Amor de Mãe e Pai: Uma Viagem à Casa dos Avós, Aconchego Familiar, Aventuras com os Filhos no Táxi e o Instinto de Proteção Que Transforma Pais em Leões

Amor de mãe e pai.

Constança soltou um suspiro longo e feliz enquanto ajeitava os filhos no banco de trás do táxi. Matilde tinha quatro anos, Tomás um ano e meio. O fim de semana em casa dos avós fora um festival de bolachas, abraços, histórias de embalar e daqueles miminhos só mais um bocadinho, que em casa são raros mas ali abundam.

A verdade é que Constança também saboreara cada momento. Os pais, as irmãs, os sobrinhos a aldeia parecia sempre de braços abertos, sem perguntas, sem julgamentos. O arroz-doce da mãe, impossível de recusar, mesmo depois de três repetições. A árvore de Natal ainda acesa, carregada de luzinhas piscantes e enfeites resgatados de outros tempos. Os brindes do pai, demorados e um bocadinho filosóficos, mas sempre do coração. Os presentes da mãe: práticos, úteis, e embrulhados em afeto.

Por um instante, Constança sentiu-se miúda outra vez, e só lhe apetecia dizer:
Mamã, papá, obrigada por estarem sempre aí!

Com as crianças já no táxi, a viagem de regresso correu serenamente. Os pequenos adormeceram num ápice, encostados um ao outro, com aquele ar de quem janta bem e não tem pesadelos.

A meio caminho, Constança pediu ao motorista para parar ao pé de uma mercearia de bairro.
É só um instantinho preciso de fraldas e umas águas, explicou ela.

Cinco minutos depois, regressa carregada, senta-se no táxi e sente o coração despencar até aos tornozelos.
Não viu as crianças.

O motorista estava entretido na conversa com uma rapariga desconhecida sentada ao lado.
Desculpe murmurou Constança, a olhar em volta.

A rapariga virou-se abruptamente:
Mas quem é esta? Ó meu, quem é que está aqui no carro?!

O motorista deu de ombros:
Não faço ideia! E depois para Constança: A menina quer alguma coisa?

Estão malucos?! Onde é que estão os meus filhos?!
Ah, seu ordinário! gritou a rapariga, quase atirando-lhe com a mala à cara. Ainda por cima com filhos escondidos?

Então mas agora pega em toda a gente para o carro?! já berrava Constança. Quero saber onde estão os meus filhos!

Seguiram-se uns bons cinco minutos de verdadeira telenovela: berros, acenos, indignação. O universo parecia ter-se virado do avesso.

De repente, a porta do carro abriu-se. Um homem inclinou-se, de voz pacata:
Olhe, menina esse não é o seu táxi. O seu está um pouco mais à frente.

O mundo parou. Constança fechou a porta com força, saltou do carro e avançou para outro táxi igualzinho, só que estacionado uns metros adiante.

Abriu a porta. E lá estavam eles. Os seus dois anjinhos, a dormir profundamente, talvez a sonhar com bolachas e colo de avó.

Constança largou um suspiro capaz de desentupir os pulmões de um rinoceronte. Sentou-se, fechou a porta e resmungou:
Siga lá

Foi então que lhe deu um ataque de riso. Daqueles nervosos, libertadores, que lavam a alma. O motorista, a enxugar os olhos de tanto rir, também se pôs a gargalhar, contente com o final feliz e a história garantida para contar com um copo de vinho tinto à mesa.

Constança olhou para os filhos e percebeu uma verdade simples: mães e pais são ternos e distraídos, com piada e jeito para esquecer as chaves no frigorífico. Mas, basta farejar perigo, e viram logo leões.

Sem dúvida, sem hesitar, sem medo. Só uma vontade imensa de proteger.

É assim o amor. Discreto enquanto tudo corre bem, inquebrável quando toca aos filhos.

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