Láska navekyA vtedy si uvedomil, že pravá láska nepotrebuje večnosť, len jeden jediný okamih, ktorý ju urobí nesmrteľnou.

Milý denník,

dnes sa mi vracajú spomienky na celý ten príbeh, čo sa začal pred rokmi. Bývali sme v paneláku v bratislavskej mestskej časti, na piatom poschodí. Dolu na druhom bývala Zuzka s mamou a otcom. Otec sa volal Peter, ale poriadneho mena si nezaslúžil. Často som ho počul, ako sa dožaduje jedla, triedi riad a kričí. Zuzka sa vtedy schovávala v izbe. Raz som ju stretol na schodoch – sedela na studenom betóne, schúlená, akoby chcela zmiznúť. Spýtal som sa, či zabudla kľúče, len tak odvrkla. Pozval som ju hore k nám. Moja mama Mária ju privítala, dala nám obed – obyčajnú slepačiu polievku s rezancami a cestoviny s párkami. Zuzka jedla, akoby to bol najlepší pokrm na svete. Vtedy som si všimol, aká je krehká.

Postupne k nám chodievala čoraz častejšie. Keď som nebol doma, mama jej vravela o mne, o otcovi, čo nám zomrel pred pár rokmi. Zuzka vtedy ešte mlčala o svojom otcovi, no vedel som, že doma to nie je jednoduché. Raz prišla, keď som mal večer tréning, a mama jej povedala, nech počká, kým sa vrátim. Nepočkala, ale na druhý deň som ju videl na lavičke pred domom. Spýtal som sa, prečo nechodí hore. Len pokrčila plecami. Vtedy som zmaturoval a plánoval som ísť na leteckú fakultu v Košiciach, ale nakoniec som zostal v Bratislave na polytechnike, lebo som nechcel nechať mamu samu. Zuzka sa tešila.

Na jeseň prišla s tým, že nevie vyriešiť úlohu. Sedeli sme v mojej izbe, ale už to nebolo ako predtým – bola plachá, červenala sa. Medzitým jej otec umrel – otrávil sa falšovanou pálenkou. Zuzkina mama Eva na pohrebe neplakala, len Zuzka mala v očiach ľútosť. Potom sa prestalo chodiť hore. Až kým som si nenašiel frajerku Lenku. Bola vysoká, chladná, s očami ako ľad. Raz som Zuzku stretol na dvore, predstavil som im ju. Lenka sa tvárila pohŕdavo. Neskôr mi Zuzka povedala, že si ju v duchu volá „Ryba“. Lenka sa sťažovala, že Zuzka príliš často chodí k nám, a jedného dňa obvinila Zuzku z krádeže prsteňa. Bola to lož – prsteň vypadol Lenke z vrecka bundy, keď ju zhodila. Rozíšli sme sa.

Potom mama ochorela na koleno, potrebovala operáciu. Zuzka začala znova chodiť – nosila nákupy, upratovala, varila. Ja som sa vracal neskoro z práce, zriedka sme sa stretli. Raz som ju uvidel na schodoch, cítil som alkohol – sám som si dal pár pohárov, lebo ma trápilo, ako som ju kedysi nechal uraziť. Spýtala sa ma vyplašene, či pijem. Odpovedal som, že nie som ako jej otec. Na druhý deň som jej kúpil kvety a pozval ju do kina. Odvtedy sme boli spolu. Prestali sme piť, večery sme trávili doma, bozkávali sme sa v mojej izbe. Keď som ju požiadal o ruku, mama povedala: „Marek, neubližuj jej.“ Sľúbil som, že nikdy.

Z tohto príbehu som si vzal ponaučenie: láska nie je o chladných očiach a vypočítavosti, ale o tom, kto ťa čaká na schodoch, aj keď je zima, a kto ti otvorí dvere skôr, než stihneš zaklopať.

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Láska navekyA vtedy si uvedomil, že pravá láska nepotrebuje večnosť, len jeden jediný okamih, ktorý ju urobí nesmrteľnou.
Quando a chave rodou na fechadura, o coração dele quase saltou do peito e a alma correu-lhe ao encontro… 🤔 — Quantas vezes vais errar?! São erros tão básicos! Olha para isto! — Dona Alice Eduarda cravou o manicuredela no relatório mensal, quase estragando a unha de gel. — Vai! Refaz tudo! E, olha, se não dás conta do recado — pede a demissão! — a chefe, apesar de sempre bem cuidada e até atraente, tornava-se um autêntico demónio quando se irritava. A Lisete saiu do gabinete em silêncio. Faltava pouco mais de uma hora para terminar o expediente. Era preciso despachar-se. O prémio de produtividade já nem valia a pena pensar… Parecia uma daquelas fases negras que nunca tem fim — e logo cheia de obstáculos. Uma semana atrás, telefonou à mãe. Como tantas outras vezes, apanhou-na maldisposta, fez um escândalo do nada e ainda culpou a filha de todos os males do mundo, terminando a chamada abruptamente. Lisete nunca se habituou a isto e sofria com o afastamento. Agora já tinha receio até de telefonar de novo. Dois dias depois, perdeu o cartão multibanco e teve de bloqueá-lo e pedir outro. No dia anterior, o único ser vivo lá de casa — a Fofinha, uma gata tricolor com um ano — saiu para a varanda atrás de um pardal e caiu do terceiro andar. Lisete viu-a levantar-se logo do canteiro desfeito, sacudir-se e ir à sua vida… Mas quando desceu à rua, a gata já não estava lá. Quase um dia se passou e Fofinha não aparecia. Lá entregou o malfadado relatório e foi para casa sem vontade de fazer compras. Deitou-se no sofá e chorou, com uma amargura imensa. Depois de meia hora, já não havia lágrimas, mas não se sentia melhor. Pensamentos negros começaram a surgir, rastejando como cobras. Para quem viver? Não é importante para a mãe, família não tem, e até a gata desapareceu. Estranhamente, sentiu um alívio quando decidiu por fim a tudo. “Que se esfolem depois para alguém me substituir”, pensou amargamente. “Vai ser tarde.” Levantou-se-lhe o ânimo só por saber que no dia seguinte já não iria trabalhar. Nem precisava telefonar à mãe a pedir desculpas por nada. Uma alegria quase louca apoderou-se dela. Quando só faltava um pequeno passo, o telemóvel tocou. Número desconhecido. Quis ignorar, mas pensou — e se este fosse o último telefonema que atendesse na vida? — Estou?… — ninguém respondia. — Então ligam e não dizem nada?! — irritou-se. — Boa noite… — a voz masculina, grave, surgiu do outro lado. — Por favor, não desligue. — Quem é? O que deseja? — Lisete tinha pressa, sentia-se interrompida em algo crucial… — Só queria ouvir uma voz humana… Há uma semana que não falo com ninguém. Pensei: se hoje ninguém me atender, é o fim… — parecia esforçar-se por respirar. — Como assim? Não pode sair e conversar? Vá dar uma volta ao jardim, é só ir à rua. — Lisete subiu os pés ao parapeito da janela. — Não posso. Moro no quinto andar. Há uma semana a minha mulher foi-se embora… — a voz foi ficando mais triste. — Eu também fugia, homem! Não quem não tenha problemas… — ela não entendia o drama dele. — Sou cadeirante. Ainda não faz um ano. E cinco andares sem elevador, não consigo vencer. — a voz pareceu-lhe mais firme agora. — Não tens pernas?! — Lisete ficou horrorizada e logo se arrependeu, mas as palavras já tinham saído. — Não, é uma lesão na coluna. Não posso andar — e pareceu-lhe que ele suspirava e sorria ao mesmo tempo. Continuaram à conversa meia hora. Lisete até anotou a morada dele. E uma hora depois já estava à porta, com dois enormes sacos das compras. Abriu-lhe um homem jovem, simpático, numa cadeira de rodas. — Sou a Lisete! — só naquele momento percebeu que nem sabia o nome dele. — Eu sou o Arsénio! — ele sorriu de felicidade, como se a esperasse há muito. Descobriram que moravam até relativamente perto. Desde então, Lisete foi vê-lo todos os dias. Depressa percebeu que os seus problemas, ao pé dos dele, eram pequenas coisas. Pequenas coisas que quase lhe custaram a vida. O carácter dela foi mudando. Começou a cuidar dele e, ao cuidar, tornou-se mais forte, determinada e destemida. Como que por magia, a Fofinha reapareceu. Estava sentada no capacho, à porta de casa, à espera que Lisete chegasse do trabalho. A chefe, Dona Alice Eduarda, tentou mais uma vez descarregar a ira nela logo pela manhã. Lisete não ouviu todo o discurso: — Dona Alice Eduarda, que direito tem para me gritar e humilhar? Não consigo trabalhar num ambiente tão tóxico. Se me der enxaqueca, vou de baixa. Onde vai arranjar substituta? — as colegas riram-se. A chefe virou costas e foi-se embora, calada. A mãe ligou-lhe, sem aguentar o silêncio: — Então, filha, nem te dás ao trabalho de ligar?… Achas bem? És uma ingrata! Ouves-me, Lisete?! — berrou a mãe. — Olá, mãe. Já não falo contigo neste tom. — ela respondeu calma e tranquila. — Como te atreves? Eu vou desligar! — a mãe em pânico. — Faz favor… — a filha respondeu friamente. Dois dias depois, a mãe voltou a ligar. Não pediu desculpa — não era do feitio. Mas portou-se de forma mais civilizada. Um mês mais tarde, Lisete foi viver com o Arsénio e pôs a casa a arrendar. A amizade deu lugar a algo maior: ternura, confiança, gratidão. Era assim que nascia o amor. Lisete usou o dinheiro da renda para contratar um massagista, inscreveu o Arsénio para fisioterapia na piscina aos fins-de-semana. E, para seu espanto e alegria, ele começou pouco a pouco a recuperar sensibilidade e já conseguia mexer os dedos dos pés. A mãe de Lisete ficou doente, e Lisete, pedindo licença do trabalho, foi visitá-la por um par de dias. Arsénio ficou em casa, ansioso, a sentir saudades. Esperou por ela como um cão fiel, os dias todos colado ao sofá. Era Fevereiro. Naquele dia, caiu uma tempestade de neve. Ele sabia a hora do autocarro, calculou quanto tempo ela demorava a chegar, subir os cinco andares… Tudo passou e Lisete não aparecia. Arsénio aproximou-se da janela com a cadeira de rodas. Não se via nada, só branco e vento. O telemóvel dela estava desligado há horas. Assim passou uma, duas, três horas… Quando finalmente a chave rodou na fechadura, o coração dele quase saltou do peito e a alma correu-lhe ao encontro. — Arseninho, o autocarro ficou retido pela neve, tivemos de esperar pelos limpa-neves… O telemóvel ficou-se logo sem bateria! — gritava ela, mal entrou no hall — Arsenio!… — correu para a sala e parou. Ele estava em pé, a dois passos da cadeira, a sorrir.