Nora musí vstávať o dve hodiny skôr a chodiť spať o dve hodiny neskôr ako jej “mama”

Denník:

Deň pred prázdninami prišiel Peter s nápadom, aby sme leto strávili v chate jeho rodičov neďaleko Banskej Štiavnice. Máme dve deti náš synček Jakub má deväť rokov, v škole ho čakajú dlhé prázdniny, a naša maličká Lucia má sedem mesiacov, na vidieku by sa určite cítila lepšie ako v horúcej a prašnej Bratislave. Peter ma uistil, že jeho rodičia budú radi, že budú môcť tráviť čas s vnúčatami. Navyše dobre vedia, aké je to náročné s malými deťmi, takže vraj od nás nebudú nič zvláštne čakať. Myslela som si, že leto v prírode prospeje všetkým, tak som súhlasila. Ukázalo sa však, že som sa veľmi mýlila…

Peter a jeho otec, Ján, nemali záujem zotrvať dlho na chate. Takmer okamžite sa vrátili do mesta kvôli práci. Na chatu chodili len cez víkendy, očakávali prestretý stôl, upratané priestory a celkové pohodlie, aby si po náročnom týždni oddýchli. Počas týždňa som bola na chate iba s deťmi a Petrovou mamou, Máriou.

Jakubovi stačilo pár minút, aby prevrátil všetko hore nohami v malom domčeku. Musela som ho stále strážiť. Lucia je ešte bábätko, vyžaduje si moju pozornosť, pravidelnú starostlivosť jedlo, spánok tak, aby som neprišla o mlieko. Tá neustála záťaž a úzkosť, ktorú som zažívala tu, sa nedala porovnať so životom v meste akékoľvek tešenie z prírody bolo rýchlo preč.

Prácu s Máriou sme si rozdelili jednoducho ona sa venovala skleníku a záhrade, ja som ostávala doma a varila. Na deti sme dohliadali na striedačku. Kvôli nočnému kŕmeniu Lucie som chodila spať o deviatej večer, zatiaľ čo Mária pracovala v záhrade až do neskorých hodín. Každý večer, keď som uspávala deti, pýtala som sa jej, či nepotrebuje s niečím pomôcť, ale vždy mi odmietla.

Tichučko som znášala všetky starosti dedinského života a myslela som si, že s Máriou máme dobré vzťahy.

Bohužiaľ, to bola len moja ilúzia. Všetko sa vyjasnilo, keď Peter cez víkend prišiel a zobral si ma bokom povedal mi, že jeho mama je na mňa nahnevaná. Priznal, že je v záhrade unavená a cíti sa osamelá, že jej vôbec nepomáham, iba vraj oddychujem a spím. Peter mi dokonca citoval jej slová vraj nevesta má vstávať minimálne o dve hodiny skôr než svokra a ísť spať až dve hodiny neskôr.

Mária sa ešte sťažovala, že po poobednom spánku detí som neustielala postele, čo je podľa nej úplne neprípustné a nečisté.

Možno nie som dokonalá gazdiná, ale nerozumiem, prečo by som sa mala úplne uštvať v záhrade len preto, aby som si získala svokrinú priazeň… Od života na vidieku som očakávala pokoj, no odchádzam s pocitom vyčerpania a nepochopenia.

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Nora musí vstávať o dve hodiny skôr a chodiť spať o dve hodiny neskôr ako jej “mama”
— Eu sei das tuas andanças, — disse a mulher. Victor gelou por dentro. Não, ele não estremeceu. Nem ficou pálido — apesar de sentir tudo apertar-se no peito, como uma folha amassada prestes a ser atirada ao lixo. Apenas ficou imóvel. A Larissa estava à volta dos tachos, mexendo algo na panela. Um gesto tão habitual — costas voltadas para o marido, avental às bolinhas, cheiro a cebola dourada. Um quadro caseiro. Aconchegante. Só a voz, essa parecia saída de um noticiário. Victor até pensou: será que ouviu mal? Talvez ela estivesse a falar dos pepinos — tipo “sei onde encontrar bons no mercado”? Ou do vizinho do terceiro andar, aquele que anda a vender o carro? Mas não. — Sei de todas as tuas andanças — repetiu Larissa, sem se virar. E aí sim, Victor sentiu o sangue gelar a sério. Porque no tom dela não havia histeria, nem indignação. Não havia o que sempre receara: lágrimas, lamúrias, pratos partidos. Apenas uma certeza fria, um facto consumado. Como quem diz que acabou o leite. Há cinquenta e dois anos Victor andava por este mundo. Vinte e oito deles com aquela mulher. Conhecia-lhe cada pinta: o sinal no ombro esquerdo, o jeito de franzir o nariz quando provava a sopa, o suspiro das manhãs. Mas nunca lhe ouvira aquela voz. — Lara… — começou ele, mas engasgou-se. Tossiu. Tentou de novo. — Larissa, do que é que estás a falar? Ela virou-se. Olhou-o — durante muito tempo, serena, como quem observa uma fotografia antiga onde já nada se distingue. — Da Marina, por exemplo — disse ela. — Aquela da Contabilidade. Dois mil e dezoito, se não me engano. Victor sentiu o chão fugir-lhe dos pés. Não era força de expressão — sentiu-se mesmo suspenso no ar, sem terra firme. Meu Deus. Marina?! Mal se lembrava do rosto dela. Houve qualquer coisa — no jantar da empresa, talvez? Ou depois? História curta, sem importância. Jurara a si mesmo: nunca mais. — E da Sílvia — continuou Larissa, imperturbável — aquela que te abordou no ginásio. Foi há dois anos. Ele abriu a boca. Fechou-a logo. Como é que ela sabia da Sílvia?! Larissa desligou o fogão. Tirou o avental, cuidadosamente, dobrando-o em dois. Sentou-se à mesa. — Queres saber como descobri? — perguntou. — Ou preferes saber porque é que calei? Victor ficou calado. Não porque não quisesse falar — simplesmente não conseguia. — A primeira vez — começou Larissa — desconfiei há uns dez anos. Começaste a chegar tarde ao trabalho. Sobretudo à sexta-feira. Vias-te mais alegre, olhar vivo, cheiro a perfume feminino. Ela esboçou um sorriso — amargo, sem alegria. — Na altura pensei: devo estar a imaginar coisas? Talvez alguma colega tua tenha mudado de perfume. Convenci-me disso durante um mês. Até encontrar, no bolso do teu casaco, um talão de restaurante. Jantar para dois. Vinho. Sobremesa. Nós nunca lá fomos. Victor quis dizer qualquer coisa — justificar-se, inventar, como sempre. Mas as palavras ficaram atravessadas. — E sabes o que fiz? — Larissa olhou-o nos olhos. — Chorei fechada na casa de banho. Depois lavei o rosto, preparei o jantar. Recebi-te com um sorriso. À nossa filha não contei nada — tinha quinze anos, era época de exames, o primeiro namorado. Para quê saber que o pai… Ela calou-se. Passou a mão na mesa, como quem varre pó invisível. — Pensei: isto passa. Todos os homens têm destas fases — crise da meia-idade, tolices, hormonas. O importante é a família ficar inteira. — Lar… — murmurou ele. — Deixa-me acabar — cortou ela. Ele aquietou-se. — Depois veio a segunda. A terceira. A quarta. Perdi a conta. O teu telemóvel… Nunca usaste código. Achavas que não via? Li mensagens. Aqueles SMS ridículos: “Que saudades, princesa”, “És o melhor”. Vi fotografias — tu com elas abraçado, a sorrir. — A voz vacilou, pela primeira vez. Mas logo se recompôs, inspirando fundo. — E sempre me perguntei: para quê isto? Porque viver com quem já não me ama? — Eu amo-te! — explodiu Victor. — Larissa, eu… — Não amas, — ripostou ela, seca. — Amas a facilidade. A casa limpa. O jantar quente. Camisas passadas a ferro. Uma mulher que nunca faz perguntas. Levantou-se. Foi até à janela. Ficou ali, a olhar para o escuro. — Sabes quando decidi? — disse, sem se virar. — Há um mês. A nossa filha veio cá passar o fim de semana. Conversávamos na cozinha. Ela saiu-se com isto: “Mamã, andas tão diferente. Calada. Parece que nem és tu”. E eu pensei: meu Deus, ela tem razão. Já não sou eu. Já há anos que não sou. Victor olhava-lhe as costas — direitas, tensas — e percebeu: estava a perdê-la. Não “podia perder” — estava mesmo a perder. — Eu não quero divorciar-me — suplicou. — Por favor, Larissa. — Mas eu quero. Já dei entrada dos papéis. O julgamento é daqui a um mês. — Mas porquê agora?! Larissa virou-se. Olhou-o demoradamente. E sorriu. Tristemente. — Porque percebi: tu nunca me traíste, Victor. Só se trai quem é importante. Para ti, eu fui sempre apenas uma certeza. Como o ar. E era a verdade. Ele ficou sentado no sofá — encolhido, de repente dez anos mais velho. Larissa perto da porta. Entre eles, vinte e oito anos de casamento, uma filha, um apartamento onde cada canto os conhecia. E um abismo. Intransponível. — Sabes — disse ele baixo — que sem ti não sei viver. — Vais saber. De algum modo — cortou ela. — Não! — Ele levantou-se num salto. — Larissa, eu juro! Mudo, prometo! Nunca mais… — Victor, — ela levantou a mão, travando-o. — Não é por causa delas. Nunca foi. — Então porquê?! Ela demorou-se. Procurava as palavras que nunca dissera, há anos presa entre o medo, a insegurança. Ou o hábito de não pedir espaço nem querer ser ouvida. — Sabes como me sentia? Cada vez que voltavas de mais uma dessas, eu deitava-me ao teu lado e sentia-me um zero. Tu já nem disfarçavas — o telemóvel à vista, camisas com batom para lavar. Achavas-me tola. Cega. Victor estremeceu, como se levasse um murro. — Não quis… — Não quiseste? — Aproximou-se dele de frente. Os olhos brilhavam — mas não de lágrimas. De raiva, acumulada, contida, finalmente à solta. — Nunca pensaste em mim. O que te passava na cabeça ao beijar outra? “A mulher nunca vai saber”? Ou “Que importa”? Ele calou-se. Porque a verdade era pior. Ele nunca pensava nela. Nunca. Larissa existia como uma certeza. Ele acreditava: não iria a lado nenhum. Estaria sempre lá. — Vinhas para casa depois dessas tuas e ficavas bem. Porque para ti nada mudava. Esposa no lugar, família certinha. Ela desviou o rosto. — Nessa imagem tua… eu não existia. Victor deu um passo. Estendeu a mão — querendo segurar-lhe o ombro, abraçá-la, impedir-lhe a partida. Larissa afastou-se. — Não vale a pena — disse, vencida pelo cansaço. — Agora é tarde. Ele agarrou-lhe as mãos. — Larissa, suplico! Dá-me uma chance! Eu mudo! Viro outro homem! Ela olhou para os dedos entrelaçados. Para a cara dele — desfeita, assustada. E, subitamente, percebeu: ele estava mesmo com medo. Mas não de perdê-la. Tinha medo de ficar sozinho. — Sabes — murmurou, soltando-se — eu também tive medo. Medo de ficar só, sem ti, sem família. Mas sabes o que descobri? Pegou na mala da mesa. Nas chaves. — Já estou sozinha. Há muito. Mesmo contigo aqui. E saiu. Passaram três semanas. Victor ficou num apartamento vazio — Larissa foi viver com a filha mal acabou o diálogo — e andava a vasculhar o telemóvel. Marina da contabilidade. Sílvia do ginásio. Mais dois ou três nomes nos contactos, que já tinham significado. Ligou à Sílvia. Rejeitou. Escreveu à Marina. Leu, não respondeu. As outras nem abriram a mensagem. Estranho: quando era um homem casado, todas queriam vê-lo. Agora, “livre”… Ninguém queria saber. Sentou-se no sofá, naquela casa de repente enorme e estranha — e, pela primeira vez em cinquenta e dois anos, sentiu-se verdadeiramente sozinho. Voltando ao telemóvel, encontrou “Larissa”. Olhou tempo infinito para o ecrã. Os dedos tremiam. Escreveu uma mensagem. Apagou. Tentou outra vez. Apagou. Depois escreveu só: “Posso ver-te?” A resposta chegou uma hora depois: “Para quê?” Victor pensou. O que dizer? “Desculpa”? Tarde. “Volta”? Ridículo. “Mudei”? Mentira. Escreveu a verdade: “Quero recomeçar tudo. Podemos tentar?” Três pontinhos acenderam-se. Desapareceram. Voltaram. E lá veio a resposta: “Vem sábado. A casa da filha. Duas da tarde. Falamos.” Victor respirou fundo. Não sabia o que ia acontecer. Se ela perdoava. Se voltava. Se ainda tinha direito a uma última hipótese. Olhou para a aliança no dedo. E, pela primeira vez em muitos anos, sentiu-se preparado para recomeçar tudo de novo. Se ela deixasse. Valerá a pena para Larissa ter tapado os olhos às traições do marido? Teria sido melhor fazer logo um escândalo e pôr tudo em pratos limpos na primeira traição? O que acha?