Ako moja svokra prišla o svoj byt

Som presvedčená, že vôbec nemáme povinnosť starať sa o švagra a jeho rodinu ani im zabezpečiť prenájom bytu. Hneď na začiatku vám chcem povedať, že trojizbový byt, v ktorom bývame, je môj kúpila som ho ešte pred svadbou v hroznom stave. Môžete si predstaviť, ako to tam vyzeralo vchodové dvere boli len opreté o zárubňu. No hlavné bolo, že cena sa mi páčila, a všetko ostatné som postupne opravila. Ale o tom som nechcela hovoriť.

Keď som spoznala svojho manžela, už som mala opravené dve izby a dokonca som kúpila nejaký nábytok. Byt bol už celkom útulný.

Môj manžel, Miroslav, bol sympatický a čestný človek, býval v prenajatom byte. Pár mesiacov po tom, čo sme sa zoznámili, sa ku mne nasťahoval. Po svadbe sme jednu izbu zariadili pre deti najprv sa mi narodil synček a neskôr dcérka.

Všetko bolo ideálne, kým jednu chladnú jesennú noc neroztrhla našu rodinnú idylu svokra. Prišla v ten deň s kuframi a uplakanou tvárou.

Môžem u vás na čas zostať? Syn si priviedol frajerku do môjho bytu. Dúfam, že im to vyjde a raz sa zoberú. Určite tu nebudem dlho, pomôžem vám, postrážim deti, navarím, zoberiem ich zo škôlky a školy. Nemám už nikoho, len vás!

Plač ju zlomil a pustila som ju dnu. Dala som jej najväčšiu izbu. Svokrinia už dávno bola na dôchodku, deťom sa venovala tak, ako sľúbila, ale domov sa nevracala. Jej mladší syn, Peter, si zriadil vlastný život v jej garsónke býval tam s mladou manželkou a dvoma deťmi. Jedno mali spoločné a druhé priviedla manželka do ich manželstva.

Pred rokmi sa Peter oženil so stredoškoláčkou hneď po maturite. Moji svokrovci vtedy predali byt, za peniaze kúpili sebe garsónku a mladomanželom dvojizbový byt. Potom svokor ochorel a krátko na to zomrel.

Peter a jeho prvá žena mali dve deti, po rozvode nechal byt rodine. Teraz tam býva bývalá manželka, jej nový muž a tri deti. Po rozchode sa Peter presťahoval k mame a povedal jej: Mama, ostanem chvíľu pri tebe. Som opäť slobodný muž, mám tisíc plánov! Nejako to zvládnem, nájdem si byt. Lenže veci sa nevyvíjali podľa predstáv. O pár mesiacov si priviedol k mame aj novú priateľku.

Svokra k nám potom každý víkend nosila deti z prvého aj druhého manželstva poriadny chaos.

Po roku som svokre povedala, že by si mala riešiť svoje bývanie. Znova sa rozplakala a bola úplne na dne.

Musela som ísť za Petrom a povedať mu, že už je čas opustiť mamin byt. Ale on sa vzoprel, tvrdil, že má deti, nízky plat a nedokáže platiť nájom. Čo mám v takejto situácii robiť?

Moje vzťahy so svokrou sa v posledných mesiacoch veľmi zhoršili. Už sa mi ani nechcelo vracať po práci domov. Rozhodla som sa prehovoriť s Mirom, že ak neporieši bývanie pre svoju mamu, požiadam o rozvod.

Moje slová Mira šokovali. Nevedel, kam by vlastne mal svoju mamy umiestniť, veď predsa ju na ulicu nevyhodí.

Povedala som, že môže ísť do podnájmu, my máme nato financie. Ale svokra rozhodne odmietla bývať v prenajatom byte a navrhla, že by sme mali prenajať dvojizbový byt pre Petra aj s rodinou, a ona by sa vrátila domov.

To som už pokladala za maximálnu drzosť a povedala som, že ak svokra do týždňa neodíde, jednoducho jej vyhodím veci pred dvere. Aké mám vôbec iné možnosti?

Nemyslím si, že sme povinní živiť Petrovú rodinu, nieto im ešte platiť bývanie!

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Ako moja svokra prišla o svoj byt
Deixei Entrar de Volta para Minha Vida — Pai, que novidades são essas? Compraste uma loja de antiguidades? — Cristina perguntou, franzindo as sobrancelhas ao olhar para a toalhinha de croché branca sobre o seu cómoda. — Nem sabia que gostavas dessas coisas antigas. O teu gosto está igual ao da avó Zóia… — Olha a Cristininha! O que fazes aqui sem avisar? — Oleg Pimentel saiu da cozinha, meio atrapalhado. — Eu… o que dizer… não estava à tua espera… O pai esforçava-se para parecer animado, mas o olhar dele era de quem escondia alguma coisa. — Pois já vi que não estavas, — Cristina respondeu, com ar reprovador, dirigindo-se à sala onde a esperavam novas surpresas. — Pai… de onde veio tudo isto? O que é que se passa aqui? Cristina mal reconhecia o próprio apartamento… …Quando herdou a casa da avó, o cenário era deprimente. Móveis velhos, televisão gorda sobre uma mesa descascada, radiadores enferrujados, papel de parede a descolar… Mas era seu lar. Nessa altura, Cristina já tinha algum dinheiro guardado. Investiu tudo em obras, nada de remendos. Optou pelo estilo escandinavo: tons claros e minimalismo abriram o espaço. Fez questão de cada pormenor, cortinas à medida, tapetes felpudos… Agora, as cortinas eram só um tule barato que não tapava nada. O sofá italiano sumia debaixo de um cobertor sintético com um tigre estampado. Na mesa de centro, uma jarra rosa de plástico e flores artificiais ainda mais berrantes. E pior: os cheiros. Da cozinha vinha óleo a ferver e cheiro intenso a peixe. Sentia-se tabaco. E o seu pai nem fumava… — Cristininha, vê lá… — balbuciou finalmente Oleg. — A questão é… eu não estou sozinho. Queria ter dito antes, mas… — Como assim, não sozinho? — Cristina ficou espantada. — Pai, isso não era o trato! — Filha, a minha vida não acabou com a tua mãe. Ainda sou novo, nem reformas tenho. Não tenho direito a ser feliz na vida pessoal? Cristina hesitou. Sim, o pai tinha direito a fazer a vida dele. Mas… não naquela casa! …Os pais divorciaram-se há um ano. A mãe levou tudo com leveza, mergulhou em autoaperfeiçoamento. Tinha tantas amigas que nem tempo para tristeza havia. O pai, coitado, desesperou. Voltou para a sua casa de solteiro e apavorou-se. Dez anos de inquilinos, até que um deles adormeceu com o cigarro aceso. Não tinha dinheiro para obras, e esqueceu a casa. Nem vendeu, mas também não pensava em reabilitar. Viver ali era impossível: paredes chamuscadas, janelas partidas, bolor nas ombreiras… Parecia uma tumba de filme de terror. — Ó Cristina, não sei como hei de viver… — lamentou-se o pai, suspirando. — Aqui é perigoso, nem acabo as obras antes do inverno. Nem dinheiro tenho para isto tudo. Se morrer de frio, paciência… Cristina não aguentou. Não podia deixar o pai que a criara naquele estado. E se lhe acontecesse algo? Especialmente agora, que ela já morava com o marido, o apartamento dos pais vazio. Não ia arriscar outro inquilino. — Pai, fica lá em minha casa por agora, — sugeriu. — Está tudo pronto, confortável. Vais fazendo o teu arranjo, depois mudas-te. Só uma condição: nada de visitas. — Posso mesmo? — Oleg, surpreendido, agradeceu imenso. — Salvaste-me, filha. Prometo que será tudo calmo. Pois sim. Calmo… Enquanto Cristina se lembrava da conversa, a porta da casa de banho abriu e surgiu uma mulher de uns cinquenta anos, envolta no roupão favorito de Cristina, agora a tapar mal as formas da estranha. — Ó Oleguinho, temos visitas? — perguntou a senhora, com voz rouca de fumadora, sorrindo de lado. — Ao menos avisavas, estou em modo caseiro. — E você, quem é? — indagou Cristina, mirando o roupão. — E por que está a usar o meu roupão? — Sou a Joana, a paixão do teu pai. E estás tão nervosinha por quê? Peguei só o roupão, estava ali à toa. Cristina ferveu de raiva. — Tire. Já. — murmurou entre dentes. — Cristina! — pediu o pai, metendo-se no meio. — Não faças cenas! A Joaninha só… — A Joaninha só vestiu roupa alheia, num lar alheio! — cortou Cristina. — Pai, estás bom da cabeça? Trouxeste tua namorada e deixas que mexa nas minhas coisas sem pedir?! Joana revirou olhos e foi para a sala, atirando-se para cima do cobertor com tigre. — Que falta de educação, — declarou ela. — Se fosse o Oleg, dava-te era uma palmada, nem que fosses já crescida. A vida íntima do teu pai não te diz respeito! Cristina ficou sem fala. Uma estranha a tratava como criança malcriada, sentada no seu sofá. — Não diz respeito, — concordou ela. — Até o momento em que acontece na minha casa. — Na tua? — Joana arqueou sobrancelha e olhou questionadora para Oleg. Oleg gelou, colado à parede, com olhar assustado da filha para a amante. Rezava para que aquilo acabasse sem ele fazer nada, mas o drama só piorava. — Então… O papá esqueceu-se de contar? — Cristina sorriu friamente. — Eu digo então: ele aqui é hóspede, nada mais. Esta casa é minha, tudo aqui fui eu que comprei. Só lhe emprestei para viver e nunca imaginei visitas assim. Joana corou de fúria. — Oleg?.. — o tom dela virou gelado. — Então não disseste que a casa era tua? Andaste a mentir? O pai murchou de vergonha. — Ó… Joana, não foi assim… Percebeste mal. Tenho casa, só não esta. Não te quis incomodar com detalhes… — Não quis incomodar?! Bonito serviço. Agora tenho que ouvir sermão por tua causa! A paciência de Cristina chegou ao fim. — Fora, — disse baixinho. — O quê? — Joana ficou perplexa. — Fora daqui. Os dois. Têm uma hora. Se ficarem, falamos com a polícia. Isto de deixar entrar estranhos… Cristina dirigiu-se à porta, mas Oleg segurou-lhe o braço. — Filha! Vais pôr teu próprio pai na rua? Sabes como está aquilo! Morro de frio! O pai agarrou-se ao casaco dela. Cristina vacilou. Era o seu pai, quis ter pena. Veio à mente o passado, amor filial, o dever… Mas então olhou para Joana. A mulher, acomodada no roupão, fitava-a com um ódio feroz. Se cedesse agora, amanhã trocaria fechaduras e redecorava tudo. — Pai, é adulto. Arranja-se, — cortou Cristina, libertando-se. — Só você tem culpa. O trato era vive sozinho, mas trouxe mulher estranha, deixou-a mexer em tudo e desarrumou a casa… — Fica então com a tua casa! — gritou Joana. — Anda, Oleg. Nem te humilhes. Criaste uma ingrata… Meia hora depois, tudo resolvido. O pai saiu, calado, curvado, como velho. O olhar de cão desalojado ficou gravado na memória de Cristina, mas ela manteve firmeza. Assim que partiram, abriu as janelas para expulsar cheiro de peixe, cigarros e perfume barato. Recolheu roupão, cobertor, tudo o que Joana tocara. Fora para o lixo. No dia seguinte, chamou a limpeza, mudou fechaduras. Não suportava mais nada que tivesse rasto de invasão. …Passaram quatro dias. Agora o apartamento estava livre. Sem flores falsas ou maus odores. Cristina vivia com o marido, mas sentia leveza ao lembrar. Não falou mais com o pai. No quarto dia, ele ligou. — Alô, — atendeu, hesitante, Cristina. — Então, Cristina… — começou ele, voz embriagada. — Estás feliz agora? Acabou-se. A Joana foi-se embora… — Ai que surpresa — não resistiu a filha. — Aposto que foi depois de ver a tua casa verdadeira, percebeu que ia ter trabalho… O pai fungou. — Sim… Pus aquecedor, dormi num colchão insuflável. Ela aguentou três dias… Disse que sou um pobre e um vigarista, e foi para casa da irmã. Só perdi tempo… E eu gostava dela, Cristina! — Que gosto que nada. Procuravas conforto, ela também. Saíram ambos a perder. Pausa. O pai não se calava. — Estou mal sozinho, filha… — disse, por fim. — Aqui mete medo… Posso voltar? Juro, sozinho! Prometo! Cristina baixou o olhar. O pai estava sozinho, rodeado pelo próprio caos. Mas foi ele próprio que criou tudo: traiu a mãe, enganou a filha, ludibriou Joana. Sim, ela teve pena. Mas essa compaixão arruinaria ambos. — Não, pai. Não deixo. Contrata gente, faz obras. Aprende a lidar com aquilo que criaste. Só te posso dar contactos de bons trabalhadores. Precisares, chama. Cristina desligou. Duro? Talvez. Mas nunca mais quis deixar que sujassem o seu lar, nem a sua alma. Há coisas que não se conseguem limpar; só podemos evitar que entrem na nossa vida…