Inocente sem Culpa

Inocente sem culpa

Levas a tua filha e vais-te embora. Entre nós acabou, não temos mais nada em comum!

Mas, Miguel

Está tudo dito! E não quero mais ver-te!

A porta bateu com força e Inês vacilou. O chão pareceu rodar debaixo dos pés e, nos ouvidos, soou uma voz distante e tão parecida com a da mãe, quase a gritar: «Não te atrevas!»

Isso trouxe-a de volta. Inês deu um passo com cuidado, depois outro, e sentou-se numa cadeira, cravando as unhas nas palmas das mãos. A dor ajudou-a a recuperar e expulsou o nevoeiro que ameaçava engolir-lhe a alma.

Não! Não podes ceder! Também não podes cair no desespero! Apesar de tudo, como apetecia

Nem penses! Tens a Mariana! E Não, disso melhor ainda não pensar. Por agora, é preciso juntar forças e tentar perceber o que se passou.

O que teria levado Miguel a afastar-se assim, de repente? Porquê tanta rejeição? Ainda ontem, pelo menos aparentemente, tudo corria bem

Ou talvez não?

A cabeça, finalmente, começou a funcionar e Inês pousou as mãos sobre a mesa, com as palmas para cima.

Pronto! Como dizia a mãe, quando não sabes o que fazer analisa! Pensa ponto a ponto, vai contando pelos dedos. Ou melhor ainda, pega num lápis e escreve!

Mas os lápis estavam longe, noutra divisão. E lá dormia Mariana

A filha sempre teve sono leve e Inês não queria acordá-la agora. Mariana começaria a ralhar, a chorar, e já não seria possível refletir com calma no que acontecera.

Ia ter de improvisar.

Inês olhou para as suas mãos e apertou involuntariamente os punhos. Unhas sem manicure há muito, porque, francamente, nunca lhe sobrava tempo para isso. Pele grossa e sardas dos longos dias na horta e no jardim, sob o sol do Ribatejo. Quem diria que adoraria a vida doméstica a ponto de esquecer o que a mãe lhe ensinara.

Inês, és uma mulher!

Não! Sou uma menina!

Por enquanto, filha. Daqui a pouco és crescida. Primeiro rapariga, depois mulher, como eu. Mas não podemos desleixar nunca! Manicure, pedicure, cabelo arranjado! Mãos bem cuidadas dizem mais sobre ti do que roupa cara. Não ponhas fios de ouro se não lavas o pescoço há uma semana! Percebeste?

Sim, mãe! Inês, com oito anos, pintava os lábios ao espelho com o batom da mãe.

E isso é cedo demais! ria a mãe ao tirar-lhe o batom. Essa cor não é a tua! E ainda nem chegou o tempo para te pores a pintar. Tudo a seu tempo! Cresce, depois escolhemos a tua maquilhagem.

Mas, mãe

Pronto, acabou-se a conversa!

Não ouvia a mãe dizer isso tantas vezes assim, mas quando ouvia, sabia que de nada valia insistir. A mãe era mulher de palavra.

Sempre

Inês, vou-me embora uns tempos. Vais ficar com a avó. Tem de ser.

Mãe, vai demorar? Inês, no dia anterior completara dez anos, e apertava o vestido entre as mãos, mordendo o lábio para não chorar.

Uns seis meses. Ofereceram-me um trabalho muito bom. Mas é no norte, e não te posso levar. Vais ficar melhor com a avó. Eu ligo-te e mando cartas, está bem?

Mãe, não vás

Inês acabou por chorar e a mãe, sem saber como acalmar, perdia a paciência.

Basta! Não tenho outra escolha! Se não aceitar este trabalho agora, nunca vamos sair de casa da avó! Quero um quarto só para ti! E que possamos ir à praia! Se o pai fosse vivo, não pensaria nisto. Agora sou só eu por todos por ti e pela avó!

E a tia Teresa?! Inês abanava a cabeça, sem querer ouvir mais nada.

A tia Teresa tem as dificuldades dela. Também lhe temos de ajudar!

Então, ajuda-me a mim e fica! escapou-se-lhe, e viu pela primeira vez o olhar da mãe endurecer.

Inês! O tom gelou a menina por dentro. Não se pensa só em si! Acredita, isso está errado! Se nunca te lembrares de ajudar outros, também ninguém te ajuda quando precisares. Percebeste? Estou, acima de tudo, a pensar em ti, filha! Quero que nunca te falte nada! o tom suavizou ligeiro e puxou-a para um abraço. Prometo que é a primeira e última vez. Aguenta um bocadinho, pequenina. Tem de ser!

A Inês não restou senão acenar com a cabeça, aceitando, apesar de sentir no peito uma matilha de gatinhos a arranhar-lhe tudo por dentro.

Inês escrevia cartas à mãe e ao fim de semana, com o telefone na mão, gritava-lhe as saudades. Até do seu gelado favorito deixou de querer saber. O tempo parecia não passar. Quando a avó anunciou que iam ao aeroporto buscar a mãe, a menina soluçou tanto que tiveram de chamar um táxi. Custava demasiado acalmá-la

Palavra dada, palavra cumprida. A mãe nunca mais se ausentou tanto tempo. Vieram algumas viagens de trabalho, mas nada semelhante àquela separação.

Mudaram-se, de facto, do minúsculo T1 herdado do pai para um apartamento maior. Inês ganhou o seu quarto, mas pouco lá parava. Mal chegava da escola, pegava nos livros e ia para a cozinha esperar a mãe, e ali passavam as noites. Por vezes, em silêncio, se a mãe trazia trabalho para casa.

Estavam tão bem juntas

A adolescência não trouxe grandes dramas. Quase não houve discussões, porque a mãe de Inês, com o seu jeito paciente e terno, revelava uma bondade e amor inesgotáveis que Inês, já adulta, ainda hoje venera. A avó já tinha partido, e as duas ficaram completamente por conta própria.

A mãe acabou por afastar-se da irmã.

Inês nunca insistiu em saber a razão. Apenas uma vez, perguntou e recebeu resposta simples:

Perdoa-se quase tudo, menos a traição.

E a tia Teresa, o que fez?

Traiu a nossa mãe. Tua avó. Esta quis despedir-se, fazer as pazes, mas Teresa não veio

Porquê?

Temia que lhe pedisse para ficar e ajudar. Também era obrigação dela. Mas não quis ver a mãe naquele estado. Não conseguia dar-lhe banho, alimentar à colher, ver a razão abandoná-la Não conseguia ver quem sempre foi nosso suporte ficar assim.

E tu conseguiste?! indignação de Inês não cabia no peito.

Nem eu consegui a mãe olhou de frente, mas os lábios tremiam tanto que Inês se apressou a abraçá-la. Não queria, nem fui capaz de a ver assim. Mas não tive escolha, percebes? Nenhuma! Era minha mãe! Devias ter ido tranquila, rodeada de quem amava Mesmo que já não reconhecesse os rostos

Foi por isso que só me deixavas ver a avó uns minutos por dia?

Sim. Não queria que a recordasses daquele jeito.

Nem ficou essa imagem, mãe. Só me lembro dela a ensinar-me a fazer compota e a tirar-lhe a espuma com uma colher pequenina. Assim cheirava melhor, dizia ela.

Eu e a Teresa também fazíamos isso em pequenas

Não percebo! Criou-vos igual, amou-vos, poupou-vos, ajudou-vos Como são tão diferentes?

Acontece, Inês. A mãe sempre poupou tanto a Teresa porque ela era sempre frágil. Talvez tenha querido poupar-lhe tudo, não só as anginas Não sei

Valeu a pena?

O quê?

Proteger assim?

Não. Sabes como foi a vida da Teresa. Dois casamentos, três filhos, sempre tudo complicado Talvez, se a mãe não tivesse posto tantas almofadas à volta das dificuldades para ela, quem sabe? Talvez, ao encarar um problema de frente, as coisas saíssem melhor? Olha, só te digo: vou sempre apoiar-te, se precisares. Mas não me peças para resolver tudo por ti. Dificuldades? Pensa bem antes de pedir ajuda. Não consegues? Eu estou aqui. Sempre… Entendeste?

Sim, mãe

E agora Inês estava ali, a pensar. Um por um, ia tentando descobrir onde tudo se tinha desviado do caminho.

No dia anterior, tinham festejado o aniversário de Miguel. Não era uma data especial, apenas um jantar em família. Aproveitavam o verão. A casa grande, que terminaram de arranjar há um ano, tinha espaço para todos.

Vieram a mãe de Inês, a sogra e a irmã de Miguel, com o marido e filhos.

Mariana, radiante por ter companhia, corria pelo quintal a questionar tudo:

Eles já chegam? Falta muito? Vamos à piscina, mãe?

As perguntas eram tantas que Inês, a dada altura, desistiu de responder. Para quê? Mariana não só perguntava, como respondia, arrumando o seu quarto porque não se pode receber visitas com a casa desarrumada!

Miguel foi ao mercado e a azáfama na cozinha começou. A mãe ajudava e perguntava-lhe como se sentia.

Mãe! Porque te preocupas tanto? O que se passa? não aguentou Inês.

Tudo bem, filha! sorria a mãe. Quantas semanas tens?

Inês percebeu que o segredo não era mais só seu, nem segredo. Ficou tudo mais leve e ela abraçou a mãe a rir.

Três semanas só. Nem disse ao Miguel. Como descobriste?

Estás a brilhar, filha, como quando esperavas a Mariana.

Mãe, tenho medo

Medo de quê, tolinha? Está tudo bem!

Não sei Sinto um aperto, o Miguel anda estranho. Não sei o que se passa.

Já lhe perguntaste?

Ele não fala!

Então não perguntas como deve ser!

Mãe!

Não tenho razão? Tens um marido amuado e não consegues arrancar-lhe o que se passa? Não te ensino nada, filha! Não deixes afastar quem amas! Se o deixas ir, outro pode ouvi-lo e sabe-se lá no que dá

Inês dobrou mais um dedo. Hmm Tinha começado por aí, com esta conversa! Tinha dúvidas antes, mas não lhes ligou. Quando a mãe lhe disse para falar com o marido, era isso que devia ter feito.

Mas não chegou a tempo Primeiro, a festa, depois a grande arrumação, e nunca encontrou aquele minuto para o agarrar pela mão e perguntar o que havia.

Depois, ele disse aquilo algo que ela nem percebeu.

Leva a tua filha!

Como é? O que era aquilo?

Inês cerrou os punhos. Não, agora ia fazer tudo direito! Como a mãe lhe ensinou. E, em primeiro lugar, ia falar com Miguel! Bastava de dúvidas e meias palavras!

Miguel já estava a pôr o carro fora da garagem e prestes a sair, quando Inês saltou para a rua e gritou, assustando até os melros do jardim.

Espera!

Saltou o degrau, correu até ao portão.

Miguel olhou espantado, de boca aberta, quando ela travou em frente ao carro, pondo as mãos sobre o capot.

Sai disse ele, por detrás do vidro, com voz baça, mas Inês reconheceu. Não queria, ele, sair de verdade. Nem abandonar a família.

Sai! Temos de falar, enquanto a Mariana não acorda! O que estás para aí a inventar? Para onde vais?! O que é isto? Sou tua mulher ou uma estranha?!

A voz de Inês subia. Miguel sentia-se a encolher por dentro.

Havia alguma verdade no que dissera a irmã? A Inês gritava-lhe assim, se não gostasse mesmo dele? Se só esperasse liberdade, por que o parava? Não queria também que a Mariana ficasse com o pai?

Acabou por sair do carro e rosnou, a responder às perguntas da mulher:

Como se tu não soubesses por que faço isto!

Se soubesse, não perguntava. O que se passa contigo Miguel? Há semanas que não és tu próprio! Vens e lanças aquilo: “leva a tua filha”, como se não fosse também tua! O que queres dizer? Quem é a Mariana para ti?

Não sei! explodiu Miguel, finalmente encarando-a. Diz-me tu! De quem é a Mariana? O pai dela encontra-se às escondidas com ela?!

Mas o que estás para aí a dizer?! espantada, Inês deixou o ar faltar, mas conteve-se.

Com quem te encontras tu depois das aulas da Mariana na cidade?

Inês abafou a revolta e forçou-se a manter calma.

Ah, já percebo! Quem te “abriu os olhos”? A tua mãe? Ou foi a tua mana, Sofia?

A minha mãe não tem nada a ver!

Pois a Sofia!

Mesmo que fosse! Ela só me quis alertar para o que viu! Sou o irmão!

E eu sou tua mulher! a raiva agora era um fogo. Acreditas em toda a gente, menos em mim. É isso?

Mentiste-me!

Eu?! Diz-me, por favor, onde te menti?!

Quem é o homem com quem passeiam no parque duas vezes por semana com a Mariana?

Inês suspirou e abanou a cabeça:

Já te expliquei isso, Miguel! Não estavas nem a ouvir, pois não?

Quando foi? O que disseste?

Estavas com o futebol, Liga dos Campeões Eu disse-te que revi um antigo colega, o Ricardo. Esteve anos fora, regressou por a mãe dele estar doente. Ele soube que a minha avó teve o mesmo problema, pediu-me contactos do médico e de um cuidador. Encontrámo-nos para isso. Se a Sofia reparasse melhor, via que estivemos sempre com a minha mãe! A sério achas que me encontraria com alguém às escondidas, e ainda por cima com a minha mãe ao lado? Ela não me perdoaria, nunca! Por vezes, até parece gostar mais de ti do que de mim! Sempre te respeitou e admirou! E tu

Inês fez sinal de desdém e assoou-se.

Não ia chorar, não agora!

Espera! Queres dizer que

Já te expliquei tudo, Miguel! interrompeu-o, desta vez fixa e dura. Deste ouvidos à maldade. Assim, sem mais, esqueceste o que nos une e puses-te em causa o amor e o nome da nossa filha. Percebes o que fizeste?! Não sei porque a tua irmã inventou esta farsa e não quero saber. Ela veio cá, trouxe a discórdia, e nem sinal do que estava a tramar! Mas o problema maior não foi esse. És tu, Miguel! Precisas de teste de paternidade? Vamos lá! Quero que não restem dúvidas aquela filha que vê o mundo pelos teus olhos é mesmo tua!

Inês escutou e suspirou.

Pronto, acordou.

Virou costas e entrou em casa, deixando o marido atónito no pátio.

Minutos depois, ouviu o carro a afastar-se.

Mariana cantava qualquer coisa, abraçada à mãe, exigia atenções, mas Inês só desejava gritar.

Como se chegou aqui? Onde errou? E agora, que fazer? Ligar à mãe? Contar tudo? Ou esperar para pensar melhor?

«Nunca me contes discussões com o Miguel até teres a certeza de que acabou mesmo. Nessa altura liga, vou depressa de noite e de dia! Até lá, silêncio. Vocês podem discutir e fazer as pazes. Se eu souber, não perdôo. Nunca mais confio nele já que magoou a minha filha!»

Inês rolou o telefone na mão e pousou-o de lado. Ainda era cedo Miguel tinha de saber que ia ser pai de novo. Depois pensaria no resto.

Decidida, acalmou-se. Quando o carro do marido entrou outra vez pelo portão adentro, Inês já estava melhor.

Estava a dar de comer à filha quando Miguel entrou, arrastando literalmente a irmã.

Vai à frente! Inês, onde estás?

Aqui Inês olhou para a filha e percebeu logo que não era bom, se a Mariana testemunhasse aquilo tudo.

Filha, acabaste de comer? Vai para o meu quarto ver desenhos animados, sim? Consegues?

Sim! Mariana afastou rapidamente o prato com brócolos e correu escada acima. Olá, pai! Olá, tia Sofia! A mãe deixou ver desenhos!

A voz da menina ajudou a arrefecer um pouco o ambiente. Miguel largou a mão da irmã, Inês apressou-se a evitar mais disparates do marido.

Vai, Mariana! Já vou ter contigo!

Não é preciso pressa, mãe! disparou Mariana, sorrindo à tia, enquanto subia para o quarto dos pais.

Seguiu-se uma conversa difícil. Sofia chorava, Miguel resmungava, Inês não sabia como reagir às confissões da cunhada

Achei mesmo que me estavas a enganar com ele! Percebes? Há tantas famílias assim, marido feito parvo, mulher faz o que quer! Ouvi tanta coisa das amigas que já nem sei em quem confiar!

Então achaste que era igual às tuas amigas, Sofia? Diz-me, tu própria enganaste o teu homem? Os filhos são todos dele?

Sofia ficou boquiaberta e até as lágrimas secaram de surpresa.

Que disparate é esse?!

E tu? Percebes o que podias ter causado com esta brincadeira? As culpas do Miguel são óbvias acreditou em ti! Em quem acreditaria, senão na irmã? Mas tu aproveitaste essa confiança para lançar a dúvida. Para quê?

Não sei Sofia chorava sem esconder dos outros. De verdade, parecia-me que estava a defendê-lo

De mim? E? Resultou?

Inês encolheu os ombros e olhou para o marido.

Esclarecidos? Mais perguntas para mim?

Inês

Não, Miguel! Agora, sou eu que estou magoada. Preciso de tempo para perceber o que fazer. Sofia, não quero ver-te cá em casa, por enquanto. Percebes tudo o que se passou, não precisas de explicações.

Desculpa, Inês.

Vou pensar nisso. Agora, podem ir.

Levantou-se, abriu a porta e fitou Miguel:

Tu também. É tudo claro. Vai

Acabou por fazer as pazes com Miguel. Não de imediato, e com novos acordos. Ninguém, exceto Sofia, jamais saberia o que aconteceu. Porque, às vezes, não se deve lavar roupa suja fora de casa. A essa lição, Inês agradeceu à mãe.

Meses depois, a mãe de Inês recebeu o neto recém-nascido ao colo, falou de como o menino era parecido com o pai e, de canto, sorriu à filha:

Cresceste tão sábia e és uma ótima companheira e mãe

Achas mesmo?

Alguma vez te menti?

Mãe, o que significa ser sábia, afinal? Chamaste-me isso, mas não sinto nada disso!

A sabedoria da mulher, filha, está em guardar o que a vida lhe dá. Filhos, família, casa, amigos Juntar à volta, acolher, cuidar e dar calor. É difícil! Porque nunca se sabe o que merece ser guardado e o que é melhor esquecer, para não estragar o que se tem. Mas acho que aprendeste isso.

Achas?

Tenho a certeza! Ah, ligou o Ricardo, convida-nos para o casamento. Vai ser daqui a um mês, pediu para dar-te os parabéns!

Mãe

Nada de lamentos! Fico com os miúdos! Agora, faz-me um favor, por amor de Deus

O quê, mãezinha?

Trata mas é dessas mãos!

Prometo!

Inês abraça a mãe, acena ao marido e à cunhada, que paira no canto envergonhada, e pisca o olho à Mariana:

Anda! Vais ajudar-me a deitar o teu irmãozinho.

Posso? e Mariana, toda contente, afaga a mãozinha fechada do bebé.

Deves, filha! Deves…

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