A minha sogra decidiu mudar-se para o meu apartamento e dar o dela à minha filha – Mesmo que eu tenha comprado a casa sozinha e o meu marido não tenha contribuído em nada!

O diário de Madalena 18 de Junho

Nunca pensei que o casamento pudesse trazer tantas voltas inesperadas. Venho de uma família pequena em Coimbra, e sempre valorizei muito o meu espaço e a minha liberdade. Mas casei-me com Gonçalo, que cresceu numa família grande, cheia de irmãos, daqueles onde toda a gente fala alto e se mete na vida uns dos outros algo muito português, eu sei, mas ao qual nunca me habituei verdadeiramente.

A minha sogra, Dona Teresa, teve filhos até ter finalmente a tão desejada filha, Leonor. Sempre achei aquele favoritismo estranho, mas quis acreditar que não era da minha conta. Quando casei com o Gonçalo, achava que era afortunada ele era trabalhador, firme, parecia saber o que queria da vida. Mas, com o tempo, percebi aquilo que todos sempre comentavam: ele nunca cortou o cordão umbilical com Dona Teresa e, principalmente, com a irmã mais nova.

A sogra nunca teve grande ligação com os rapazes, mas a Leonor era o sol do seu universo. Lembro-me bem, a Leonor devia ter uns 10 anos quando a conheci. Ao princípio não interferia muito, mas cinco anos depois já era outra história. Não gostava de estudar, andava sempre com rapazes de má reputação, e tudo recaía sobre o Gonçalo, que ela chamava a qualquer hora para resolver problemas. Podia ser meia-noite, e ele iria, como bom irmão mais velho.

Achei que, com o tempo, Leonor cresceria e acabaria por sair de casa. Mas enganei-me redondamente. Quando decidiu casar, Dona Teresa logo se apressou a pedir ajuda aos irmãos todos para pagar o casamento não tinha um cêntimo guardado. O genro também não tinha grandes condições, e claro, a solução foi a jovem casal ir viver com a sogra.

Vieram um filho, depois outro Dona Teresa percebeu que aquilo não era vida para ninguém. E então, num golpe que ainda hoje me custa a engolir, encontrou o que para ela era a solução perfeita: mudar-se para o nosso apartamento e deixar o dela para a Leonor. Diz ela que isso é natural o Gonçalo, por ser o filho mais velho, deve zelar pelo bem-estar da mãe.

O pior é que foi com o meu dinheiro que comprei este T2 em Lisboa, antes de casar. O Gonçalo não contribuiu com um tostão. E, mesmo assim, ele parece satisfeito diz sempre: A minha mãe vai ajudar-te cá em casa, vais ver!

Mas eu não quero abrir mão do meu conforto nem partilhar o meu espaço. É o meu refúgio, o lugar onde posso ser eu própria. Agora sinto que estou à beira de perder tudo. Um lar, com sogra por perto, transforma-se num caos tocado de fado triste. Dona Teresa, de pedra e cal na convicção de que tem todo o direito, diz que cabe ao primogénito cuidar da mãe.

Não quero divorciar-me, amo o Gonçalo. Mas como é que faço com que ele abra os olhos? Como lhe explico que, para mim, viver com a mãe dele é um verdadeiro inferno? Se alguém me pudesse dar um conselho Sinto que precisava mesmo.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

1 × two =

A minha sogra decidiu mudar-se para o meu apartamento e dar o dela à minha filha – Mesmo que eu tenha comprado a casa sozinha e o meu marido não tenha contribuído em nada!
A Nora Difícil