Homem encontra bebé abandonado num banco de jardim. Dez anos depois, algo extraordinário acontece

Há já algum tempo que circula pela internet uma história que, à primeira vista, pode parecer inverosímil para muitos. No entanto, sabemos bem que a vida é pródiga em reviravoltas surpreendentes, deixando até os melhores argumentistas a descansar. Fiquem até ao fim, vale mesmo a pena.

Era de madrugada quando o Duarte voltava a casa depois de mais um turno extenuante numa fábrica nos arredores do Porto. Só desejava chegar ao quarto partilhado, deitar-se e cair num sono profundo. Embora o trabalho fosse pesado, era difícil arranjar algo melhor, ainda mais depois de ter saído do estabelecimento prisional. Até teve alguma sorte: partilhava apartamento alugado com outros trabalhadores, quando na sua situação poderia acabar num contentor junto ao emprego.

Para encurtar caminho, Duarte decidiu atravessar um pequeno jardim, certo de que assim chegaria mais depressa a casa. Foi então que avistou, num banco ao fundo, um volume estranho. Aproximou-se, curioso, e ficou de pedra: dentro de uma manta, repousava um bebé.

O corpo de Duarte clamava por descanso, mas o coração apertou-se a imaginar quanto tempo teria aquela criança passado ali, numa noite fria de outono. A razão dizia-lhe para se afastar, afinal, qualquer envolvimento seria arriscado para alguém com o seu passado. Mas, por fim, decidiu intervir. Sabia que não podia levar uma bebé para uma casa onde viviam quinze homens. Por isso, encheu-se de coragem, pegou com todo o cuidado na criança e seguiu para uma casa antiga, de dois andares, que costumava ver ao passar. Era ali que funcionava um lar de crianças.

Ao chegar, explicou a situação. Era uma menina. Uma das funcionárias sugeriu, sem pistas da mãe, chamar-lhe Mariana Duarte. “Parece-me bem”, acedeu ele com um sorriso cansado.

Depois daquele dia, Duarte passou a pensar com frequência na sua vida. Não tinha família, e sentia-lhe falta do calor de um lar. Muitas vezes lembrava-se da pequena que encontrara e, de tempos em tempos, ligava para saber dela. Quando a Mariana começou a crescer, ele passou a visitá-la sempre que podia, levando-lhe pequenas prendas.

A cada visita, Mariana oferecia-lhe desenhos: lá apareciam sempre uma menina, um pai e uma mãe ao lado. Uma nova funcionária do lar, Ana Paula, ficou sensibilizada com a relação entre Duarte e Mariana. Ela própria tinha crescido ali, sabia bem o que significava não ter família. Percebia também que nunca dariam a guarda da menina a um homem solteiro. Mas Ana Paula resolveu ajudar aqueles dois: simpatizava muito com Duarte, ainda mais quando percebeu que ele visitava a filha do coração há já dez anos!

Mariana sonhava em ir para casa com o seu pai. Duarte já há cinco anos pagava a prestação do apartamento felizmente, como chefe de equipa na fábrica, já tinha ordenado acima da média. Só que, sem família, tudo parecia impossível.

Foi então que Ana Paula e Duarte tiveram uma conversa a sério. Aperceberam-se que gostavam um do outro o suficiente para avançar e formar uma família. Decidiram oficializar a relação e, juntos, concretizar o sonho da Mariana!

Trataram de toda a papelada, prepararam o quarto da menina e foram buscá-la ao lar. Mariana atirou-se ao pescoço de Duarte, envolveu Ana Paula num abraço e comentou como o pai estava feliz naquele dia. Ele ajoelhou-se à frente dela e, baixinho, disse: Mariana, arruma as tuas coisas. Vais para casa! Estamos à tua espera.

Foi assim que, dez anos depois de uma noite inesperada num jardim, se realizou o maior sonho daquela criança começou finalmente uma vida em família. Não se sabe se Duarte e Ana Paula ficaram juntos para sempre, mas tudo indica que sim. Afinal, foi a bondade e a alegria de dar felicidade a uma criança que os uniu. Portugal só tem a ganhar com histórias destas ou parecidas, pois o nosso povo é capaz de feitos grandiosos, dotado de uma enorme generosidade.

E pronto, amigos, espero que tenham gostado desta história.

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