O Amor é Mais Forte do que a Traição

O AMOR É MAIS FORTE QUE A TRAIÇÃO

Quando Salomé chegou à casa de Beatriz e Rui, o pequeno Tomás ainda era um bebé de colo. Salomé tornou-se mais do que uma simples ama era para Tomás um verdadeiro anjo da guarda. Beatriz, sempre absorvida nos próprios interesses, não podia deixar de reparar, com uma angústia amarga, como o filho corria a chorar os seus desgostos para os braços daquela “estranha”. No coração de mãe, começou a crescer o veneno de uma terrível inveja.

Quando Tomás fez oito anos, Beatriz achou que era tempo de afastar a rival de uma vez por todas. Rui opôs-se a despedir Salomé, reconhecendo a sua bondade e honestidade. Tomada pelo ciúme, Beatriz decidiu agir de forma vil: escondeu o seu colar de ouro de família debaixo do colchão de Salomé e chamou a polícia. Injustamente, Salomé, de lágrimas nos olhos, foi condenada a dois anos de prisão. Tomás gritava, agarrado às suas mãos, mas arrancaram-no dela à força.

Passaram-se vinte anos.

Tomás, agora com vinte e oito anos, tornara-se um homem de sucesso. Ainda assim, no fundo do peito, nunca superou a ausência de quem lhe dera tanto carinho verdadeiro. A sua mãe, Beatriz, adoecera gravemente e a morte espreitava-lhe o quarto todos os dias, sem coragem de a levar. O sofrimento era insuportável.

Numa noite, entre lágrimas, Beatriz chamou o filho e finalmente revelou o seu segredo mais sombrio:
Tomás, eu não consigo morrer… Sinto que Deus não me leva porque carrego um pecado demasiado grande. Arruinei a vida de uma pessoa inocente. Por favor, encontra a Salomé. Peço-te, traz-ma!

Tomás encontrou Salomé a viver num pequeno casebre nos arredores de Coimbra. O tempo marcara-lhe o rosto e as mãos com rugas e calos do trabalho árduo, mas os olhos serenos mantinham a mesma bondade de sempre.

Mãe Salomé… sussurrou Tomás, abraçando-a emocionado. A minha mãe pede para vir. Está a partir e precisa do seu perdão.

Sem hesitar, Salomé foi com ele. Ao chegarem ao quarto, Beatriz, esgotada pela doença, estendeu-lhe a mão trémula.

Salomé… murmurou com voz sumida , perdoa-me. Fui injusta contigo. Pequei, e agora carrego esse peso. Deus não me quer levar enquanto não escutar a tua palavra…

Salomé olhou para a mulher que outrora a traíra e, no seu coração, não existia mais ódio.

Já lhe perdoei há muito, Beatriz. Queira o céu que descanse em paz.

Beatriz suspirou, aliviada. O sorriso serenou-lhe o rosto. Fitou o filho e depois Salomé:

O meu filho… agora é teu tesouro. Protege-o, por favor.

Nessa noite, Beatriz partiu. Salomé passou a ser a verdadeira mãe de Tomás, e mereceu um lugar de honra naquela casa. Tomás retribuiu-lhe todo o carinho, que durante anos lhe foi negado. Em pouco tempo, conheceu uma mulher digna e casou-se, e Salomé abençoou aquele casal como se fosse avó dos futuros netos. A justiça da vida revelou-se e a bondade, com paciência, curou todas as feridas do passado. Afinal, perdoar é, acima de tudo, libertar o coração e permitir que o bem floresça.

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Kamenná žena