Já chega, basta, vou embora! Até quando isto vai continuar!

Estou farto, chega, vou embora! Quanto mais posso aguentar?

“Estou farto, chega, vou embora! Quanto mais posso aguentar! O filho, o cansaço constante dela, sempre a pedir ajuda e eu quero sair, quero aproveitar como antes! Quero fazer amor! Trabalho, caramba! No final das contas! Quero chegar a casa e encontrar a minha mulher, a minha amada agora vou ficar uns tempos na casa do meu amigo, depois arranjo uma jovem ai ai…” sentado ao volante e pensando que hoje foi o ponto final na relação com a mulher, Tiago fumava nervosamente.

A história dele e da esposa é tão antiga quanto o mundo. Conheceram-se, apaixonaram-se à primeira vista, viviam uma paixão intensa, esqueciam-se da responsabilidade, e resultado: poucos meses depois, ela mostrou-lhe o teste positivo.

Claro que sim, vais ter o bebé, vamos conseguir superar isto respondeu Tiago com confiança e toda a família assentiu, avós, tios, «nós ajudamos, só tens de ter o bebé» Depois veio o casamento, o parto, as lágrimas felizes nasceu o filho! E pronto a vida despreocupada acabou, a esposa tornou-se uma verdadeira mãe-galinha, sempre cansada, despenteada, o choro constante do bebé, quer de noite, quer de dia, “ajuda-me, ajuda-me” era o pedido dela Para onde foi a rapariga de quem ele se apaixonou? Os familiares rapidamente afastaram-se ficaram só os dois na dificuldade de criar o filho

Não estou preparado! disse Tiago hoje à esposa, batendo com a porta frente à mulher a chorar, com o bebé nos braços.

O estrondo dos travões à frente do carro apareceu subitamente uma figura curvada e escura.

Queres morrer, pá? saltando do carro, Tiago correu para a figura.

O homem de sobretudo, endireitando-se, olhou para Tiago com olhos tristes e murmurou:
Sim.

Surpreendido com a resposta, Tiago ficou sem saber o que dizer:
Ó senhor, precisa de ajuda? Precisa de alguma coisa?
Eu já não quero viver.
Não diga isso, vá, eu levo-o a casa! Pode contar-me o que lhe vai na alma, talvez possa ajudar Tiago pegou no braço do velho e guiou-o delicadamente até ao carro.

Vá, conte-me lá, senhor disse Tiago, acendendo um cigarro.
Isso é uma história longa
Não tenho pressa nenhuma.

O velho olhou atentamente para Tiago, depois fixou os olhos numa fotografia pendurada no retrovisor.

Há cinquenta anos conheci uma rapariga e apaixonei-me de imediato. Tudo aconteceu depressa, de repente éramos família, filho, herdeiro parecia felicidade! Mas eu queria que tudo fosse como antes, paixão, amor, juventude. A minha mulher cansada, o bebé pequeno, tudo a cair em cima dela, eu não ajudei No trabalho conheci uma mulher, começámos um caso ela descobriu, divorciámo-nos. Com a outra não deu em nada, pouco me importou, continuei a fazer o que queria. Mas a minha ex casou novamente, ficou ainda mais bonita, o filho começou a chamar o padrasto de pai, e eu para mim era indiferente.

E o senhor, o que fez? perguntou nervosamente Tiago, acendendo outro cigarro.

Eu? Não sobrou família, nem mulher, nem filhos. Hoje o meu filho faz cinquenta anos, fui dar-lhe os parabéns, nem me deixou entrar o velho começou a chorar foi tudo culpa minha. Ele disse: ‘Já não és meu pai, vai embora, continua a viver a tua vida.’

Senhor, onde quer que o leve? Tiago bateu no volante com frustração.

Moro aqui perto, vá à sua vida, não se preocupe comigo o velho saiu do carro e caminhou apressadamente até um prédio de nove andares junto à estrada. Tiago certificou-se que o homem entrava no prédio, esperou um pouco e depois voltou ao carro. Passou no supermercado e comprou flores.

Perdoa-me, perdoa-me ao entrar em casa, ajoelhou-se diante da esposa que chorava descansa, minha querida.

Pegou no filho, levou-o para o outro quarto, embalando-o, começou a cantar com voz rouca: “Dormem agora todos os brinquedos”.

Surpreso, o filho adormeceu logo, sorrindo e fiando a mão no peito do pai, que batia forte. Tiago olhou com ternura: “Quero assistir ao crescimento do meu filho, quero ouvir ‘pai'”.

Outra vez a ajudar quem está a afogar-se? a velha senhora recebeu o marido com um sorriso na porta. Ele, sorrindo, pendurou o sobretudo no cabide.

Sim, estive a ajudar. É preciso, sabes, explicar estas coisas à juventude.

E como sabes a quem precisas de ajudar?

Eu próprio precisava disso na tua idade

Vá, vamos jantar, salvador. Ah, não te esqueças, amanhã é o aniversário do nosso filho, nada de salvar ‘afogados’ à noite a velha sorriu com carinho.

Não me esqueci, faz cinquenta anos o nosso herdeiro, o fruto do nosso amor, impossível esquecer abraçando a esposa, o velho foi com ela para a cozinha, sorrindo.

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Já chega, basta, vou embora! Até quando isto vai continuar!
Po rozvode ukázal manžel svoju skutočnú odvahu