Beatriz, professora de matemática, estava animada para comemorar o aniversário da sua querida amiga e colega, com quem partilhou o caminho até à escola, lado a lado, ao longo de quatro décadas. Logo pela manhã, Beatriz escolheu com cuidado uma blusa e uma saia elegante. Apesar da tempestade recente e das poças na rua, dirigiu-se à pastelaria para comprar um bolo e flores para surpreender a amiga.
Enquanto caminhava pelo passeio molhado, um carro conduzido por uma mulher loura passou velozmente, levantando uma onda de lama que sujou tanto Beatriz como as suas prendas. Com arrogância, a condutora ainda comentou: Avó, onde vais tão arranjada? Já é tarde para isso! As avós deviam estar em casa a esta hora.
Chateada com a falta de respeito, Beatriz replicou: Tenho coisas valiosas para fazer! Devias sentir vergonha. De imediato, a situação intensificou-se, com a mulher a censurá-la por ter passado por ali. Nesse instante, um senhor alto e bem-apessoado saiu da casa vizinha. Mal reparou nele, a mulher loura mudou de atitude e ensaiou um sorriso falso.
O homem, intrigado, perguntou: Aconteceu alguma coisa? Rapidamente, a loura respondeu: Esta velhota criou confusão e agora está a incomodar-me. No entanto, ao olhar atentamente para Beatriz, o seu rosto iluminou-se de surpresa: Beatriz! Que alegria reencontrar-te! Abraçou a professora que nunca esqueceu e, ao perceber que a mulher loura sua secretária tinha ofendido Beatriz sem intenção, começou por se desculpar sinceramente em nome dos dois.
Tomando a responsabilidade pelo comportamento da funcionária, pediu à loura que se desculpasse também. Contrariada, esta murmurou um fraco Desculpe. O senhor, achando o comportamento inadequado, decidiu dispensá-la do emprego. Ajudou então Beatriz a regressar a casa, esperou que se trocasse de roupa e ofereceu novas flores e um grande bolo para celebrar o aniversário da colega, como devia ser.
No final daquele dia, mais importante do que qualquer presente, Beatriz percebeu que o respeito e a consideração pelos outros são tesouros muito maiores que qualquer bem material. E que, por vezes, os gestos sinceros de carinho têm o poder de transformar até o pior dos dias.







