Tenho vinte e nove anos. Talvez seja a mulher mais ingénua de Portugal, porque até há pouco tempo achava que na minha família estava tudo bem. E enganei-me redondamente.

Tenho vinte e nove anos. Talvez seja a mulher mais ingénua de Portugal, porque até há pouco achava mesmo que a minha família era um mar de rosas. Enganei-me redondamente O meu marido revelou-se um traidor e um egoísta de primeira linha. Ainda me custa a acreditar que ele me fez isto.
Estamos juntos há dez anos, seis deles casados. O nome dele é Fernando, sempre foi visto como o típico marido cuidadoso e protetor, e não faltava nada lá em casa para mim e para as crianças. Temos dois filhos: um rapaz e uma rapariga. Com a minha ajuda, o Fernando conseguiu abrir uma empresa. O negócio deu frutos e garantiu-nos um bom pé de meia.
Enquanto isso, eu trabalhava como assistente de vendas mas ultimamente decidi abrir a minha própria loja online de roupa. Assim, quando a Sara está na creche e o João a fazer a sesta, ponho mãos à obra e gero algum rendimento.
O meu peso sempre rondou os cinquenta e quatro quilos. Depois de ser mãe, ganhei vinte quilos, e acreditei, como muita gente diz nas novelas portuguesas, que andar atrás de dois miúdos me ia devolver a linha num instante. Enganada! Nada é tão simples nesta vida, não é? Meti na cabeça que ia emagrecer: comi direitinho, fazia caminhadas pela marginal e bebi rios de água, deixei os pastéis de nata na pastelaria. O ponteiro da balança nem se mexia, e eu só suspirava de tristeza. As inseguranças começaram a colecionar-se como selos.
Depois da segunda gravidez, olhava para mim e já não encontrava aquela mulher feminina e cheia de pinta de antigamente. E o Fernando mudou à vista de todos. Beijos e abraços? Esquecidos. Outras manifestações de carinho? Nem vê-los. Já nem me lembro a última vez que tivemos uma conversa a sério. Só falamos sobre horários da escola, lista de compras e o que falta no frigorífico.
Sim, confesso: antes dos miúdos, sentia-me muito mais segura e bonita. Agora, olho-me ao espelho e nem eu me convenço. Vejo bem que o namoro foi pelo cano abaixo, e sabia que precisava de fazer alguma coisa. Um dia, resolvi surpreender o Fernando. Preparei-lhe um almoço especial de bacalhau à Brás e fui levá-lo ao trabalho, toda contente. Quando me aproximei do gabinete dele, ouvi isto:
Amor, não te preocupes, passo por aí depois do trabalho. Disse à minha mulher que ando cheio de serviço. Nem desconfia que tu existes!
Nem entrei. Virei as costas e fui-me embora, a sentir-me mais pequena do que um carapau de duas cabeças.
Será que ele não percebe? Engordei porque dei à luz os nossos filhos! Ele está longe de ser o Tony Carreira, também carrega uns quilos a mais e nunca olhou para os próprios defeitos só para os meus.
E ainda fica a achar que sou tonta?
Não consegui confrontar o Fernando. Não me saía palavra da boca. E agora? Peço o divórcio e os nossos filhos, vão ficar sem pai? Finjo que não se passou nada? Não sei quanto tempo mais aguento esta farsa.
Por agora, decidi que vou cuidar de mim. Inscrevi-me no ginásio aqui do bairro. Primeiro vou mostrar ao Fernando o que ele perdeu e depois logo se vê…

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Tenho vinte e nove anos. Talvez seja a mulher mais ingénua de Portugal, porque até há pouco tempo achava que na minha família estava tudo bem. E enganei-me redondamente.
Zradil a ešte si diktuje podmienky: Príbeh o manželovi, ktorý po nevere tvrdí, že všetko skončilo, a žiada od manželky zabudnutie alebo rozvod – inak jej hrozí stratou domova a stabilného života malej dcérky v Bratislave