Eu não te odeio
Parece que nada mudou…
Beatriz mexia nervosamente na ponta da manga enquanto fitava a janela do táxi. Lá fora, as ruas familiares de Lisboa desfilavam diante dos seus olhos as mesmas onde em criança correra com Rui, a rir e a sonhar com o futuro. Sete anos. Há sete longos anos que não regressava a casa.
Chegámos anunciou o motorista com voz tranquila, quebrando os seus pensamentos.
O táxi estacionou suavemente diante do prédio antigo de três andares no bairro de Alvalade. Beatriz, distraída, certificou-se de que tinha o telemóvel, tirou a carteira, pagou ao taxista em euros e saiu. O estampido da porta ecoou enquanto ela parava por um momento para inspirar o ar de Lisboa. Era diferente não como aquele da grande cidade do norte onde vivia agora. Aqui, cada cheiro, cada som, parecia despertar qualquer coisa esquecida dentro de si. Cheirava a pão quente da padaria da esquina, a relva cortada do jardim ali ao lado e a algo indescritível que só se pode chamar lar. O coração apertou-se-lhe: estava feliz por voltar, e ao mesmo tempo temerosa do que a esperava.
Vinha apenas por uns dias. Oficialmente era para ajudar a mãe a tratar de uns papéis antigos. E gostava de voltar aos lugares de sempre, de ver se tudo continuava como nas suas memórias. Mas havia ainda outra razão talvez a verdadeira. No fundo, ansiava desesperadamente rever Rui. Quem sabe se a vida não podia mudar?
Beatriz soubera, por amigos e redes sociais, que Rui continuava a morar perto dali. Nunca perguntou por ele diretamente, evitou sempre parecer interessada, mas notícias iam-lhe chegando: mudou de emprego e agora tinha uma boa posição, comprou casa própria, levou a mãe para viver com ele… Cada vez que ouvia falar de Rui, a imagem dele invadia-lhe o pensamento. Imaginava como estaria, o que sentiria, em que pensaria. Porém, fugia dessas ideias, receosa de as deixar ocupar-lhe o coração…
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No dia seguinte, Beatriz decidiu passear pelo centro. Não tinha planos. Queria apenas perder-se pelas ruas, sentir Lisboa com os seus sons, ver as lojas, saborear a luz única da cidade. Caminhava devagar, sorrindo ao reconhecer recantos esquecidos: ali estava o quiosque onde comprava revistas, o banco do jardim onde se sentava com as amigas depois da escola, o café onde experimentou cappuccino pela primeira vez e quase entornou tudo na blusa nova.
E de repente viu-o.
Rui andava do outro lado da rua. Não a viu caminhava de cabeça levemente baixa, como quem pensa em mil coisas. Beatriz ficou imóvel. O corpo inteiro tremeu, esqueceu-se de respirar. Ele parecia igual ao rapaz de há anos: alto, o andar descontraído, o mesmo corte de cabelo. Tudo igual ao Rui do passado.
Impulsivamente, atravessou a rua, nem olhou para os carros nem para o sinal amarelo. O barulho do trânsito perdeu-se o coração pulsava mais alto que tudo.
Rui! chamou, já junto à porta de uma pastelaria.
A voz tremente, sem coragem. Ele virou-se e… nada. Nem alegria, nem raiva. Apenas um olhar vazio.
Beatriz? disse ele num tom calmo, talvez demasiado neutro.
Aquela indiferença magoou-a mais do que qualquer coisa. Tudo que vinha guardando explodiu subitamente. Os olhos encheram-se de lágrimas, a voz vacilou.
Rui, eu… eu sinto-me tão culpada, murmurou, a gaguejar. Sei que não devia nem chegar perto, mas eu… já não conseguia conter as lágrimas. Amo-te. Ainda amo. Perdoa-me. Por favor… perdoa.
Disparou as palavras, receando não voltar a conseguir dizê-las. Tudo se confundia: justificações, pedidos, desculpas mas apenas essas poucas frases ecoavam-lhe do peito.
Abraçou-o, colando-se a ele como se pudesse recuperar aqueles sete anos perdidos. Por instantes, tudo o resto desapareceu: só sentia o calor do corpo dele e a esperança agoniada de um abraço de volta.
Rui não a afastou logo. Durante um segundo, pareceu que hesitou os ombros caíram, as mãos tremeram como para acolhê-la. A esperança reacendeu-se em Beatriz: era possível, tinham futuro ainda…
Mas o momento esvaiu-se. Rui segurou-lhe nos ombros e afastou-a suavemente, mas sem dúvida. A expressão serena, fria até; no olhar, indiferença. Não era o rapaz sonhador, era agora um homem que guardava tudo atrás de muros.
Vai-te embora, murmurou-lhe ao ouvido.
Disse-o num tom tão desprovido de emoção que Beatriz sentiu-se mais inexistente do que nunca.
Odeio-te, acrescentou, agora com um brilho de desprezo.
Deu-lhe as costas e seguiu o seu caminho. Beatriz ficou ali, paralisada. À volta, Lisboa seguia indiferente: pessoas apressadas, carros acelerando, crianças a rir ao longe… Alguém lançava-lhe olhares intrigados, mas nada a atingia.
Só permaneceu o som dos passos dele a desaparecer, e o seu próprio respirar feito de soluços e dor. Cada segundo parecia uma eternidade. É o fim. Para sempre, repetia para si.
Caminhou então para casa. Cada passo custava, mas andava, olhos perdidos no vazio, mente a zunir de ecos do passado.
Ao entrar no apartamento da mãe, nada tentou dizer. Sentou-se, calada, a olhar pela janela. A mãe percebeu tudo ao ver-lhe o rosto e os olhos apagados; apenas suspirou e foi pôr água no fervedor. O aroma do chá, o borbulhar habitual, o cenário banal da cozinha tudo tão normal e tão estranho face à tempestade dentro de si. Mas essa rotina devolveu-lhe algum chão.
Ele não me perdoou, murmurou Beatriz, apertando a chávena quente. O vapor tocava-lhe suavemente a face, mas ela mal notava. Olhava o chá, como se ali visse respostas.
A mãe sentou-se a seu lado, passou-lhe a mão no ombro numa carícia singela, igual às de infância nos momentos difíceis. O gesto fê-la recuar no tempo, sentir-se pequena e vulnerável outra vez.
Tu sabias que isto podia acontecer, disse a mãe baixinho.
Sabia, Beatriz assentiu, cansada, voz resignada. Mas tinha esperança. Parva, não é?
Não é parva, respondeu a mãe com doçura. Apenas escolheste o teu próprio caminho. Fizeste-lhe muito mal, filha. O Rui andou perdido depois de tudo. Ficou frio, como o rapaz do Rei Gelado. Ninguém mais conseguiu tocar-lhe o coração.
Beatriz suspirou, afastou a chávena, recostou-se. Imagens de há sete anos voltaram em força.
Tudo parecia simples então. Tinha vinte e dois anos altura em que o futuro parece fácil, e tudo parece ao alcance da mão. Rui, bondoso e leal, estava sempre ali: não era de grandes discursos, mas dizia tudo nos gestos ajudava, apoiava, sabia ouvir.
Mas para Beatriz, havia um problema pelo menos assim o via na altura. Rui era operário numa obra, estudava à noite, sonhava ter o próprio negócio. Os planos dele eram honestos, mas demorados ela não queria esperar.
Não sonhava com riqueza, apenas queria estabilidade. Desejava segurança, emprego, casa, espaço para ser livre e sonhar. Com Rui tudo era incerto: trabalhos temporários, noites a estudar, sonhos sem garantia.
Quando um tio do Porto lhe ofereceu emprego na sua empresa, Beatriz aceitou sem hesitar. Era uma oportunidade concreta demais para deixar escapar.
Havia ainda uma verdade mais escondida: ao chegar ao Porto, e começando no novo emprego, conheceu Francisco. Um empresário de quarenta anos, seguro, com maneiras de quem está habituado a vencer. Conheceram-se num evento da empresa, ela sentiu-se perdida no meio de colegas sofisticados, mas Francisco abordou-a logo; conversou, elogiou-lhe a inteligência, perguntou pelos seus planos.
Vieram flores, pequenos jantares em restaurantes onde raramente pensava ir, idas ao teatro, ofertas de lenços de seda, de jóias delicadas, de sapatos Italianos elegantes. Cada mimo era acompanhado de frases como Mereces mais da vida, Aceita o que o destino te traz.
Beatriz resistiu ao início, recusou presentes, explicou que não precisava. Mas Francisco insistia, dizendo ser mera cortesia, e que a admirava muito. Aos poucos, começou a aceitar. O brilho da nova vida conquistou-a: noites caras com comida requintada, carros topo de gama, comprar sem olhar a preços. Sentia-se numa fantasia de filme, sem querer acordar.
E entre estes momentos, tornou-se sua namorada. Não por paixão verdadeira, mas porque o mundo dele era mais fácil; conceito de futuro assegurado, vida confortável, sem preocupações económicas. O Francisco tratava de tudo, e ela já raramente pensava em Rui. Chegou até a desprezá-lo, dizendo a si mesma que Rui nunca conseguiria nada, que ela merecia mais.
Numa das vindas a Lisboa, nem foi para reencontrar Rui, nem para esclarecer seja o que for queria apenas mostrar-lhe o que havia conquistado. No fundo, desejava provar que tomara a decisão certa, que sair daquela incerteza dos dois fora o melhor.
Planeou o reencontro: escolheu um café chique do Chiado onde Rui costumava aparecer. Vestiu o vestido caro, o anel de prata que Francisco lhe deu, e pegou na carteira de marca.
Mal Rui entrou, ela reparou. Sentou-se de modo a ser notada, riu alto de propósito, encontrou o olhar dele e sustentou-o sem tremor.
Naquele momento sentiu-se vitoriosa. Haviam provas: vida estável, conforto, luxo, certezas. Mas quando Rui saiu, Beatriz, rindo com o novo namorado, olhou para o anel, para a mala, para o homem que a acompanhava. Sentiu um vazio estranho. Tudo aquilo soou a pouco, a distante, a falso. A conversa perdeu cor, o sorriso apagou-se. Valeria a pena, afinal?
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A tal vitória revelou-se amarga, uma lição que o tempo só tornou mais clara. Francisco, ao início tão carinhoso e generoso, depressa se transformou. Repetia-lhe: Faz por cuidar mais de ti, Devias rir de outra maneira, Esses amigos são uma vergonha para a tua imagem. Passou a estar cada vez menos tempo com ela. Quando Beatriz procurava diálogo, respondia friamente: Tens tudo, que mais queres?.
Ela inventava desculpas: É o trabalho, o stress… Voltará a ser como antes, é uma fase. Lá no fundo, sabia que tudo mudara: não era cansaço, era tédio. Era apenas mais uma peça numa estante cara.
Suportou tudo: as palavras cortantes, o silêncio, as ausências longas. Só não conseguiu mentir a si mesma: escolhera mal, sacrificara quem a amava verdadeiramente. Rui, com pouco mas com sinceridade, dera-lhe o mais raro amor sem exigências. Os bens perderam cor. Vestidos pendurados calados, jóias indiferentes, restaurantes de luxo a incomodar-lhe o estômago. Até o perfume caro já parecia enjoativo.
Começou a imaginar, nas noites solitárias, como teria sido com Rui: dificuldades superadas juntos, conquistas pequenas, alegrias partilhadas. Esperava tanto por garantias que perdeu o essencial: alguém com quem dividir tudo isso.
As memórias invadiam-na as mãos de Rui, marcadas do trabalho, calorosas ao entrelaçarem-se nas dela; o sorriso dele, genuíno, quando acreditava num futuro a dois. E sentiu, como nunca antes, que tinha tudo… e perdeu.
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No terceiro dia em Lisboa, Beatriz procurou o velho jardim de infância. O banco sob o plátano continuava lá onde ela e Rui tantas vezes sonharam. Quero uma casa nossa, cheia de janelas para o sol entrar, cheia de alegria e luz dissera-lhe ele um outono. Ela rira na altura, pensando tratar-se de devaneios. Agora compreendia: eram desejos sérios, eram tudo.
Parou, respirou fundo. Nesse instante, ouviu uma voz:
Beatriz?
Era António, amigo de ambos. Parecia genuinamente surpreso, mas sorriu.
Não estava nada à espera de te encontrar, disse com simpatia. Tudo bem?
Beatriz vacilou, tentou parecer leve, mas a voz soou-lhe cansada.
Vim visitar a minha mãe, esboçou um sorriso discreto.
António assentiu, e apontou para o banco do jardim:
Tento aproveitar os lugares bonitos da cidade. Queres sentar-te um pouco?
Foram juntos, António falava das novidades do bairro, do trabalho. O tom descontraído ajudou Beatriz a relaxar. Pensou no estranho: ali estava, de regresso a Lisboa, e a vida, mesmo assim, continuava no seu curso.
Alguns silêncios depois, António perguntou suavemente:
Já viste o Rui?
Ela baixou o olhar, folha seca sob os pés. Lembrou-se do encontro do dia anterior: o olhar dele, a indiferença cortante, as palavras amargas. Por fim, respondeu num sussurro:
Vi. Ontem.
Como foi? António não deixou transparecer juízo, apenas curiosidade triste.
Ele… não me quer ver, murmurou Beatriz, contendo uma lágrima. Odeia-me.
António suspirou, sentou-se ao lado dela, olhou o horizonte esfumado sobre Lisboa. Pausou, como a pesar as palavras.
Sabes, ele sofreu muito. Desapareceste, Beatriz. Sem um telefonema, uma carta. Para ele foi como uma traição.
Beatriz cruzou os dedos, apertou as mãos, sentiu o peito a comprimir-se. Sabia mas ouvi-lo era demais.
Sei, disse baixo. Fui eu a culpada.
António virou-se para ela e, sem moralizar, prosseguiu:
Tentou esquecer-te. Saiu, namorou outras, mas nunca o vi feliz. O teu regresso com aquele ar triunfante só fez pior.
Beatriz assentiu. Imaginava Rui a tentar seguir em frente, longe dela, até a normalidade doía ela, afinal, era a razão de tanto sofrimento.
Não queria magoá-lo assim. Achei que escolhia bem, que precisava de estabilidade.
António calou-se, apenas ficou ali. A brisa soprava, folhas rodopiavam, crianças brincavam ao longe. A vida continuava.
Beatriz fechou os punhos, unhas a cravar-se na palma. Lutava para não chorar, mas as lágrimas vinham. Percebeu que não poderia mudar o passado destruíra tudo, era tarde demais.
Nem peço que me perdoe, sussurrou ela, voz embargada. Só queria que soubesse: estou arrependida. Todos os dias penso no erro que cometi, no que destruí.
António escutou-a com atenção, sem qualquer censura. Demorou-se a responder.
Talvez ele nem precise saber, disse por fim. Deixa-o em paz. O Rui demorou anos a recuperar, agora só tornaste tudo mais difícil. Ontem ligou-me, parecia um outro homem. Não voltas, Beatriz não lhe faças mais mal.
Beatriz mordeu o lábio. Sabia que António tinha razão. A visita nunca foi para o bem dele, era mais pelo seu próprio alívio; só reabriu antigas feridas.
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Nesse fim de tarde, Beatriz ficou à janela, no apartamento da mãe. Lisboa acendia-se devagar: as luzes amarelas dos elétricos, o brilho dos candeeiros, os reflexos nas ruas tudo bonito, mas distante. Os pensamentos atropelavam-se, num turbilhão impossível de calar.
Imaginou a vida ao lado de Rui, a simplicidade dos pequenos desafios, os risos, os projetos. Pensou no que perdeu por querer certezas, no essencial que ficou pelo caminho. Mas agora, era tarde.
No dia seguinte, despediu-se de casa devagar. A mãe olhava-a, silenciosa, aceitando a partida.
Cuida de ti, disse ainda.
Beatriz beijou-a, inspirou aquele cheiro único do lar e saiu.
Na estação de Santa Apolónia, comprou bilhete para o Porto. Uma viagem de comboio, algumas horas para pensar. Talvez assim conseguisse reorganizar o coração.
O comboio arrancou, Lisboa ficou para trás: prédios com roupa estendida, varandas floridas, miúdos a jogar à bola na rua, lojas onde outrora se sentiu tão viva. Tudo tão normal, mas irrepetível.
Ali entre Lisboa e Porto, sabia que Rui continuava nalgum lugar, a viver a vida, a seguir em frente depois da mágoa. Um homem que a amou com verdade, que nunca teve direito a despedida, que ela perdeu para sempre.
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Meio ano passou. Beatriz continuava no Porto: trabalho, cafés com colegas, perguntas de circunstância, estás bem? e quando voltas?. Tudo igual por fora, mas por dentro outra mulher. Já não fugia das lembranças nem se escondia em agendas ou lojas. Aceitava, de frente, o erro e o sofrimento causado, assumia-os.
Aprendeu a acordar, a dizer-se: Fez-se o que se fez; não volta atrás. Sigo em frente. E essa aceitação, silenciosa mas honesta, trouxera-lhe algum alívio não alegria, mas novo equilíbrio, o primeiro passo para recomeçar.
Uma noite, a preparar jantar, ouviu o telemóvel: mensagem de número desconhecido.
“Lamento. Não te odeio. Mas não consigo perdoar-te.
Beatriz ficou só a olhar. As mãos apertaram o telefone, o coração disparou. Sentou-se no chão da cozinha, telefone ao peito, como se quisesse sentir o Rui de novo perto, mesmo a quilómetros de distância.
Não sabia o que significava aquilo. Perdão? Despedida? Mas, de repente, sentiu esperança. Ainda havia uma ligação ténue, mas real. Alguém, algures, pensava nela. Alguém, apesar da dor, quis falar-lhe.
Surgiu-lhe um sorriso tímido por entre lágrimas. Talvez um dia possam conversar em paz, sem feridas expostas, sem acusações. Talvez consigam ambos partir para outra vida juntos ou separados, mas curados.
Por agora, bastava-lhe saber que não era odiada. Que o amor, mesmo ferido, ainda consegue deixar uma porta entreaberta. E isso, naquele momento, era suficiente.
A vida ensinou-lhe a valorizar o que é simples e verdadeiro. Porque luxo e sucesso algum compensam o vazio de não ter a quem chamar lar.







