: Dinis tinha morrido num acidente e deixara uma filha órfã, também chamada Polina. A dor tocou-lhe fundo, mas a resposta foi imediata: — Eu e o Afonso vamos adotar a Polininha. É assim que pagamos as dívidas do passado, mãe… E, de coração cheio, Polina voltou a casa. Agora, já grávida novamente, pronta para cuidar de todos os seus, num mundo onde a felicidade estava, afinal, ao alcance de todos.
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