O meu ex nunca dava um cêntimo pelos nossos filhos, mas o apanhei a comprar ténis caríssimos para os…

Lá estava eu, de mãos dadas com as minhas duas filhas, entrando no Centro Comercial Colombo com o coração apertado. Vi logo o meu ex-marido o mesmo homem que há meses não dava um único euro para as nossas meninas, sempre com uma desculpa de problemas financeiros quando lhe pedia para comprar sapatos ou material escolar.

Mas ali, no meio das vitrinas reluzentes, ele estava no mais caro loja de sapatilhas, rindo e escolhendo ténis de marca para os filhos da sua nova esposa, como se fosse um magnata de Lisboa.

Senti o sangue ferver-me nas veias, mas segurei a raiva com o orgulho de uma mãe portuguesa. Respirei fundo e disse para mim mesma: Isto não vai ficar assim.

Aproximei-me, com as meninas pela mão, num passo lento e firme. Ele estava distraído com o telemóvel, enquanto os meninos provavam uns Nike que custavam quase uma fortuna. A funcionária arrumava as caixas ao lado.

Boa tarde, menina disse eu com o sorriso mais simpático. Será que tem aqueles modelos nos números 32 e 35?

A funcionária olhou-me surpreendida, sem perceber o clima.

Sim, claro. São para…?

Para as minhas filhas respondi, elevando um pouco o tom. O meu marido vai pagar tudo junto, não é verdade, querido?

O meu ex levantou os olhos do telemóvel com uma expressão de choque, como se lhe tivesse caído um raio na cabeça. Os olhos arregalados, vermelhos como tomate fresco do Ribatejo.

O quê…? começou a balbuciar, mas eu já arranjava lugar para as minhas filhas provarem os ténis.

Sim, ele paga tudo tranquilizei a funcionária. Somos uma família moderna, não é? Estes são os filhos da mulher dele e estas são as minhas miúdas. Ele sempre insiste em tratar todos com igualdade, não é, querido?

Ele ficou ainda mais vermelho, quase a explodir de vergonha. Abriu a boca para protestar, mas a funcionária já trazia as caixas. Pisquei-lhe o olho com malícia.

Ficam-lhes perfeitos, menina. Levamos estes.

Enquanto a funcionária anotava, vi umas sapatilhas cor-de-coral no expositor, mesmo o meu estilo.

Olhe, menina, e aquelas cor-de-coral no número 38? Pode trazer também?

Para si? perguntou ela.

Sim, para mim respondi, calçando-as. Que maravilha, assentam como uma luva. E tem também aqueles pretos elegantes? Preciso para o escritório.

Mais? conseguiu ele dizer, com voz engasgada.

Vá lá, querido, não seja forreta contornei com doçura. Sabe que preciso de sapatos confortáveis para o trabalho. As sapatilhas são para ir ao parque com as filhas. Já lhe disse várias vezes que tinha de renovar o armário!

A funcionária, completamente alheada à novela que se desenrolava, sorria e tomava nota.

Muito bem, então oito pares no total anunciou, começando a fazer as contas na calculadora.

Levantei-me, dei beijinho rápido às meninas e aproximei-me do meu ex.

Pronto, querido, vou continuar as compras. As filhas ficam contigo, está bem? Depois leva-as a casa.

Sem lhe dar tempo para dizer mais, peguei nas sacolas com as sapatilhas das minhas filhas e as minhas, e saí do centro comercial sentindo-me a rainha da Avenida da Liberdade.

A última coisa que ouvi foi a funcionária a dizer:

São 500 euros. Pode pagar em dinheiro ou cartão, senhor?

Quando cheguei ao estacionamento, não consegui conter o riso. A expressão dele era impagável. Olhei para as sapatilhas novas no saco e pensei: Isto sim, é justiça divina.

Nessa noite, quando ele trouxe as filhas (claro, meia hora atrasado), vinha com o rosto entre a indignação e resignação. As crianças da mulher dele nem sequer estavam com ele.

O que fizeste foi… começou ele.

O quê? interrompi, com um olhar inocente. Garantir que as TUAS filhas também têm ténis novos? Não há de quê, querido. Foi o mínimo.

Ele ficou em silêncio, a abanar a cabeça.

Oito pares… OITO. E tu precisavas mesmo de DOIS?

Nunca se sabe quando vou precisar de sapatilhas confortáveis, querido. E afinal, há quantos meses não me pagas a pensão? Considere isto um adiantamento.

És doida.

Não, estou cansada repliquei. E agora estou bem calçada.

Virou costas, mas antes de entrar no carro ouvi-o murmurar:

Oito pares… vai sair mais caro do que pagar a pensão…”

Pois claro, génio, pensei eu, fechando a porta.

As filhas correram para me abraçar, felizes com as novas sapatilhas. Calcei os cor-de-coral essa mesma noite para um passeio e senti-me poderosa.

Será que exagerei? Talvez.
Arrependo-me?
Nem por um segundo. E tu, o que farias no meu lugar?

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O meu ex nunca dava um cêntimo pelos nossos filhos, mas o apanhei a comprar ténis caríssimos para os…
Ocko, pamätáš si na Naďu Alexandrovnu Martinenkovú? Dnes je už neskoro, ale zajtra príď ku mne. Zo­známim ťa so svojím mladším bratom a tvojím synom. To je všetko. Dovidenia Chlapec spal priamo pri jej dverách. Katarína bola prekvapená, prečo dieťa v takom skorom ráne spí v cudzom paneláku? Bola učiteľkou s desaťročnou praxou a nemohla len tak prejsť okolo. Sklonila sa k nemu a začala ho jemne budiť za štíhle plece: – Hej, mladý muž, zobuď sa! – Čo? – chlapec sa nešikovne posadil. – Kto si? Prečo tu spíš? – Nespím. Len… máte mäkkú rohožku. Posadil som sa a neúmyselne zdriemol, – vysvetlil. Katarína v tomto dome bývala len pol roka. Kúpila byt po rozvode s mužom. Susedov takmer nepoznala, ale vedela, že dieťa určite nie je z tohto domu. Chlapec mal asi 10-11 rokov, oblečený do starého, ale čistého oblečenia. Nepokojne prestupoval z nohy na nohu. Kataríne došlo, že urgentne potrebuje na WC: – Bež rýchlo, ja meškám do práce, – pustila ho do bytu. Pozrel na ňu neveriacimi, jasno-modrými očami. „Veľmi vzácna farba,“ pomyslela si. Zatiaľ čo hosť po návrate z WC umýval ruky, pripravila mu chlebíčky so salámou. – Vezmi si, naješ sa. – Ďakujem! – odpovedal už stojac vo dverách. – Zachránili ste ma. Teraz pokojne počkám. – A na koho čakáš? – opýtala sa Katarína. – Na babku Antóniu Petrovičovú. Býva tu vedľa. Poznáte ju? – Trochu áno, ale odviezli ju predvčerom do nemocnice, sanitkou, – povedala Katarína. Chlapec sa vystrašene spýtal, do ktorej nemocnice. Katarína mu vysvetlila situáciu a zistila, že sa volá Daniel. Bol bez rodičov, býval u vzdialenej tety, kde však nebol vítaný a kde hrozilo, že skončí v detskom domove. Náhodou zistí, že Danielovou mamou bola Naďa Martinenková, dávna sekretárka jej otca, ktorá už nežije. Všetko sa začína zbiehať – Danielove oči sú rovnaké ako jej otca! Katarína preto pozvala svojho otca (bývalého riaditeľa fabriky), aby ho zoznámila s Danielom – jeho synom a svojím mladším bratom… Zvláštny ranný nález pred dverami učiteľky: Prečo malý Daniel objavil cestu k svojej rodine – Príbeh plný náhod, rodinných tajomstiev a novej šance na rodinné šťastie