Maria criou sozinha as duas filhas. O marido faleceu quando as meninas ainda eram pequenas, e desde então, ela nunca mais se casou. Tinha receio de que um novo marido pudesse prejudicar as filhas. Se fosse preciso escolher entre matrimónio e as filhas, sempre priorizava as crianças.
Catarina era a mais velha e Leonor a mais nova. Assim, Catarina casou cedo e teve uma filha chamada Filipa. Depois mudou-se para o apartamento do marido. No entanto, essa união não durou muito. Passados alguns anos, com uma menina ao colo, Catarina regressou à casa de Maria.
Leonor, a irmã mais nova, não ficou nada contente com o regresso da irmã. Achava que Catarina tinha voltado de propósito à casa da mãe para que ela fosse obrigada a sair do apartamento. Mas estava enganada. Catarina tinha problemas de saúde e fora diagnosticada com cancro. Filipa passou a viver sob os cuidados da avó.
Leonor era também casada na altura e já tinha dois filhos. Uma das tias de Maria, já de idade avançada, disponibilizou-lhe um apartamento. Sem pensar muito, Leonor passou logo a escritura para seu nome, com a garantia de que, acontecesse o que acontecesse, não reivindicaria o apartamento da mãe.
Catarina faleceu quando Filipa tinha dezassete anos. Depois, foi a avó quem adoeceu. Certo dia, Leonor apareceu e perguntou a Maria quem ficaria com o apartamento quando ela morresse.
Como assim, quem? A Filipa é que ficará. Está sozinha, perdeu a mãe, e o pai já não tem relação nenhuma com ela. Não pode ir viver para a rua.
Mas o que quer dizer com isso? Ela é só sua neta, eu sou sua filha. E tenho dois filhos. Filipa vai crescer e comprar um apartamento. Devolva-me o meu apartamento! Leonor gritou, sem medir o tom de voz.
Não. Nos combinámos de outra maneira antes.
Então nunca mais ponho os pés aqui.
Leonor não se importava se a jovem conseguia fazer os trabalhos da escola ou cuidar da avó doente. Desde que não recebeu um apartamento, cortou toda a relação com a mãe.







