Quando a minha filha teve o seu sétimo filho, percebi que a minha paciência tinha chegado ao fim!

Há mais de vinte anos que vivi debaixo do mesmo teto com a minha filha e o seu marido, mas agora já não me reconheço com forças para continuar assim.
Tenho 65 anos e sou avó de sete netos. Bem sei que muitos me invejariam em tempos, até eu própria me diria abençoada por tamanha família, se não fosse obrigada a cuidar de todos e a suportar diariamente o seu bulício. A minha filha, Leonor, parece tão alheada à quantidade de filhos que tem…
Quando nasceu a minha sexta neta, sentei-me com a Leonor para uma conversa séria. Jamais pensei que, aos trinta e cinco, teria eu de falar com a minha filha sobre métodos de planeamento familiar. E foi um reboliço quando anunciaram a vinda do sétimo filho. Imagine-se, numa casa de apenas cinco quartos, agora a fazer de lar para nove pessoas.
É verdade que a Leonor teve sorte: eu e o meu falecido marido passámos a vida a trabalhar para construir uma casa maior e comprar um pedaço de terra. Hoje, o meu genro, Armando, labuta nesse mesmo terreno e gaba-se de ser agricultor. A minha filha ajuda-o em tudo, e eu passo o dia entre tachos, porque alimentar aquela turma inteira não é brincadeira. Os miúdos crescem e pedem mais, ninguém quer comida requentada quando há sempre algo fresco a sair do fogão.
Da última vez que nasceu uma neta, desejei, lá no fundo, que a Leonor entendesse o meu desgaste e me deixasse, pelo menos, algum respiro do choro constante e das mudas de fraldas intermináveis. Mas não, voltou tudo ao princípio.
A verdade é que fui mantendo contacto com o meu irmão, António, que vive sozinho em Coimbra, desde que a filha dele emigrou para França.
Uma noite, António pediu-me para lá ir, aflito com uns problemas de saúde. Fiquei preocupada, claro, mas confesso que, ao mesmo tempo, aquela era a oportunidade de sair da minha rotina pesada. Agora o António está francamente melhor e eu só penso se conseguirei voltar, depois destas férias, para ouvir de novo as correrias e berrarias das crianças. Nesta temporada, recordei o quanto amo ler, ouvir fado e ver os meus filmes antigos. Finalmente sinto o sossego que mereço na velhice, sem viver à espera que os netos ganhem juízo, mas não faço ideia de como o hei de dizer à família…
Agora a Leonor liga-me, a pedir para regressar, pois sente que não aguenta sozinha. Não sei o que fazer.

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Quando a minha filha teve o seu sétimo filho, percebi que a minha paciência tinha chegado ao fim!
Fiquei grávida aos 16 anos, ainda a estudar na escola. Na nossa pequena aldeia portuguesa, isso causou um verdadeiro escândalo.