Mede com a alma, confere com o juízo
Ai, meninas, a minha sogra está completamente fora de si! Ontem apareceu-me lá em casa com uma panela de caldo verde! Que vos parece? O meu caldo verde não lhe chega. O menino dela só gosta do dela! Beatriz afastou a chávena de café e puxou o copo de vinho do Porto para perto. De onde vêm estas senhoras, digam-me lá! Será que todas vamos ficar assim? Se sim, levem-me logo para o monte, que é para não acertar mais no caminho de casa!
Oh, Bea, acalma-te! Clara deu-lhe uma palmadinha reconfortante na mão. Deve ser da menopausa ou então anda entediada. O teu marido é o único filho dela, agora que há-de fazer senão implicar? Olha, aproveita! Assim até cozinhas menos. Vai lá, agradece-lhe e pede mais!
Pois sim! Qualquer dia muda-se para nossa casa! Chega-me o borburinho que ela faz agora. Lembras-te do conjunto que comprámos antes do Natal?
Aquele conjunto de algodão?
Isso. Ela deitou-o fora!
Como assim?! Clara derramou o chá verde ao lado da chávena da Sofia e a toalha ficou salpicada de um amarelo pálido.
Ah, aquilo fazia mal à saúde! As cuecas não eram do modelo certo! Beatriz soltou uma risada nervosa. Nem lhe disse quanto tinha custado. Engolia-mo logo ali!
És uma insatisfeita riu Clara. Preocupa-se com a tua saúde e nunca nada está bem.
E o que é que ela anda a mexer na tua gaveta da roupa interior?
Pergunta-lhe! Beatriz atirou o guardanapo para cima da mesa e começou a limpar a nódoa na toalha. Ai, que disparate! Depois nunca mais sai!
Deixa isso por agora. Sofia, que até então se mantivera em silêncio, tirou-lhe o guardanapo e chegou-lhe a chávena do café. Estás uma pilha de nervos, Beatriz! Assim não pode ser.
Nem imaginas Quando morávamos no apartamento, era tão sossegado! Ela não ia lá. Eu podia andar pela casa a planear os bolos por horas e horas, e ninguém mo estragava. Não percebe que trabalhar de casa é trabalho verdadeiro. E se eu ganho quase tanto como o filho dela, ela não quer saber. Desde que comprámos a casa, sinto-me… como uma ameba sob o microscópio. Entra quando quer, faz o que lhe apetece, sob o pretexto de que ajudou com a entrada da casa. Agora estou em dívida eterna. Beatriz suspirou.
Troca as fechaduras.
Não vale a pena. O meu marido dá-lhe sempre uma chave. E depois ficava tudo ofendido. Até dava vontade de pedir o divórcio!
Então vê mas é se te fazes à vida! Que conversa é essa? Bea, tu eras a rapariga mais arisca do liceu! Que é feito dessa garra?
Queimei-a na lareira das esperanças goradas. Beatriz deu um grande gole no vinho e soltou um suspiro. Pronto, pronto, estou a dramatizar. Tenho de resolver isto de vez, que ando a ficar passada. Qualquer dia o meu próprio filho foge de mim. Ontem perguntou, “Mãe, porque estás zangada?” Que hei-de dizer? “A avó está a dar comigo em doida”? Vocês têm razão assim não vou lá.
Pois claro! Sabes o que faço? Arranjo um órfão, só para não ter sogra a cozinhar por mim! Clara riu e fez sinal para o empregado. Vamos, um docinho para animar os nervos!
Boa Beatriz secou os olhos com a ponta do guardanapo e esboçou um sorriso. Queres ver o bolo que fiz para o último casamento? Nem consigo acreditar no que sou capaz às vezes!
As amigas curvaram-se sobre o telemóvel para ver as fotos.
Uau!
Tu és uma artista! O que é isto aqui? Como é que este bolo tem essa parte suspensa? Lindo demais!
Segredo profissional! O meu filho é que ajudou. Estava ele a montar um kit de Legos, e eu inspirei-me! Só não me perguntem como é que o transportei. Mas já tenho seis encomendas para os próximos dois meses. Só não sei como vou dar conta do recado
Põe a sogra a tomar conta do neto! Assim ocupa-se e não te chateia!
Clara, és ingénua! Beatriz riu-se alto. Se fica com o miúdo, de repente aparecem-lhe mil doenças!
E se o enviares com o pai até à casa da avó?
A mão de Beatriz ficou suspensa no ar.
Sofia! Brilhante! Assim não andam à minha volta e ela pode dar-lhe o caldo verde que quiser no sítio dela, nas taças dela, tudo “como deve ser”. Basta enfiar uns rebuçados ao pequeno, e já sei que ela não descansa!
Riram todas sabiam melhor do que ninguém o efeito do açúcar no filho da Beatriz. Era capetinha escrito. Não havia festa de crianças onde a Beatriz não controlasse quantos doces o rapaz enterrava.
E tu, Sofia? Clara virou-se para ela. Passaste o encontro todo calada. A tua sogra, não implica?
Oh, mal tive tempo… Ainda só passaram uns meses desde o casamento. Sofia lambeu a colher do pudim, e franziu a testa. Que exagero de açúcar nesta sobremesa!
Devias ir ensiná-los! Clara riu, mas logo mudou de expressão ao fitar Sofia. Que se passa?
Não sei, meninas Sinto tudo demasiado calmo. Ouço a Beatriz e penso que devia estar preocupada, mas não estou.
Pode ser que tiveste sorte! Sogra ajuizada, calha a poucas. A da Beatriz é peça rara.
Sofia lembrou-se do dia do seu casamento e das palavras da sogra: Dona Margarida.
Sofia, não sou um pastel de nata nem uma moeda de ouro para cair no teu gosto. Ainda nem me conheces. Sou, vá, um tanto ranzinza e melindrada, vai levar tempo até encontrarmos entendimento. Mas, para mim, acima de tudo está a família. E o Pedro, se te escolheu, foi por algum motivo. Não vejo ainda grandes virtudes, para além de seres bonita e inteligente, já que terminaste a faculdade com distinção. O resto, o tempo dirá. Não te darei conselhos sem me pedires. Ajudar, sim, se precisares. O resto veremos.
A honestidade da Dona Margarida apanhou Sofia de surpresa. Não era normal alguém falar assim consigo próprio, e logo para alguém praticamente desconhecido.
Sofia e Pedro conheceram-se num casamento de amigos. Ela estava de parte, equilibrada nos saltos altos, quase uma cabeça acima dele.
Então, não vai tentar apanhar o ramo? Não quer casar?
Não quero.
Todas sonham nisso, não?
Casar? Estranha ideia Muitas não querem o anel no dedo; querem ser amadas, queridas. Só isso.
E não se diverte nas tradições?
Com estes saltos, é um milagre não cair. Saltos e correrias não combinam.
Ficaram toda a noite a conversar. Ele acompanhou-a até casa e despediu-se beijando-lhe a mão.
Sofia ficou acordada, a mão acariciando o lugar do beijo, a imaginar o que a avó diria.
Diria: “Até que enfim!” murmurou Sofia, recordando o olhar terno da avó Leonor.
Leonor criou Sofia sozinha, depois que perdeu o filho, e a Nora foi trabalhar para Londres. Os primeiros anos ainda mandava cartas, uns trocos, pequenos presentes, mas depois calou-se. Por pouco, não avançou com um pedido às autoridades, mas, um dia, chegou uma carta; a mãe de Sofia sentia-se culpada, dizia que ia casar de novo e estava grávida. Sofia, miúda, animou-se, mas cedo percebeu: só tinha mesmo a avó. Anos sem cartas, sem notícias, nunca soube nada da mãe. Teve vergonha; adolescente, foi injusta com a avó, devolvia-lhe toda a mágoa, não a deixando ter descanso.
Quando a avó adoeceu, Sofia tinha 15 anos. Tudo virou do avesso. Acabaram as festas, só restavam hospitais, medicamentos a horas, estudos. Aí Sofia acordou para a vida. A avó aguentou três anos, mais do que os médicos previam, e foi embora enquanto Sofia já estava na faculdade.
A mãe só apareceu dois meses depois do funeral.
Não consegui deixar os meus filhos
Ficou indignada quando soube que Leonor deixara a casa e o mini-terrento em Sintra à neta.
Injusto. Devias dividir, filha.
Sofia perdeu a cabeça. Desabou, gritou tudo o que guardou aqueles anos. Lembrava-se das noites junto à cama da avó, a escutar o seu respirar frágil:
Bate! Não pares! Enquanto bater, ela está aqui!
Sofia sabia que era egoísmo puro, mas o medo falava alto. Sabia que ficaria só. Sem mãe, sem família.
A mãe ouviu tudo, arrumou as malas e desapareceu para sempre.
Passados uns meses, Sofia recompôs-se. Prometeu à avó que estudaria, e, a trabalhar e estudar, arranjou emprego com a ajuda da Clara, cuja família tinha uma grande loja de móveis.
O meu pai acha que nada vai sair daí, mas eu confio em ti, Sofia!
Clara era uma força da natureza nos negócios, mas não tinha sorte no amor.
Só me calham homens estranhos. Se aparecer um, agarro-o! Preciso despachar isto, já era tempo de ir para o terceiro filho!
O sonho de Clara era uma casa cheia, pela qual trocava o escritório de advogada sem hesitar.
Clara, Beatriz e Sofia eram a família umas das outras. Desde a escola, coladas. Clara, criada em abundância; Beatriz, por mãe solteira, muitas vezes a pão e água. Sofia no meio. Beatriz quase vivia em casa da Sofia. Ao sábado, Clara aparecia, e toda a gente comia do mesmo tacho e elogiava os bolinhos da avó Leonor.
Quando foi tempo da mãe de Sofia tentar anular o testamento, Clara disse logo:
Que tente! No tribunal não escapa!
Deixa estar, Clara. Ela percebeu tudo.
Sem dramas, só ficou Sofia, Clara, Beatriz, e mais tarde, Pedro, com quem Sofia casou depois de dois anos. No casamento, foi Clara quem apanhou o ramo e logo laçou o braço no amigo mais próximo do noivo.
Vens dançar?
Sofia e Beatriz trocavam sorrisos e faziam figas por ela sem sucesso, porque, após um mês, Clara despachou o rapaz.
Não serve!
Conhecendo-a, ninguém insistiu. Quando passava lá em casa, Clara ignorava-o.
Mas porquê, Clara? Ele é boa pessoa
Atenção a esse “boa pessoa”, Sofia. É turvo.
Sofia não via o que a amiga insinuava. O tal, Miguel, era prestável, sempre de boas piadas, ajudava onde precisava. Dava-se bem com Dona Margarida, elogiava Sofia, embora esta notasse que Dona Margarida franzia o sobrolho.
Passaram dois anos, Sofia engravidou. Foi tão inesperado; já preparava FIV, os médicos diziam que dificilmente teria filhos naturalmente. Pedro apoiou sempre. E, de repente…
É um milagre, Pedro! Sofia chorava abertamente, diante de Dona Margarida, no aniversário do marido. Ofereço-te isto!
Melhor prenda! Pedro abraçava-a, mas lançou um olhar à mãe, que abanava a cabeça.
O que se passa, mãe?
Não sei, filho. Apanhou-me desprevenida.
Então?…
Virou-se para ele, olhos fixos, e perguntou:
Confias na tua mulher?
Mãe!
Confias nela?
Totalmente. E se volto a ouvir isso, acabaram-se as conversas! Pedro desviou a carrinha de um buraco e cruzou o olhar com ela. Não percebo, mãe. Devias era estar feliz.
Estou, filho Agora sim, estou a ficar feliz e perdeu o olhar na noite em Lisboa.
Nasceu Martim, e Sofia mergulhou na maternidade. Dona Margarida não se impunha, mas sempre que Sofia precisava, aparecia.
Oh, Sofia! Olha cá, está acordada? Clara acenava à frente dos olhos da amiga.
Estava a pensar Vamos mudar de assunto. Clara, então e os teus pretendentes?
Desviando a atenção, confirmou a hora nem um telefonema de Margarida. Era ela que a incentivara a sair.
Vai, diverte-te! Fico eu com o Martim.
Obrigada as palavras faltavam-lhe. A relação com Dona Margarida era cordial, mas sentia sempre um pequeno calhau entre elas, imperceptível mas afiado. Não sabia o que era; só sabia que magoava se pisasse forte.
Meia distraída, ouvia Clara rir das suas aventuras amorosas. Algo inquietava Sofia. Se tudo estava bem, porque sentia este incómodo?
O telefone tocou estrondoso, fez quase tombar o copo na mão.
Sofia a voz de Dona Margarida vinha abafada. Sofia
O que se passou a seguir foi como um borrão na memória. Não se lembrava das amigas a abaná-la, de Beatriz a dar-lhe água gelada, de Clara aos gritos no telemóvel a chamar táxi, tentando resolver, decidir. Recorda chegar a casa, ver Margarida envelhecida, que passou o neto para Clara e pediu:
Vens comigo? Tenho medo
Pedro despistara-se, caiu num buraco na estrada e embateu de frente com um camião. Sofia dissolveu-se numa neblina de dor. Chorava escondida do filho, depois limpava a casa com fúria. Sugeriu a Dona Margarida que ficasse com elas uns tempos, mas recusou.
Não aguento. As coisas dele, o quarto dele, parece que ainda vai entrar na cozinha a pedir filhoses.
A mim nunca pediu
Cada uma tem de guardar o seu, não é? Margarida sorriu tristemente. Dizia que as tuas eram melhores.
Martim andava entre elas, tateava as suas faces, tentando perceber o que se passava e perguntava pelo pai.
Sofia, vendo como a avó se apegava ao neto, pediu-lhe que ficasse mais vezes com ele. Viu que era o certo.
O tempo foi amenizando. O Natal aproximava-se, e Sofia estava pior. Lembrava-se dos planos para passarem o Ano Novo na Serra da Estrela, a concretizar o sonho antigo do marido aprender a esquiar.
Tu passeias com o Martim, fazes bonecos de neve, e eu desço as pistas.
Aprende antes a estar de pé, depois conquista as montanhas! Sofia brincava.
A vontade era gritar, mas vendia as viagens; aí Margarida interveio.
E se formos, os três, para outro lado? Ser-nos-ia bom um pouco de ar novo, distrair o Martim. Primeira vez que talvez vá recordar um Natal.
Sofia aceitou.
O Porto invernoso recebeu-os com chuva. Só uma vez conseguiram ir à Foz, ver o Atlântico cinzento e as ondas revoltadas.
Que mar, minha Nossa dizia Sofia, ajeitando o gorro do Martim. O menino saltava, de olhos brilhantes para ela, assombrado pelo mar.
Forte, Sofia… é uma força maior… Margarida envolvia-se nos braços, imóvel diante do mar. Sofia aproximou-se e abraçou-a, gesto raro, nunca fora chegada a tal.
Margarida reclinou a cabeça para trás, apoiada no ombro de Sofia.
Ainda bem que vos tenho…
Tem?
Sim, Sofia. Fiquei quase sem nada. Por pouco não perdia também vocês.
Não entendo
O Miguel! quase cuspiu o nome. Sofia estremeceu.
O que é com o Miguel? Sofia tentava lembrar da última vez que o vira, mas já lá iam meses.
Ele veio cá. Pouco tempo depois… Queria falar comigo.
Para quê? Ajudar?
Não, Sofia Margarida virou-lhe o rosto. Para dizer que o Martim não era filho do Pedro.
Sofia sentiu o corpo gelar.
E acreditou?
Se eu acreditasse estavas agora aqui ao meu lado? Margarida avançou, apertou-lhe as mãos. Apercebi-me nos olhos dele que era mentira. E o Pedro sempre confiou em ti. Não pediste, mas quero estar convosco, Sofia. Preciso mais eu, mas peço
Não tem que pedir, Margarida. Sofia respirou fundo. A minha avó dizia, “Família que é família está ali, está junto. O resto é só teatro.”
Não quero que também sejamos só show… Margarida apertou Martim contra si. Tens frio, menino? Vamos andando senão há jantar para ninguém! Fala-me da tua avó, Sofia.
Caminharam pelas ruas húmidas, a conversarem como nunca antes.
A meio da conversa, Sofia perguntou:
Porquê, então? Porque fez ele isto?
Não sei, Sofia. Às vezes o mal nasce do nada. É só maldade. Não lhe perguntei, não quero saber. O Pedro foi sempre melhor, destacou-se, talvez fosse inveja. Não interessa. Estou feliz que tenha desaparecido da nossa vida.
Eu também.
Sofia não contou que Miguel lhe aparecera, e que Clara, vivendo com ela, o pusera na rua. O que realmente se passou entre eles, só Clara sabe. Apenas recorda ver a amiga de olhos inflamados, voz ríspida:
Não vale a pena pensares nele. Não é teu amigo, nem teu inimigo. É pior.
Agora, Sofia compreendia.
Os dias restantes tiveram sabor a partilha. O Martim, ora pendurado ao pescoço de uma, ora de outra, tentava decifrar o que mudara. Elas, cheias de memórias de Pedro e do futuro, afagavam o menino e conversavam como nunca.
Seis meses passaram-se. Sofia revirou o velho armário, calçou, com adrenalina, uns sapatos de salto que jaziam na caixa.
Sapatos de tortura chinesa!
Quem quer ser elegante, aguenta! riu Dona Margarida, ajudando-a com o vestido.
E não posso ir de sabrinas?
Vais varrer o chão, isto é comprido. Levas as sabrinas, depois mudas.
Pegou na mão do neto, apontou para o ramalhete.
Pega lá, se não ainda chegamos atrasadas.
Nem pensar! Sofia precipitava-se. A Clara nunca me perdoaria! Diz que espera a vida toda por este dia e eu falhar?!
O casamento da Clara estava exuberante e apressado. Atrasos na conservatória, anéis trocados em cima do joelho, Martim inchado de importância a levá-los, convidados sentando-se com pressa, presentes entregues a correr. Mas depois, serenou tudo. Sofia, como dama de honor, aproximou-se de Beatriz junto ao bolo.
Tudo bem?
Melhor que nunca! Fiz as pazes com a sogra para garantir bolo! Beatriz ajeitava o suporte, virando o bolo. Ninguém faz nada como eu quero!
Passou-se o quê?
Olha o bolo. Estragaram-no no transporte, parece borracho Passei três dias nisto, e agora…
Mas está um primor, Bea! Clara apareceu, de mansinho.
Que susto! Queres ser madrinha antes de tempo?
Hoje não! Hoje sou estrela. Porque estás triste?
Nada Bea aproximou-se da mesa para tapar o bolo.
Clara riu e rodou o dedo à frente do nariz da amiga.
Fui eu! Não resisti. Provei e estava divinal!
Sua malandra! Beatriz fingiu escândalo.
Castiga-me depois! Vou dançar! Clara escapou para o noivo.
Que se faz desta mulher
Beatriz tombou numa cadeira.
Os teus, Sofia?
Na pista.
Como estás, Sofia?
Estou bem, Bea. A sério.
Já lhe chamas mãe?
Ainda me envergonho.
Tolice! Se tivesse uma sogra como a tua…
Sofia parou por instantes. Observando Dona Margarida a dançar com Martim, assentiu como quem descobre uma verdade.
Mãe
Disse-o em voz alta, como para testar. Apanhou o olhar atento de Beatriz, concordou consigo própria e repetiu, decidida:
Mãe.






